tic-tac e meus passos
Em madrugadas sem fim, de inquietude e desassossego. Lençóis no chão, cama crua, noites frias sem luzes. Brisa por aquela janela, me faz pensar no que eu deveria ter feito aquela noite. Chumaços de cigarro jogados por ali, no canto da sala, sem meus cadernos por perto.
E se música me acalmasse esse momento eu estaria sonhando, mas nem se quer sentar consigo. Um dia tão amargo que nem lareira esquentaria meu corpo gelado. Nem vinho me faria dormir. O tic-tac parece acompanhar meus passos, simultaneamente, quase os passos tapando o som do relógio. Já, já, o sol vai entrar por debaixo daquela porta e pelos frisos das janelas avisando que mais uma madrugada se foi.
Insônia faz parte de todos os dias. Faz um bem, mesmo que madrugadas vazias, na madrugada a rua fica selenciosa, a lua ilumina os cômodos e a chuva só quebra o clima de solidão, nunca me deixam sozinha nessas madrugadas, sempre tenho uma companhia, seja meu chá ou meus cadernos. Vivo vagando pelos pisos desta casa, eu consigo imaginar o que o mundo lá fora apronta para o dia seguinte.
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Comentários
Adorei esse texto, muito profundo e verdadeiro. wania monteiro Texto de primeira linha. wania monteiroclique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.