tire as rodinhas da bicicleta
A vida não nos cobra nada, além do que já nos ensinou. Isso mesmo! Muitas das lições nos foram ensinadas na infância, exemplo: Andar de bicicleta; diz o ditado que uma vez que aprendemos, já mais esquecemos. Mas paramos um pouco para refletir. Será que realmente não esquecemos? Talvez. O que a bicicleta nos exige para andar nela?
Você já se perguntou isso?
Se me permite, irei retroceder um pouco a minha infância. Lembro-me que via meus amigos andarem na bicicleta, e eu sempre os perguntava se não tinham medo, de cair e quem sabe se machucar. Um deles me disse: - Não. É muito simples, é só pedalar e equilibrar o corpo. - Inconformado com a resposta, pois a mim ficou bem vaga, respondi franzindo as sombracelhas e um “ah” sem muita vontade. Foi quando ele percebeu que eu não sabia andar de bicicleta, e ele propôs a me ensinar. Topei de imediato. Pode não parecer, mas não é tão fácil assim dominar aquela “bichana” de duas rodas. Foram poucos treinos, diria o suficiente para quem não tem paciência de ensinar.
Ele segurava o banco na parte de traz, para me dar mais apoio, e pedia sempre que olhasse para frente, segurasse firme no guidon e pedalar sempre que percebesse necessário. Assim eu fiz. Ia pedalando e conversando com ele para ter a certeza, de que não me soltasse. Foi aí que percebi que quanto mais eu pedalava, mais a voz dele fica distante. Resolvi olhar para trás e dei de cara com o portão ao perceber que há muitos, ele já não me segurava. Daí em diante fui dando minhas pedalas até que ganhei confiança para descer o morro mais alto perto de minha casa. Foi tão magnífico descer aquele morro em alta velocidade, sentir cada vez mais o vento forte sobre minha face, sentir o perigo bem próximo.
Quando nos tornamos adultos, esquecemos desse simples coisas que da significado ao que chamamos de relação com outro( amores, família, amigos e pessoas em geral). Sim! A confiança nos é ensinado quando pequenos, e quanto mais confiança você adquire, mais risco você se propõe a corre. Mas às vezes nos parece tão distante que é preferível desconfiar de tudo e de todos. Acreditar que só exista o “mal”, mas se só existi o mal, então eu faço parte do quê?!
Deveríamos usar as rodinhas da bicicleta só ate que ganhássemos confiança para pedalar sem elas. Pois uma vez que se adquire a confiança, já mais se esquece como é. Seria covardia de nossa parte trocar as rodinhas velhas, por outras zero quilômetros. É preciso que se abrace sem medo, é preciso encostar as rodinhas da bicicleta, e quem sabe em troca, ter momentos felizes. Você tem duas escolhas, o continua com sua rodinha e finge que está tudo bem, ou deixe-as de lado e se arrisque. Será que desta vez você consegue pedalar sem as rodinhas?
Rodrigo Corrêa
BH, Primavera de 2007
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
Comentários
Gostei da analogia, Rodrigo.Texto bacana.. parabéns.
abraço Farias Obrigado pelo o elogio, a confiança nos apresenta como simples, mas nõa deixa de ser complexa... Rodrigo Correa Gostei imensamente do texto, nos reporta à nossa infância onde o medo de cair não existe e qualquer empurrão já estavamos andando de bicicletas há tempos bons... precisamos relembrar estes tempos...
abrçs! Marcelo Coêlho Sousa Gostei imensamente deste texto... nos reporta a infância onde nada nos oferecia medo e tudo era encorajador... precimos tirar a rodinha...
abrçs! Marcelo Coêlho Sousa Gostei do texto!
BjO! Erica Muniz
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.