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Via-láctea

Mais alto! Muito mais além do

Infinito!...

Assim são os meus sonhos

Mais bonitos!...

Assim vão as minhas quimeras

Aladas...

Movais, gigantescos moinhos

De vento!...

Tragais a tua casa os quixotescos

Desejos meus!...

Sempre lúdico por essa espessa

Via-láctea...

Por esse néctar exalado dos deuses

Manjares...

Deslizo macio e profundo! Findo gozo!

Tenho fome de estrelas anãs... Antares...

Beba-te o leite sacrossanto voluptuoso!

Vamos por entre as intrigantes cabeleiras

Dos cometas!...

Faço extensas labaredas foscas vermelhas

Em meus largos e morenos omoplatas...

Acesas estão as meninas estrelas do meus

Olhos...

Tenho permanente em meus alvejantes

Dentes, planetas provisórios...

Jorro lácteo pastoso mel como caudalosas

Cascatas...

Teço, entretanto, entre todos, teias tênues

[Traçadas

Por substâncias que fluem em deltas de

Rosadas mágicas...

Pela natureza das coisas santas e

Fantásticas!...

Foge e fulge um ponto de luz no universo.

Não há mais porquê. Não há mais problema.

Acione a ampulheta do deserto!

Conta-te... areia!...

Desvenda-te mais esse poema!...

Vaga livre sob as águas o espírito sem dor.

Grito alarmado por todo espaço sideral:

Onde estás Criador?

Onde estás Criador?

2008-06-24 Poemas e poesias Gilmar Ferreira Gilmar Ferreira
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