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VERBOS

VERBOS

Há sons amorfos de palavras estritamente urbanas.

Há poluição na saliva que não comungamos.

Há hipocrisia no bailado descrente de toda a rotina.

Há bombas de desamor, estourando miolos de nossa consciência.

Há abortos excessivos em cada luz nova que brilha.

Há berbos podres em todo “ se dar” .

Há sujeira cósmica em todo modismo medieval que computamos.

Há botões vomitantes de falsidade real.

Há sonhos eruditos em cada tentativa de “ ser e estar”.

Há estares, esteres,

Mal estares, estéril,

Estérico, esotérico.

Há palavras cuspidas em vagões prostitutos

De um trem que vivemos a transitar

E a tentar de suas janelas,

Lacradas de mentiras e visivelmente

Sangrando de novas idéias,

Pular no abismo da consciência

Que todos os homens nos cobram,

Dessecando o verbo acreditar.

Há homens vãos... mas ricos

Há dias tristes... mas conseqüentes.

Há guerras negadas... mas tão usadas.

Há fome religiosa... por demais inválida.

Há vidas...

Tão versos prontos

Mas tão neurotizadas por serem

Tão “de repente” .

FÁTIMA VENUTTI

2006-11-22 Poemas e poesias Fátima Venutti Fátima Venutti
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