a ilusão dos atalhos
A verdade é que temos pressa em que as coisas aconteçam. Estamos sujeitos ao tempo, somos escravos dele e não temos tranqüilidade para esperar. A certeza de que não vamos continuar aqui para sempre e a incerteza sobre quando se dará a saída, nos faz ter pressa.
Essa pressa apresenta-se na busca pelo prazer, pela realização, pela aquisição, pela definição sobre as diversas áreas da vida.
“A pressa é inimiga da perfeição” já diz um ditado popular, mas, o grande perigo da pressa são os atalhos, eles oferecem rapidez eliminando etapas, alguns desses atalhos vem em formas de papeis vendidos na esquinas, afirmando o que não aconteceu são diplomas, declarações, atestados; outros atalhos, vem na forma de relacionamentos, relações prematuras, antecipadas. A buscar de consolo e conforto espiritual tem levado pessoas a aderirem todo e qualquer tipo de segmento religioso, principalmente àqueles que oferecem atalhos para as soluções físicas e financeiras. Os mesmos que desanimam diante de uma longa fila de espera para conseguir um trabalho, se sujeitam a ficar horas e horas numa fila de jogos lotéricos para tentar algo que a própria matemática diz ser quase impossível.
Mas, qual é o problema dos atalhos? Primeiro está no próprio termo, “atalho” não é “caminho”, pois se fosse não se chamaria atalho. O atalho é rudimentar é rústico, logo, mesmo que ele faça chegar mais rápido aonde se quer, corre-se mais risco, sujeita-se a situações mais complicadas e não se aprende o “caminho”. Mais o grande problema do atalho, não está nessa filosofia-geográfica, mais sim nos “pulos” e “saltos” que sacrificam etapas fundamentais no processo do resultado final. Ninguém chegará aonde se quer, não estará como se deve estar e não permanecerá com êxito nesse lugar, chegando “via-atalho”. Quando pensamos na grande concorrência dos dias de hoje, vemos claramente que os que optam pelo atalho não tem qualificação suficiente para concorrer com os que chegaram pelo caminho.
O atalho iludi, engana, pois rapidez não combina com qualidade, atalhos alimentam a pressa, a impaciência, amolecem caráter, não exercitam valores importantes na personalidade como: domínio próprio, paciência, persistência, capacidade para conhecer e lidar com as próprias limitações.
Evite os atalhos, trilhe pelo caminho mesmo que esse seja longo e difícil, o resultado será compensador, ainda que outros não reconheçam, você entenderá que foi melhor assim, eles perceberão isso mesmo que não digam; você pode até no final do “caminho” não ter muito, do ponto de vista material, mas, verá com muita clareza como teria sido uma tolice ir pelo atalho só por causa de “coisas materiais” e não se enveredará pela trilha da depressão que acometem àqueles que “perdem” o precioso tempo evitando as etapas que fazem de nós e da nossa vida algo com verdadeiro sentido. Os atalhos são estradas para as frustrações. Evite-os!
Fábio Maia
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