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GRITOS NO AR

GRITOS NO AR

Como possuir a essência

Do corpo e da alma,

No sonho sussurrado ao vento;

Se és aventureiro de outras galáxias

Perdido entre as entranhas do destino,

No tempo do ocaso ao sinal do amor...

No encontro prateado da lua,

A lava ardente e fogosa do sol

Em delírio luminoso da dor...

Vagueia coração, desperta

Na miragem, inocência da manhã...

Gaivota que voa gritando no ar

Enlouquece o paladar da flor,

Quebrando a corrente entre a vida e a morte;

Ilusão da marisia no suspiro do ar

Que na boca do mundo, invocam os santos

Deixando de lutar pela magia do prazer...

Raio do começo do entender

Abrindo espaço, tal pureza d'água;

Sem olhos queimados no cântico do mar,

Nem noites alucinantes na praia da solidão...

Estrela silenciosa na esperança do além

Que cai por terra em grossas nuvens de pó,

Crepúsculo carinhoso e afagos de amor;

Perdidos em constante tensão

De murmúrios dos sonhos misteriosos

Da paranóia ao orgasmo que evade

Nos segredos do ser universal.

2006-09-29 Poemas e poesias Afonso Silva Afonso Silva
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