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Vazio

Dia 30/12/2008, quase véspera de ano novo, quase entrada para 2008.

Vou-me para a casa do meu namorado, e passo a noite lá, antes de deitar-me, procurei meu celular, que por sinal, o tinha esqueci em casa e por mais perto que seja, não sairia aquela hora da noite, para pegar meu celular, sendo que na manhã seguinte, estaria em casa novamente para os preparativos das guloseimas para a festa de ano novo.

Enfim, peguei no sono, adormeci até começar a sonhar, quando o telefone toca desesperadamente no meio da madrugada, lembro-me que era 5:00 da manhã e todos na casa do meu namorado estavam dormindo.

Meu namorado levanta e corre até o telefone, quando chega perto, para. Mas em seguida começa novamente, e ele atende, só ouço:

- Alô, tudo bem... estamos indo. - e desligou.

Estou quase pegando no sono novamente, e meu namorado me acorda, diz que aconteceu alguma coisa, mas não sabe o que, minha mãe ligou e pediu para irmos para casa urgente.

Levanto-me e me visto, saio da casa dele, e questiono:

- O que aconteceu? Não entendi nada.

- Sua mãe me ligou e disse que acha que sua avó está morrendo.

Me bateu um desespero, junto com o vazio que estava dentro de mim, fiquei em choque, não consegui dizer uma única palavra no caminho, só pensando e rezando para que isso não seja verdade.

Cheguei em casa e minha mãe estava com seus olhos inchados e vermelhos, com as lágrimas escorrendo como cachoeira e soluçando.

Deixo o carro para eles irem até a casa de minha tia, mas não conseguia dormir, até que o telefone tocou assim que meus pais tinham saído de casa.

- Alô?

- Oi, liguei para confirmar que batiã (avó) acabou de ir.

Fiquei em silêncio e não consegui dizer uma única palavra para minha tia, ela chorava do outro lado da linha, e por mais que eu não falasse nada, mas do outro lado ela sentia que estava gritando, entrando em desespero.

Desliguei o telefone, não consegui andar, fiquei em pé, e virada para a parede, até que lágrimas encobriram meus olhos, e comecei a ver tudo distorcido, então elas escorregaram até caírem no chão. Meu namorado estava sentado no sofá, e não sabia o que fazer, mas por mais que eu chorava, queria um abraço de consolo, para sentir que não estava sozinha, passando por tudo aquilo.

Foi amanhecendo, meu namorado foi deitar-se no meu quarto e dormiu, eu não consegui pegar no sono, não consegui fazer nada, a não ser pensar nos momentos que tive com minha avó, não prendendo o choro que tanto prendia, mas liberando, para desabafar comigo mesma.

Não aguentei, e liguei para minha mãe, quando ela me disse que vai demorar muito e que não sabia quanto tempo que levaria tudo aquilo, pois aguardava o médico ou legista para liberar o corpo e fazer o funeral.

Fui a casa do meu namorado, e os pais dele perguntaram onde tínhamos ido tão cedo, que a casa ficou com todas as luzes acesas, foi então que explicamos tudo o que aconteceu.

A noite foi o funeral, aproximadamente 19:00 e fui com meu namorado e meu irmão até São Bernardo do Campo, onde foi feito também o enterro.

Começou a cantoria, e todos estavam chorando, o sol ainda estava quente, e o ambiente mais quente ainda, muitas pessoas estavam lá, prestando homenagem a nós, parentes de minha avó.

Após abraçar todos que estavam lá, minha mãe me chamou para ver o caixão de minha avó, onde ela encontrava-se mais linda como jamais tinha visto.

Estava linda, não aparentava seus ossos, de quando estava viva, estava muito bem vestida e tinha um lindo batom em seus lábios. Dormindo, com olhos fechados, eu a olhei e não aguentei, comecei a chorar, em silêncio e pensando muito nela, de quando estava viva.

Começa então a missa, uma tradição japonesa, e todos estavam lá prestando aquela homenagem, quando chamaram todas as filhas e netos para aproximar do caixão.

Não tinha terminado ainda a missa, mas fui até a porta da funerária e abracei minha tia, chorando muito, até os soluços aparecerem, minha tia me abraço e me disse bem baixinho:

- Vai ficar tudo bem, ela está em paz e não sofre mais, chore, mas chore de saudades.

E foi o que fiz, e o que faço até hoje.

No dia seguinte (31/12/2007) foi o dia do enterro, as 8:00 foi a última missa, e as 9:00 seria o enterro dela.

Aproximei e já tinham começado a missa, mas não prosseguiam até que todas as filhas estivessem presentes, e estava aguardando somente uma.

No fina da missa, fizemos a mesma coisa que no dia anterior, e ao término o rapaz que estava rezando pediu para que nós, fôssemos até a minha avó, e se despedisse.

Aproxime-me dela junto com minha mãe, apoiando ela, e quando a vi que seria a ultima imagem que teria dela, chorei muito, até não aguentar mais, segurei sua mão gelada e sem carne. Minha mãe não aguentou também e disse:

- É muito difícil dizer adeus, despedida é muito triste, principalmente quando nunca mais vai se ver. Depois de tanto tempo cuidando e olhando.

Então, dando a hora do enterro, demos a ultima olhada nela e meus tios fecharam o caixão, levantaram e levaram até o carrinho, onde seria transportada até o túmulo (que estava meu tio e meu primo).

O dia também estava muito quente, e muitas das pessoas que estavam presentes no dia anterior, não estavam no enterro, mas prestaram suas homenagens por nós e pela minha avó.

Agora ela não sofrerá, está em paz e com Deus, estamos juntos torcendo para que esteja feliz (mas sabemos que está). Não tema, pois as lágrimas que caem de nossas faces, são de saudades, saudades de não tê-la por perto, de não segurar sua mão e não dar aquele beijo em seu rosto. Mas ficamos aliviados de não ter aquela dúvida de estar ou não sofrendo quando viva, quando não andava, não falava, nem comia (só por sonda), olhando somente para o teto, e isso deixava-mos tristes.

Após lerem este texto, em homenagem a mim, peço de coração que façam um minuto de silêncio, pelo falecimento de minha avó e de todos que amamos.

Muito obrigada.

2008-01-02 Sentimentais Mônica Emy Haguiwara Mônica Emy Haguiwara
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