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big brother empresarial

O mercado atual vive em uma eterna luta na qual não se sabe quem é o bandido e quem é o mocinho. Assim como no Big Brother, tudo depende da edição das imagens.

As empresas, cada vez mais, têm ouvidos nas paredes, cópias ocultas nas caixas de mensagens, câmeras por todos os lados, auditores, supervisores, inspetores e, principalmente, bisbilhoteiros e sabotadores de plantão. É comum ouvirmos histórias de abuso de privacidade, caso não seja você o vigiado da vez.

O crescimento de uma empresa requer uma atividade que faz com que a maioria delas se desestruture: a delegação de tarefas.

O que passar para minha equipe? Até que ponto posso confiar em meus funcionários? Passando todo o conhecimento, não vou dar armas para ele atirar em mim? Diante desses conflitos, as empresas querem ter o controle total de todas as ações do profissional. Em vez de supervisionar e analisar resultados, muitas vezes passam a vigiar e suspeitar de tudo e de todos.

Nesse ambiente tenso, profissionais trabalham com receio. E o medo de perder o emprego(?) impede a pessoa de lutar pelo êxito. Para piorar, essas mesmas empresas cobram de seus funcionários autonomia, criatividade e até mesmo bom humor no dia-a-dia, algo praticamente impossível num ambiente com liberdade restrita e vigilância acirrada.

Nas empresas que utilizam o “sistema Big Brother de supervisão”, a tendência é que a equipe se sinta invadida, se não legalmente, moralmente. Os funcionários não se tornam engajados para lutar pelo objetivo comum e se dedicam parcialmente, apenas o suficiente para não serem postos no paredão. Possivelmente, esses funcionários estarão criticando seus supervisores e até a própria empresa nos corredores, refeitórios e cafés, gerando um ambiente de trabalho desagradável e improdutivo.

Com objetivos e metas bem estipuladas, uma empresa deve, sim, supervisionar aqueles que trabalham para ela, mas, acima de tudo, respeitar suas individualidades. Não ter medo excessivo nem confiança exagerada. Equilíbrio e foco levam ao desenvolvimento, e isso não é estatística, é fato.

Claro que existe um outro caminho, só que esse caminho mais vigilante pode te levar a criar um paredão por semana e eliminar muitas oportunidades de crescimento. E, no final, provavelmente você não ganhará um milhão.

2007-10-24 Artigos Fabio Tadeu Fabio Tadeu
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