TRANSFORMAÇÕES...
No tempo em que você deu de ver estrelas, assuntar o barulho do vento de agosto, descobrir a sensação do afeto, saber de que forma o amor era feito, tudo em seu viver passou a ser de um brilho intenso, de umas cores que não sabias existir, e de emoção em emoção tudo foi se revelando, se mostrando e oferecendo num paraíso que buscavas há tanto tempo.
No tempo em que você deu de perceber o que havia por trás dos muros de pedras da estrada, de se importar com o vôo dos pássaros de verão, de desejar descobrir de que tramas eram feitas as teias da paixão, de se prender no meio do dia à corrente do amor, tudo ficou mais sensível e apaixonante, e o mundo já não tinha cores escuras, nem a noite era assustadora, e você se transformou num ser de asas, de coração transparente, de mãos –invisíveis mãos- que tocavam outros corações.
No tempo em que você deu de sentir os aromas de maio, de se envolver com as fadas do jardim, de assobiar a canção que embalou sua infância –e tão bem fez ao existir- você já não era você, era um elo radiante que sabia a diferença entre ser e ter, entre doar e reter, entre dividir e transformar a vida num exemplo de bondade e ternura.
E desde então, nada tem mais importância que um pôr de sol, nada é mais terno que mãos de crianças, nada diz mais ao coração que uma oferta incondicional, nada pode ser mais bonito que olhar nos olhos do amor e ver refletido neles toda uma vida de buscas e, finalmente, encontros.
MAURO XAVIER BIAzi 06062008
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