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Zona Morta: Uma rosa banhada à sangue

1- Introdução ao holocausto

Era mais um dia normal na minha vida, me levantar cedo, tomar meu banho, peparar meu café matinal e sair para o trabalho, ver as mesmas pessoas, os mesmos rostos, e a mesma falsidade, minhas amigas falando que eu estava linda, e quando eu dava as costas, despontavam a falar mal da roupa que eu usava, ou aquele meu colega de emprego, que esticava os olhos ao me ver passar e quase todo dia perguntava se meu namoro com o Fernando ia bem, era fácil perceber que a resposta que ele queria era um "não", mais no fundo ele sabia que nunca iria ter essa resposta, era impossível eu viver um dia mal com o Fernando, ele era desde a morte da minha mãe a coisa mais bonita que tinha me acontecido, sempre gentil, amigável, e querendo me ajudar no que fosse preciso, ele me conquistou, e terminamos a namorar algum tempo depois, já estávamos juntos a quase 5 meses, e eu estava muito feliz com aquilo tudo.

Mais fazer o que ?, tinha que enfrentar mais um dia de trabalho, afinal ele que me "alimentava", abri a porta do meu apartamento e segui pelo corredor até chegar em frente ao elevador, algumas horas depois, estava eu lá no trabalho, tratei logo de adentrar ao local, queria aproveitar que cheguei cedo e ir direto para minha sala, e assim não teria que enfrentar os meus colegas de trabalho, para não passar mais uma manhã iniciada por desejos e falsidade, e foi o que fiz, subi até o 9º ( Nono ) andar e entrei na minha sala, olhei para os lados e dei graças a Deus, meu chefe ainda não havia chegado, assim eu estaria mais a vontade para poder me arrumar e ouvir seus gritos quando aquele velho nojento desse as caras, peguei os papéis que estavam em cima da mesa e comecei a folhear eles, logo tirei meu casaco o pondo por trás da minha cadeira, e logo achei o que me interessava, o arquivo inteiro do processo daquele Italiano, contra a ex-mulher dele, apesar de ser apenas uma jovem advogada, já tinha responsabilidades grandes, meu pai sempre exigiu muito de mim, e gastou muito dinheiro para que eu me formasse, e foi isso que eu fiz, me formei com muito prestigio, mais a felicidade acabava por ai, pois o trabalho de verdade havia chegado e eu precisava exerce ele com a maior perfeição que eu pudesse.

Apôs algumas horas em frente ao computador, enviando email´s, procurando noticias, e tentando localizar testemunhas para o julgamento que aconteceria no outro dia, eu percebi que já era tarde, e o mais estranho era que o velho babão do meu chefe não tinha chegado, ou melhor o mais estranho de tudo era que várias pessoas não tinham vido trabalhar naquele dia, eu até achei que era algum tipo de férias, folga coletiva, ou que era feriado e apenas eu não sabia, mais logo deixei os pensamentos de lado, peguei minhas coisas e segui para a parte de baixo do prédio, chegando na recepção, falei com a Margarida, que era a secretaria do meu patrão, entreguei alguns papéis para que ela desse para ele, e perguntei curiosamente o porque de ele não ter aparecido no trabalho hoje, espontaneamente e simpática como sempre Margarida foi logo me falando, que o Sr. Antônio, tinha ficado em casa para repousar, pois havia pegado uma infecção e precisava de cuidados, ouvindo aquilo parecia música para meus ouvidos, nunca fui uma pessoa ruim, mais quem trabalhasse com o Antônio como eu preferia chamar, não conseguia segurar por muito tempo a felicidade, olhei para Margarida e dei boa noite, e segui meu caminho, ainda pensando que não precisaria ter ele no meu pé amanhã no julgamento, nunca fiquei tão feliz, segui para casa, quando cheguei fui logo abrindo a porta, para minha surpresa, Fernando estava lá, romântico como sempre, segurava na sua mão um buquê de rosas, pensei comigo mesma, não faltava mais nada para meu dia ficar perfeito, e a noite se passou, eu e Fernando ali juntinhos, mais infelizmente como acontece nos filmes, agente não pode dizer que algo tá perfeito que logo ele estraga, e Fernando que é médico formado na USP, foi chamado para fazer uma cirurgia de emergência, pelo que eu entendi, foi a cirurgia em um homem que havia sido atropelado, não soube com detalhes, mais fazer o que, tive que me despedir, e mais uma noite seguir para a cama sozinha, sem a companhia de ninguém, mais talvez num fosse de todo um mal, afinal eu precisava tá descansada para o julgamento no outro dia, logo dormir agarrada ao travesseiro.

Não sei direito o que me fez acordar, mais que foi um baita susto foi, me levantei desligando o despertador que fazia um barulho infernal, e segui até o banheiro, para realizar a mesma rotina de sempre, apôs todo o meu ritual, peguei as chaves de casa sobre a mesa, e segui para a garagem do carro, abri a porta do veiculo jogando minhas coisas no banco de trás, e me sentei sobre o banco da frente, logo vi que não tinha pego as chaves do carro, e resolvi ir logo abrindo a porta de saída, peguei o mini controle que estava numa pequena prateleira do lado e o apertei fazendo assim a porta começar a abrir lentamente, entrei para dentro da casa e procurei a chave, logo sem muita demora achei ela sobre o sofá, peguei ela, e segui de volta para a garagem, logo na entrada da garagem percebi que o Tomas tava perto do meu carro, Tomas é o meu vizinho, ele gosta muito de brincar no meu jardim, um garoto muito bem educado, que eu sempre gostei muito, mais ele tava estranho, parecia que ele estava irritado, cheguei mais perto do menino, o chamando pelo nome, mais ele não me atendeu, logo fui ver o que se passava com ele, mais acho que não foi uma coisa boa eu ter ido até lá, ao chamar mais uma vez por ele, percebi que ele estava melado de sangue, fiquei preocupada, e logo me ajoelhei perto dele, para ver se ele tinha se machucado, ao tocar sobre o braço dele que parecia está ferido, o garoto virou bruscamente me encarando, ao ver sua face, fiquei paralisado, o nariz jorrava sangue, metade do seu lábio parecia ter sido queimado de forma brutal, mais bem no fundo dos seus olhos dava para perceber uma expressão de medo, mais não tardou muito, e logo ele avançou para cima de mim, quase que pulando por sobre meu corpo, o medo foi tamanho que eu não pensei duas vezes, e chutei sua barriga, o afastando um pouco de mim, caído por sobre minha frente o menino parecia ter desmaiado, me levantei com um pouco de dificuldade, pois devia ter batido minha perna na parede quando ele avançou, me segurei sobre a mesa que tinha o controle a alguns minutos atrás, e me levantei, cheguei perto do menino para ver se o tinha machucada, mais foi por pouco tempo que a calmaria pairou ali, senti uma mão agarrar meu tornozelo e ao olhar em relance, percebi que era o garoto que tentava se arrastar até meus pés, olhei para frente na esperança de achar algum vizinho, e por todos os santos, foi o que eu achei, o Paulo meu vizinho da frente estava cortando a grama, e logo veio em meu socorro apôs alguns gritos de medo que eu soltei o chamando, ele segurou nas pernas do menino e o puxou, não sei por qual motivo mais o Tomas soltou minhas pernas, mais ao ser puxado se inclinou para frente mordendo o braço do Paulo, segurou firme, em um gesto assustado puxei o menino segurando-o pelos braços mais cai por não agüentar o peso, o Paulo parecia furioso, se levantou e segurou o menino com força, o puxando até perto da rua, e começou a gritar pedindo por ajuda, logo a mãe do garoto saiu correndo de sua casa, ao ver a cena, ela começou a chorar chegando mais perto, parecia desesperada, outros vizinhos também chegaram, o Paulo tratou logo de dizer a atrocidade do garoto comigo e com ele, a mãe ainda bem abalada, me pediu desculpas, em pouco tempo uma ambulância chegou ao local, algum dos vizinhos devia ter chamado, os enfermeiros levaram o garoto, e disseram que devia se tratar de algum distúrbio, algo que o fez ficar agressivo, entrei para dentro da minha casa, e me limpei, olhei para o relógio que ficava na cozinha, e vi que estava atrasada quase meia hora, esquecendo em partes o acontecido resolvi ir correndo ao carro, entrei nele e logo parti até o fórum, onde aconteceria o julgamento, o ar da cidade estava meio morto, poucas pessoas na rua, e uma grande quantidade de ambulâncias e carros de policia circulavam entre os poucos carros que ainda enfrentavam o transito que apesar de vazio estava confuso, sem me preocupar muito, dirigi até chegar no fórum, deixei meu carro na garagem, e entrei no prédio, falei logo com a recepcionista, e segui direto para a sala de julgamento, ia ser uma seção reservada, apenas com os réus, e as testemunhas, além do Juiz, do Advogado de defesa do promotor e de mim claro, abri a porta do local, e me deparei com uma solidão no ar, apenas o Juiz, e o promotor se encontravam lá, logo perguntei onde estavam o restante, e o promotor que já era um senhor de seus quase 60 anos em respondeu calmamente que a cidade estava em alerta vermelho por causa de um tipo de infecção, ou era vírus que se espalhava no ar, e disse que não sabia de muita coisa, que parecia que o governo estava tentando não falar muito sobre, para não deixar a cidade tão alerta, e que em quase todas as noticias dizia que era apenas uma epidemia passageira, e que logo estaria resolvido, vendo que não tinha muita coisa a fazer ali, resolvi pedir para ser dispensada já que ninguém iria mais, o Juiz concedeu e logo disse que também iria e que o promotor podia voltar ao seu dia normal, abri a porta e sai novamente até a recepção, mais não esperava encontrar aquilo, umas 10 pessoas reunidas no local, pareciam brigar, cheguei perto curiosa para saber o que era, e todas elas estavam tentando tirar um homem de meia idade de cima da recepcionista, pelo que eu fui informada parece que ele chegou e saltou sobre a banca de onde ela ficava e começou a agredi-la, o mais estranho é que ele mordeu ela em 3 lugares, ele demonstrava a mesma agressividade do Tomas, logo decidi de sair de lá, mais acho que foi isso que eu pensei, mais não o que aconteceu, a mulher que havia sido mordida, começou a passar mal enquanto alguns homens seguravam o homem que havia a agredido, alguns dos presentes disseram ter chamado a policia, logo meu celular tocou, o Fernando estava nervoso me pedindo para ir para a casa dele, o mais rápido possível que nós precisamos viajar, eu não entendi bem, mais resolvi ir lá conversar com ele e saber o que se passava, quando desliguei o celular que resolvi sair do local, dei de cara com a mulher que antas havia sido mordida, ela parecia tão agressiva quanto o homem, e começou a correr em minha direção, o primeiro sentimento foi de que os presentes iriam segurar ela, mais quando me deparo com a cena, de todas as pessoas antes em pé, caídas no chão, sangue para todos os lados, não queria ser agredida mais hoje, e comecei a correr, a mulher continuo me perseguindo mais alguns corredores, mais logo achei uma sala com a porta aberta, e decidi entrar. abri ela, e fechei rapidamente, pus uma estante que se encontrava ali perto para deixar a porta mais reforçada, a mulher deve ter ficado batendo nela alguns minutos, mais logo devia ter desistido, pensei comigo mesma o que estava acontecendo, logo resolvi ligar para o Fernando, e recebi a noticia pior da minha vida, agora que estava morto era meu pai, o Fernando disse que ele foi atacado, por um maluco numa estrada, pelo que ele soube, foi mordido, ou algo parecido, e que não tinha resistido aos ferimentos, devido a sua idade, olhei para frente, deixando o celular cai sobre meu colo, não conseguia mais pensar em nada, me virei olhando pela velha janela do local a rua que estava uma desorganização total, carros batidos, pessoas correndo, e malucos agressivos atacando gente inocente, deslizei meu corpo pela parede, com lágrimas caindo sobre meu rosto, nunca fui uma pessoa ruim, talvez tenha feito coisas não muito louváveis, mais todo mundo faz, também nunca acreditei muito em Deus, sempre acreditei em algo grande, mais não em Deus mesmo, e sempre achei esse assunto de inferno e céu muita besteira, agora eu mudei de opinião, quanto ao céu, eu não sei se existe, mais o inferno com certeza existe, e estou dentro dele.

Minha vida tinha acabado, minha família tinha morrido, pessoas atacando pessoas, uma cidade toda mergulhada em um caos terrível, pelo visto meus sonhos haviam acabado também, só me restava o meu grande amor o Fernando, e ainda tinha que pensar se ele estava bem, se ele podia me ajudar, ou se ele também eu nunca mais ia ver.

2008-08-25 Outros textos Rodrigo Xavier Rodrigo Xavier
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