Zona Morta: Uma rosa banhada à sangue
Capitulo 2 - Difícil decisão
Segui aquele homem por mais algum tempo, até que ele se virou para mim encarando meus olhos e disse, dessa vez mais calmo que antes, que estávamos chegando perto do local onde ele se escondia, perguntou se eu estava cansada, eu apenas balancei a cabeça positivamente, ele logo me disse que não poderíamos parar, já estava anoitecendo e podia ser perigoso, logo concordei mais uma vez apenas com a cabeça, e voltamos a andar, até chegar no tal local, ficamos calados, em mais alguns minutos chegamos ao lugar, olhei para frente e me deparei com uma casa simples sem muitos luxos, estaria até normal, se não fosse pelos arames farpados, e as cercas de quase 3 metros de altura que a cercavam, parecia bem protegida, talvez aquilo me deu um alivio, pelo menos algum lugar para eu sentar esticar as pernas e descançar um pouco, apesar de tudo, o que me dava mais medo, era voltar a pensar nas pessoas que eu perdi.
Não deixei os pensamentos me corroerem, já fazia algum tempo que graças a Deus não me deparava com algum maluco, logo o homem me chamou e eu entrei na casa, por uma pequena abertura entre a cerca, apôs entrar o homem fechou ela, e me guiou até dentro de lá, entrando logo vi, um cachorro que cheirava minhas pernas, e em seguida uma mulher com dois garotos que aparentavam ter uns 18 anos de idade conversando com ela, o homem se apresentou e disse se chamar Carlos, e depois apresentou a mulher que era sua esposam, se chamava Maria, e os dois rapazes, um se chamava Thiago e outro Flávio, cumprimentei eles e logo me apresentei, disse o que havia acontecido, foram longas horas de conversa, não era um papo dos melhores, mais deu para distrair.
Apôs umas 2 horas de conversa, perguntei onde eu poderia ficar, o homem falou para que eu o seguisse, foi o que eu fiz, o segui por um corredor, até entrar numa porta, ele apontou para dentro e disse que eu poderia ficar lá, cheguei perto e fui entrando, para minha surpresa vi uma garota deitada sobre a cama ao lado da que eu iria ficar, olhei para o Carlos e perguntei como ela se chamava, ele me disse que se chamava Mariana, e que era sua filha, no momento que ele falava, senti uma expressão triste aparecer em seu rosto, e logo ele me contou que ela tinha nascido com um distúrbio, e por isso era Autista, olhei para o homem que tinha um rosto um pouco sofrido apesar de sua casa se é que era dele, aparentar ser de alguém rico, sorri para ele, e disse que iria ficar muito bem ali, logo ele seguiu até a menina e deu um beijo na testa dela, e falou que ela me recebesse com educação, sorri quase chorando ao ver aquela cena, mais segurei as lágrimas, já tinha chorado demais, me sentei na cama, fui até a janela, na mesma hora o Carlos saia do quarto, fiquei um tempo olhando o lado de fora, e pensando o que ia ser de mim, me virei para o lado e olhei para a garota, que se destacava pelos lindos olhos cor de mel, e uma beleza incrível, ela parecia uma boneca deitada na cama, era linda, não havia perguntado a idade dela, mais devia ter entre os 8 ou 10 anos, cheguei perto dela sorrindo, e comecei a alisar os cabelos dela, ela parecia bem feliz até e abriu um sorriso para mim, percebi que ela queria falar algo e me aproximei da menina, me levantei em seguida dando um pulo, me encostei na parede, assustada, olhei para os lados, e fiquei pensando por alguns segundos, logo acordei do transe dos pensamentos e fiquei horrorizada com que havia acabado de ouvir, não era possível como é que ela sabia daquilo, como ela podia saber que aquilo tinha acontecido, não, não era culpa minha, eu tenho certeza, abri a porta do quarto e andei pelos corredores, segui até a sala que era o primeiro comodo que eu tinha visto, e sentei na cadeira mais próximo, não tinha mais ninguém eu acho que deviam ter ido para outro lugar, fiquei lá por um tempo.
Logo decidi falar com a Maria, ela podia ter roupas limpas para eu poder vestir, procurei por alguns momentos, passei pela cozinha e ouvi vozes, cheguei perto e logo percebi que estavam reunidos naquele local, entrei sem muitas apresentações e falei em um tom baixo, perguntando a Maria se ela não tinha roupas limpas para eu poder vestir, apôs tomar um banho, logo o Carlos falou que não tinha agua, e se tivesse era muito pouca, a Maria disse que podia emprestar as roupas que achava que dariam em mim, logo sorri, pelo menos vestir algo limpo era melhor do que nada, segui ela até outro quarto no corredor, ela entrou e me deu algumas roupas e disse para eu experimentar, e que eu podia pegar 3 pares de roupas e ficar com eles, sorri e pedi obrigada, e logo segui para o quarto onde eu tinha ficado, entrei nele e segui para dentro do pequeno banheiro que tinha ali, me troquei e terminei pondo uma calça, acho que era melhor que uma saia, era mais livre se eu precisasse me movimentar, vesti uma blusa folgada e guardei as outras roupas perto da cama, amarrei emu cabelo e desci as escadas, voltei para a cozinha, chegando lá, percebi que eles estavam num papo descontraído, logo entrei pedindo licença dessa vez, e perguntei se eles poderiam me responder algumas coisas, o Flávio um dos filhos do Carlos disse que me responderia tudo que eu quisesse, fiquei grata e disse que aceitava, logo fomos para sala, e lá eu comecei a encher ele de perguntas, perguntei o que era que tava acontecendo, porque todo mundo tinha ficado louco, foi tantas que ele não conseguiu responder nenhuma, ele mandou eu me acalmar e perguntar uma de cada vez, não agüentei e comecei a chorar, ele mudou de cadeira e botou minha cabeça sobre o ombro dele, logo chorando perguntei entre soluços o que estava acontecendo, ele me disse que aquilo era um tipo de infecção que se espalhava através do sangue como acontecia com a AIDS por exemplo, e me disse que os infectados, parecia que morriam e logo em seguida se reanimavam, ele disse que aconteceu isso com dois amigos dele.
Ainda entre os soluços causados pelo choro, sorri e pedi obrigada pelas respostas, e perguntei o que eles pretendiam fazer, ele me disse que a idéia do pai dele era consertar o caro dele, e sair para o outro estado, que de acordo com algumas interceptações, o estado inteiro tinha sido isolado, e os estados vizinhos estavam a salvo da infecção, ele ainda me disse que não acreditava muito nisso, que achava que era apenas mentiras para tentar manter a população calma, para que saíssem de casa e morressem lá fora, para que ai sim, eles podessem tomar uma providência, achei aquilo meio confuso, mais logo deixei para lá, pelo menos agora eu estava sabendo de mais coisas.
Logo pedi licença, me levantando e segui para o meu quarto já estava tarde e resolvi dormir, deitei a cabeça na cama, e tentei não pensar mais em nada, fiquei um tempo e terminei pegando no sono, acho que dormir algumas horas, no máximo umas 5, logo acordei com gritos apavorantes, pareciam vindos lá de baixo, desci as escadas e vi a Maria se retorcendo no chão, cheguei mais perto perguntando se precisava de ajuda, o Carlos me empurrou e disse que iria fazer isso sozinho, o Thiago estava do outro lado, lágrimas caiam dos seus olhos, o Carlos parecia inconformado, vi que ele segurava a arma na mão direita apontada para a cabeça da sua mulher, em pouco tempo ele virou o rosto e deu um tiro certeiro na testa dela, fazendo miolos voarem pelo local, a cara de forte que ele fazia o tempo todo, começou a jorrar lágrimas, ele caiu de joelhos sobre o corpo da mulher, e começou a chorar, a cena era horrível, os filhos não fizeram muita coisa, ficaram chorando calados, olhei a cena, e logo virei o rosto, eu não podia ver aquilo, chorei também, acho que foi na hora que eu lembrei como é perder alguém que agente ama, e pior ainda, é quando nós temos que matar ele...
Sentei no degrau da escada e fiquei pensativa por alguns momentos, logo o Carlos gritou, mandando o Thiago e buscar a Letícia no quarto, olhou para mim e disse que íamos partir daqui a uma hora, e que iriamos conseguir nos salvar, pediu ao Flávio que pegasse as armas e preparasse o carro, voltou a olhar para mim e perguntou se eu podia ver se não havia nenhum infectado do lado de fora, usando a janela do quarto, subi correndo sem nem responder e olhei pela janela, e para minha surpresa tinha pelo menos uns 10 lá fora, voltei a sala e avisei ao Carlos que continuava dando suas ordens, ele mandou eu seguir o Flávio até a garagem, e ajudar ele a por as coisas no carro, foi o que eu fiz, fui até o carro, o Flávio já colocava algumas coisas dentro do carro, ele me pediu para por no banco traseiro, algumas sacolas, peguei o que ele tinha mandado, e abri a porta, pondo elas dentro do carro, em pouco tempo o Carlos desceu com o Thiago segurando a Letícia, e entraram no carro, eu fui a última a entrar, na direção ficou o Flávio e o Carlos ficou no segundo banco da frente, eu entrei e fiquei na parte de trás com o Thiago e a Letícia, o Carlos pegou uma arma que estava abaixo da cadeira dele e saiu do carro em direção ao portão, mandou deixar a porta aberta, e o carro ligado, o Flávio fez isso, logo o Carlos, abriu o portão o empurrando, e mandou o Flávio sair, logo de longe se via os infectados chegarem perto, o Carlos parecia querer manter a casa intacta, e fechou o portão, veio correndo em nossa direção, deu dois tiros em um infectado que estava na frente do carro, e entrou na porta, mandou agente partir, fechou a porta e o Flávio acelerou.
Andamos por uma parte de terra até chegarmos na estrada, logo estávamos já no caminho, de acordo com o Carlos íamos levar dois dias para chegar no tal lugar. Encostei minha cabeça na janela e vi que aquela apesar de ser curta, seria uma longa viagem, olhei para a Letícia e pensei no que havia ouvido, será que ela falou a verdade, e como ela soube daquilo, não podia ser que apenas aquilo pode-se ser a causa desse caos todo, ela parecia uma menina inteligente, e a partir de hoje, ouvi-la talvez seja a melhor saída.
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