Uma receita para mudar o mundo
Se tu desejas mudar o mundo: escreva. Porém, escreva para mudar o mundo das pessoas.
Suas aversões não querem mudar as pessoas do mundo: elas querem mudar as pessoas da alma.
Sabes o que é a alma? Eu vos digo: - ela é o motorista do ser desvairado; um piloto que faz mil piruetas perigosas, e o seu motor é o coração.
Se tu és poeta, não há gramática mais sublime, do que aquela que não se importa com erros. Se não há erros em mudar as coisas; somente há verdades em mudá-las de lugar. Faça isso, não te arrependerás.
Sabes o que é a verdade? Eu vos digo agora: - a verdade, amigo, é uma coisa que a gente usa e depois joga fora. Não pretenda possuí-la demasiadamente. Ela é que nem a água que nos foge aos dedos; toque-a antes de tê-la percebido fugir.
Mas se tu não és poeta, é filósofo, evite, pois, contar verdades a alguém. Evita também querer lutar contra a contradição. E deixa de lado um pouco da vaidade, e caminha que nem o poeta sem gramática, sem estética, sem compromisso com a própria poesia. És antes um humano, não o sabes muita coisa; e procurar saber de alguma coisa, já, a muito, tempo não traz o resultado esperado. As verdades não devem ser contadas, pois para cada pessoa, ela tem hora certa de se revelar; apenas esperam o momento propício à germinação, ao brotamento, as condições favoráveis de temperatura e pressão. As contradições não se vencem, já que são circuitos fechados, ficamos que nem perdidos, numa floresta, a girar sem encontrar uma saída. Por último: a vaidade; ela é uma roupa muito pesada, e enquanto a gente se preocupa em não rasgá-la nos espinhos encontrados pelos caminhos, outros, já chegaram aos seus destinos, leves, são e salvos.
A vida só se valoriza bem, escrevendo.
A prova disso é que até os mortos já escrevem suas aventuras.
E por que não, nós, os vivos; não nos tornamos mais vivos (imortais), escrevendo?
Escrevendo eu faço guerra. É verdade. Mas eu posso fazer “amor escrevendo”. Não é mesmo?
Assim como o nosso coração é ferramenta de Deus a serviço do diabo; temos que saber usá-lo. Pois uma navalha pode ferir a pele se não bem utilizada.
Outra prova de que escrever é bom é que os nossos escritos podem ser lidos por outras pessoas. Não é maravilhoso? E se tu já estás a ler este meu escrito, já me fazes feliz.
Nada melhor do que fazer as outras pessoas menos tristes. Mas é preciso reservar um tempinho para também entrarmos nesta orgia de felicidades.
E nunca é tarde para mostrar aos outros, aquilo que agente pensa de melhor; nossos melhores pensamentos são os melhores presentes que damos à humanidade. E se no inferno, tão distante, não faltam boas intenções, garanto que aqui não é muito diferente de lá.
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