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traição imperdoável

Os políticos, assim como os artistas populares, tem a obrigação moral de estar onde o povo está. E os políticos, como representantes dos cidadãos que os elegeram, teriam que estar, mais que qualquer outro grupo social, afinados com as aspirações dos seus representados. No plebiscito realizado em nosso município, no dia 14 de setembro de 2003, não havia um só político com cargo eletivo ao lado do grupo majoritário de cidadãos Içarenses que manifestou-se contrário à emancipação do Balneário Rincão. Nossos políticos, em sua eterna e conhecida prepotência, acharam por bem impor sua vontade ao povo de Içara, utilizando-se de subterfúgios espúrios, de números duvidosos e diversos meios coercitivos para manipular a vontade das massas. A maioria esmagadora dos meios de comunicação locais e regionais agiram de forma abertamente parcial, colocando suas páginas e microfones a serviço dos emancipacionistas e bloqueando, sempre que possível, a manifestação dos contrários, numa flagrante falta de compromisso com os princípios do contraditório, que é a razão basilar de qualquer democracia. O prefeito eleito e seu vice, como simples cidadãos, até que poderiam ter suas opiniões favoráveis à emancipação. Mas como autoridades eleitas teriam a obrigação de lutar para manter a integridade territorial do nosso município. Se os mesmos, durante a campanha eleitoral passada houvessem manifestado opinião favorável ao desmembramento de Içara, será que teriam sido eleitos? Certamente receberiam das urnas um sonoro não. Trata-se, portanto, de um abjeto estelionato eleitoral, tramado pelos políticos com a pressa necessária para não dar à população de Içara o tempo indispensável para pensar calmamente sobre a importância do plebiscito! E o vice governador? E os deputados da região? Puseram-se ao lado dos 5.000 votos do novo município e desprezaram os 28.000 votos de Içara, numa atitude pouco inteligente... E nossos vereadores, onde estavam? Não pararam para pensar que toda unanimidade é no mínimo, suspeita? Onde irão buscar votos na próxima eleição? O plebiscito teve a lisura necessária? Onde estavam os fiscais representantes do grupo contrário? A Cooperativa e a prefeitura deveriam manter uma posição imparcial e não interferir, como o fizeram, no resultado do plebiscito...O PIP-Partido do Interesse Próprio, se pensa que saiu vencedor, está redondamente enganado. O povo de Içara, traído e inconformado, espera as próximas eleições para fazer uma faxina política em nosso amado e aviltado município... Nossos políticos podem destroçar nosso hino, rasgar nossa bandeira, jogar no lixo a nossa história...Mas não poderão, jamais, esmagar o nosso orgulho e apagar as nossas consciências!

2008-04-15 Artigos Mário Cesar Serafim Mário Cesar Serafim
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