grafiti
Minha alma anda solta em profusão de
desencontros
como os últimos grãos de areia
em uma ampulheta
Amordaçada
solto letras flutuantes
que levadas com o vento
fazem do amor arte em grafiti
esparramando versos noite a dentro
Na parede sou o sonho do boêmio
escrita no ar
sou rabisco das ruas dos amores
que formam letras
na arte inconstante de amar
Falo do amor enjaulado que toma forma
no fundo do pensamento
formando poesias em branco e preto
grafitadas nas paredes sombrias
dos muros esquecidos
Saio na noite lendo minha sina
nas ruas estreitas nos becos
em todos os lugares
na mulher que vive da noite
da noite que é mulher
Na madrugada como lágrimas
que surgem
entre meus cílios guardados
escorre minha poesia que
em mil cores serpenteando em palavras
rastejam nas paredes
refletidas no asfalto negro
a cintilar
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