VERBOS
VERBOS
Há sons amorfos de palavras estritamente urbanas.
Há poluição na saliva que não comungamos.
Há hipocrisia no bailado descrente de toda a rotina.
Há bombas de desamor, estourando miolos de nossa consciência.
Há abortos excessivos em cada luz nova que brilha.
Há berbos podres em todo “ se dar” .
Há sujeira cósmica em todo modismo medieval que computamos.
Há botões vomitantes de falsidade real.
Há sonhos eruditos em cada tentativa de “ ser e estar”.
Há estares, esteres,
Mal estares, estéril,
Estérico, esotérico.
Há palavras cuspidas em vagões prostitutos
De um trem que vivemos a transitar
E a tentar de suas janelas,
Lacradas de mentiras e visivelmente
Sangrando de novas idéias,
Pular no abismo da consciência
Que todos os homens nos cobram,
Dessecando o verbo acreditar.
Há homens vãos... mas ricos
Há dias tristes... mas conseqüentes.
Há guerras negadas... mas tão usadas.
Há fome religiosa... por demais inválida.
Há vidas...
Tão versos prontos
Mas tão neurotizadas por serem
Tão “de repente” .
FÁTIMA VENUTTI
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.
