uma oração para são bento
texto extraido do livro os magos de santa ana-ruy crespo filho UMA ORAÇÃO PARA SÃO BENTO
Auxiliadora era uma mulher, com todas as suas angústias, e humilhações. Seu marido, Nino, dava–lhe tudo: jóias, vestidos, carruagens; mas existia um vazio, uma pobreza dentro de suas relações que de certa forma criava um clima de isolamento. A sua ligação amorosa com Auxiliadora era diferente das relações comuns homem-mulher evidentemente não desprovida de certo erotismo. Afinal ele era dono de bordel e sabia os mistérios e seus segredos Enquanto Auxiliadora vindo de uma origem simples desejava da vida coisas simples. Jovem e moderadamente sedutora, preocupava-se com a paixão avassaladora.. Nino um tirano domestico beirava a imbecilidade da violência. Tinha uma necessidade intrínseca de regulamentar tudo. Se conversasse com algum homem deveria se dirigir de cabeça baixa, nunca fita-lo nos olhos se por acaso percebesse essa audácia traiçoeira ele a repreendia com violência. Ela às vezes se perguntava a chorar no quarto. Porque a minha vida é vazia. Se eu pudesse voltar atraz e não te-lo encontradominha vida seria com certeza diferente. Morria de inveja ao ver os casais se beijando, se lambendo de tesão e amor na pracinha da igreja de Sant Ana.
---Ah! Se o diabo vir me procurar a minha vida por certo será diferente. Foi ai que decidiu ter um filho o primeiro filho foi um aborto. Por um tempo Auxiliadora ficou mentalmente perturbada. Pediu à parteira que colocasse o seu aborto em um frasco com álcool. Deu até um nome para o homúnculo; Ela mesmo o batizou: Apófis Reltih. Depois o guardou dentro de um pequeno santuário em seu quarto. Ali em seus momentos mais tristes se despia. Ajoelhava e rezava, no oratório diante do seu aborto, Apófis. Naquele momento Auxiliadora voltava à infância. Lembrava do seu pai. Um pequeno e esquelético homem. Era um rude camponês e dono de uma pocilga. Adorava os porcos. Tanto é que fazia da pequena Auxiliadora a sua ajudante. Ela fazia o que o pai mandava como uma grande serviçal; dava direitinho farelo e lavagem para os porcos. Depois dos bichinhos gordos ainda tinha que ajudar a matá-los, para vendê-los nas quintas. Quando recebia as moedas de ouro pelos porcos a levava para os bordeis. Lá o esquelético se embebedava ao lado das meretrizes. Tudo sobre os olhos de uma criança chamada Auxiliadora. Quando fez quinze anos pediu ao pai um vestido novo e um par de sapatos. O miserável esquelético lhe deu um punhal e boas chicoteadas e a mandou matar o porco mais gordo.. A sua mãe gritava;
--este homem nunca deu um litro de leite para esta infeliz. Sem dúvida este era o grito cruel que não saia de sua cabeça quando estava enfiando o punhal no coração dos porcos. Este homem nunca deu um litro de leite para essa criança. Mas a mal não dura para sempre. Um dia o pobre diabo esquelético, pois nunca engordara morreu na pocilga no meio dos porcos.
Ao invés de chorar ela cuspia e pisava junto com os porcos o corpo macabro do pai. Então jurava; O demônio há de me tirar dessa pocilga. Eram essas algumas das lembranças da sua infância. Ah! Pensava ela se o diabo me vir procurar... Anos depois se tornou esposa concubina ou cria-amante de luxo de Nino. Um dia ficou com medo de não mais engravidar. Resolveu conversar:
--Meu marido bem que poderíamos ter um filhote?
Nino foi radical e violento.
--- Puta meada, mulher! Já vem você falando como uma cadela no cio! Já na basta o filho que você não me deu? Não toque mais neste assunto comigo.
Auxilhiadora resolveu procurar o seu confessor padre Bento para lhe dar uma novena poderosa para ter um filho. Fez a promessa que seria pelo resto de sua vida devota e leal ao São Bento se algum dia viesse engravidar. Por fim ela deu a luz a menino que chamou de Nininho.. Em homenagem a Nino.
---. Mesmo com o filho Auxiliadora se sentia extremamente só já que este andava com Nino nos bordeis. Para não continuar assim resolveu se cercar de animais como patos, porcos e algumas franguinhas. Um dia passeando pela feira da igreja de Sant Ana viu e gostou de um cãozinho preto que logo se chegou para Nininho carinhosamente. Ah! Pensou Auxiliadora não vou continuar mais solitária. Levarei o cãozinho para casa. Será maravilhoso! Auxiliadora contou para o marido o quanto o cão tinha gostado do filho. Mas Nino olhou com desprezo o animal. Por muito tempo impôs uma espécie de jogo entre o animal e a sua galinha Cocotinha. Afinal de contas todo o cuidado é pouco com um cadelão perto de uma galinha.
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