Você
De mim o faço, de você sou feita. Posso desaparacer e me tornar somente cinzas com o tempo. É como se sem você, eu estivesse em um longo e rigoroso inverno, não a tão conhecida estação, mas em um inverno interno, doloroso... onde meu corpo entraria em greve, ficando completamente estagnado, pedindo pelo seu toque, seu cheiro, sua vital presença. Ao vê-lo tão distante, de solitude eu vivo. Subitamente esqueço de mim, onde ressurjo às margens de um cristalino rio, em plena quietude, esperando seu chamado. Observando o reflexo da lua em suas águas turvas, levantando meus braços, sentindo o vento como seu corpo ao meu. Distraindo-me da ausência. Distraindo-me da dor. A qual me corrói lentamente por entre minhas veias, destruindo minhas raízes, meus pilares, minha razão. Qualquer esforço, porém se torna vão. Onde tudo me leva a você, roubando-me as horas, os dias, a calmaria de um dia ensolarado. Assim é o meu amor, e a você o reporto. Não sei amar de outra maneira, a não ser loucamente. Contemplarei seu rosto e infinitos olhos. Entrelaçarei meus braços nos seus, e eles me sustentarão. Pois você a mim é destinado, e eu, destinada sou, a você.
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