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textos do livro os magos de santa ana

Autor- ruy crespo filho

TRAIDOS TAMBEM BEIJAM.

Portugal na santa inquisição-1585

Ariadne Rose Mary estava machucada e tonta de tanto apanhar do marido Nininho. Não enxergava direito devido aos hematomas na face. Ele possesso perguntou olhando para as vestes de Ariadne:

-O que escondes de tão sagrado dentro do teu manto negro?

Ele arranca bruscamente o manto e rasga as suas vestes deixando os seios dela amostra.

-Judia presunçosa! Desde quando só a verdade pode deixá-la nua?Por que esconde de mim este livro?

Ele olha o livro onde estava escrito:- Não acenderás duas velas... ´´

Como uma besta possessa começa a rasgar e atirar as pagina na cara de Ariadne e fala babando de raiva:

- Você é mesmo a prostituta! Tens prazer de fornicar com o próprio cristo!Até quando vai abraçá-lo na cruz?Eis o teu manto despudorado. Veste-o. Quanto ao teu livro enrolado em teu corpo vai para o fogo da lareira.

Ariadne corre tentando salvar seu livro. Mais é em vão. Ela indignada responde as calunias.

-Quando você vai acreditar nesta verdade tão crua: queimam-se livros e corpos, mas não queimam idéias, sentimentos e espíritos. Das minhas mãos você acaba de tentar roubar a minha inocência. Dorme com as meretrizes do bordel do seu pai em flagrante adultério enquanto sofro as delações tuas e do teu pai - o acusador. Traidor dos sonhos, traidor da esperança!Esqueceste os princípios da tua origem?Ou em verdade assimilastes a forma para vivê-los?Saiba homem que lhe dei varias chances para tomar um novo caminho. Infelizmente a tua escolha foi o punhal. E como é afiado de ingratidão!

-Cala-te bruxa do demônio!Ó que raça judia mais porca!É capaz de mentir em tom de verdade.

Corre para cima de Ariadne com seu chicote e desfere um golpe na sua face esquerda.

Da uma gargalhada e diz;

-- Se alguém perguntar como você se machucou, diga que caiu da escada. Ah! Diga também que foram os guardas que te bateram por engano. Aposto que todos vão acreditar. . Como eles acreditam na verdade!—Sai rindo e vai à mesa. Senta e toma mais vinho. Derrepente começa a chorar. Ficou mais calmo. Seu rosto aparentava ser humano.

-Ariadne eu te amo!

-Correu para ela e se ajoelhou aos seus pés chorando como uma criança e implorou:

-Eu juro que esqueço os boatos que você é babilônica Não vou te proibir de tocar violino e fazer desenhos com o tal Mago. Oh! Meu amor nesta casa todos te adora eu, meu pai, mama e até cadelão!

Ariadne corre para sair da casa Quando abriu a porta deu de cara com padre Bento o confessor da sua sogra Auxilhiadora.. -

-Calma mulher! Cristo está contigo.

Padre Bento a abraça carinhosamente e a beija na face dizendo:

--Creia não é a gerra que desejamos. Veja assim como tu não trago espada. Os soldados sim estão com lanças. Questão de rotina. Eu quero é a conciliação, o entendimento. A tua inocência será comprovada. O que falam é tudo boatos. Você é a flor mais pura da terra.

É está mulher senhores que não cometeu nem bruxaria nem adultério. Só os inocentes são beijados.

Nino o gordo empurrou os guardas e foi logo dizendo

--Ora vamos deixar de hem-hem hem!A lei é clara:- Quando os boatos se tornam uma opinião geral passa a ser fato verdadeiro e incontestável. Ela está amparada pela lei: todo inocente é culpado desde que se prove o contrario!É mentira isso minha gente?

O povo com tochas de fogo esperava impaciente para participar do espetáculo. Nino disse para os soldados:

-- Coloquem o sabenito de Santo André nesta bruxa e vamos levá-la para a masmorra.

O povo grita enlouquecido.

--Queima Jesus. Ta amarrada! Queima Jesus!

A VISÃO DE ROSALEM

Teatro do Espírito Santo, 19 horas, 6 de novembro.

No teatro sem dúvida não houvera outro igual. As profundidades soterradas da alma nunca tiveram um devassador mais audacioso e exímio como esse. Nunca o espírito se encontrara flagrantemente apreendido e fotografado. Nele, e com ele, dever-se-ia estudar a mais difícil de todas as ciências: A natureza humana.

É um prazer tê-lo conosco nesta peça. Finaliza o cartão de apresentação da estréia da peça Fausto de Goethe no teatro do Espírito Santo. Rosalem espera o Primeiro Ato..

20 horas.

O homem de terno preto, bengala e chapéu branco sentou-se na fila da frente. Roselem fingiu olhar distraída para ele. Seus olhares cruzam-se. Eles ocultam seus olhares como dois estranhos. Roselem pensou já tê-lo visto. Lembranças vagas perdidas. Fósseis da verdade enterrados nas profundezas de outras vidas.

A luz apagou. A cortina se abre.

FAUSTO:

Vivem-me duas almas, [ah no seio],

Querem trilhar em tudo opostas sendas.

(No entanto, Fausto não sabe como ele pode restabelecer a ponte com o mundo espiritual).

FAUSTO:

No impulso alado que me enleva

Corro a embeber-me no imortal farol.

À frente luz e atrás de mim, treva.

Aos pés o oceano e o empeceu sobre mim.

As asas da alma, ah tão ligeiras assim,

Não se haverão de aliar a uma asa corporal

Mas, a nós, toda uma inata Voz,

Para o alto e para frente guia.

Ora, o ser humano pode ser conduzido.

Para a sua meta mais elevada:

A força universal de Cristo está ligada a terra

Para possibilitar o caminho desse retorno.

FAUSTO:

Era no início o Verbo.

(Aqui ele está claramente consciente de que há uma saída do labirinto mortal de Ariadne, porém ainda não conseguiu o acesso a esse caminho que conduz à porta de saída. Ele continua a busca de maneira intensa, mas ainda não tem conhecimento suficiente para penetrar na essência do Evangelho de João. Por isso ele traduz o Evangelho de João de outra forma).

FAUSTO:

Escrito está; no início era o sentido.

É o sentido, então, que tudo gera e cria?

Deverá opor, no início era a energia.

Do espírito me vale a direção,

E escrevo em paz; era no inicio a ação.

Ora, foi sem dúvida a ação da alma natural que provocou a queda.

(Em sua luta para encontrar o ponto de ligação com o divino, Fausto é confrontado com a consciência terrestre: Mefistófeles. Este procura fazer com que Fausto afunde na sua existência dialética. Mefistófeles descreve-se para Fausto).

MEFISTÓFELES:

Sou parte da energia

Que sempre o mal pretende

E que o bem sempre cria.

(Como Fausto ainda não descobriu seus próprios limites, permanece intimamente ligado a esse guia. Então rejeita todos os valores que poderiam levá-lo à semente da alma divina. A esta negativa os espíritos dão a sua resposta).

ESPÍRITOS EM CORO:

Dê-lhe o peito acolhido

Novo curso de vida.

Inicia com claro

Senso e preparo

E com cantares

E exalta a lida

Os espíritos mostram para ele que o Antigo Templo deve ser destruído para ser construído um novo. Mas para isso ele deve encontrar o ponto profundo da sua rendição interior. Mas na sua teimosia humana ele tenta matar a voz do espírito interior e mergulhar nas profundezas do mundo dialético de Mefistófeles. Este sempre tenta satisfazer todos os desejos para calar, para sempre a voz, que chama o coração, para ganhar a sua alma. Fausto e Mefistófeles fazem o pacto que é selado com o próprio sangue. Passa então a ser guiado por sua consciência terrestre e pertencer a Mefistófeles. Acordos como esse, muitas vezes, são à base de muitas existências humanas. No entanto aquele que busca o caminho do retorno para encontrar o portal, que dá acesso ao princípio divino, certamente se desenvolve e encontra a sua libertação. Mefistófeles não pode atacar a alma divina, apenas a natural: a terrestre.

Aplausos! Aplausos! As pessoas levantam-se emocionadas. As cortinas se fecham para o ato final.

22 horas.

O homem de preto se vira e olha rapidamente para Roselem. Ela desvia o olhar dos olhos que a procura. Parecia que ia dizer algo para ela. O coração palpita. Mas o seu cérebro racionaliza. Ele se levanta, sai na sua frente e deixa cair um envelope com um livro. Roselem sai e chuta sem querer. Quando o vê abaixa para pegá-los. Tenta procurar o homem para devolver os objetos perdidos. Mas não o encontra. Ah!Por que os passos não obedecem, às ordens do coração?

22.30 horas.

Roselem chega inquieta em casa. Olha o resultado do exame medico. Dos 48 cromossomos que determinam a característica genética, 6 não batia com o código da espécie humana. Seria essa a causa de suas visões e mutações? Roselem sentia transformar-se e transportar-se por um fluxo de energia que se materializava em tempos e lugares diferentes. Queria encontrar uma resposta científica para as visões e as viagens no tempo.

23 horas

Tomou banho e deitou-se. Olhou o envelope tinha o numero do endereço 946 Rosalem abriu. Estava escrito:

...É inútil antecipar o tempo marcado. Não se podem colher os frutos antes de amadurecer. Cada coisa deve vir ao seu tempo. A sementeira lançada a terra, fora do tempo, não produz.

. Roselem fechou o livro. Estava cansada, mas não tinha sono. Rolava na cama. Em gestos bruscos, nervosos, levantou-se e esbarrou no criado mudo. Caiu do seu baralho a carta número 7 do oráculo da lua. Seria um aviso? Foi para a cozinha. Bebeu um copo de água e foi para varanda. Ficou pensativa... Sentia-se prisioneira... Uma angústia interior. Olhou para a sua marca de nascença: um X no punho com dois números na parte superior: 4 e 2. Qual era o significado daquela marca? Roselem voltou para o quarto. Abriu a gaveta, pegou seus três terços e colocou no pescoço. Procurou seus comprimidos para dormir. Sim, para dormir... Sonhar... Mudar e transportar-se...

Tomou 4, pegou o telefone, ligou varias vezes para o numero 1032 e 976 e 920.

12 horas

. O desespero tomou conta do seu ser. Levantou-se da cama e foi para a sala. Era o início da manifestação. Começou a chorar. Olhou sua estrela. Correu para o centro da mesa da rosa dos ventos. Pegou a Bíblia à procura da palavra. Abriu no Salmo 32. Estava escrito:

´Instruite-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir, guiar-te-ei com os meus olhos.

Rosalem não continuou a ler o que estava escrito. Erguendo-se de maneira rápida, imbecil e violenta jogou tudo que estava sobre a mesa do novo no chão. Não quis continuar. Parou na metade.

Queria fugir não sabia para onde. Voltar, talvez... Sentou-se no chão quadriculado da sala e chorou. A sua rosa branca estava secando. A rosa parecia ser o seu último bem. Roselem teimava em não abrir os olhos de sua alma. Seu corpo tornou-se um peso insuportável. Segurou com a mão esquerda a torneira da pia. Então, como se quisesse se livrar das algemas que a mantinham presa, cortou os seus pulsos. O sangue jorrava do corte colorindo com um vermelho triste, sombrio, o branco de uma rosa caída.. Caminhou até a sala, quase rastejando, mas, ainda, de pé. Estava deixando para trás rastros de seu sangue. Sua cabeça girava. Sua visão escurecia. Estava tonta. Abriu a porta da sala de jantar. Quando chegou finalmente, até a mesa, tropeçou e caiu com a face ensangüentada sobre a Bíblia aberta em Gênese.

1 hora da madrugada.

Era só silêncio. Uma voz de um anjo azul clamou na luz:

— Desperta, ó tu que dormes, levanta-te de entre os mortos, e ele te iluminará!

Roselem, Roselem! Acorda! Acorda!

Não temas! Vá em frente!

Era o anjo Rafhael com uma estrela de oito pontas e um olho em seu centro. Agarrados à roda duas criaturas com corpo de homem e cara de animal.

Ele levantou os braços para o céu e fez uma oração:

-Ó SANCTE IOHANNES! Ó SANCTE MICHAEL! LABII REATUN SOLVES POLUTI! DESPERTA! DESPERTA!

Ela foi abrindo os olhos vagarosamente. Levantou-se, o seu corpo estava leve. Olhou em torno. Era um lugar tranqüilo, iluminado por uma luz branco-azulada. O anjo Raphael disse:

— Até oito mil noites de lua cheia, madrugadas e pores-do-sol o lugar sagrado ficará na sua posição correta até que venha a estrela prometida.

Roselem abria e fechava os olhos. Aquilo só poderia ser um sonho.

— Vamos, Roselem, abra os olhos e veja! – disse apontando para uma mulher nua com asas de borboleta caída ao lado de uma rosa branca.

— Faz aquela ali entender que o que você viu e sentiu é verdade. Agora te junta a ele e não se abandonem mais.

Então o anjo pegou o violino tocou e cantou uma canção de amor para ela:

EU Quero estar no seu pensamento

Por um momento pensar que você pensa em mim

. Passou a mão sobre a face. Não sentiu as mãos úmidas de suas lágrimas. Olhou para o chão. Era branco, brilhoso e iluminado. Não tinha marcas de sangue. Ergueu os braços e os cortes dos pulsos tinham sumido. Estava livre. Roselem sorriu. Estava feliz. O anjo tocou o violino com a música mais vibrante. Roselem cantava com ele e dançava. O MAGO apareceu para ela com um buquê de rosas. Tirou uma, entregou para ela dizendo:

— Aqui está o seu presente.

-- Quem é você?

-Eu sou o ciclo do seu novo recomeço. EU SOU 111. EU SOU 888. EU SOU 33. EU SOU 1032 DO NOSSO TEMPO. Decifra-me no rolo do livro de mim!

Raphael olhou por dentro dos olhos dela e disse:

Veja a outra mulher ela se nega a compreender a palavra do uno. Assim ela não verá o que há por traz da palavra. É preciso entender as varias formas de se falar e de mostrar o que muitos não vêem no espaço e no tempo. Isto torna difícil porque altera todo o vocabulário humano racional. O que vem da essência não é racional. É impossível dançar a Valsa do Amor no compasso de dois tempos. Faça a tua outra entender o que você é agora! Desperta! O que você está vendo e vivendo não é uma visão. É realidade! Leve a sério o que acaba de ver, pois foi à maneira que encontrei de chegara a você.

2 horas da madrugada

Neste momento o telefone tocou. Roselem abriu os olhos. Acordou espantada. Estava na sua cama deitada nua. Atendeu ao telefone. A voz do outro lado disse: Você já terminou o livro do mago de Santa Ana?

Ela pensou em segredo e balbuciou:

-Ó meu eterno amor o que é o tempo para um dia já marcado? Venha novamente para mim e beija-me com os beijos da tua boca, porque melhor é o teu amor que o vinho?Só contido beberei no cálice que transborda.

08h52min, dia 4, Segunda-feira

Era um novo dia, um novo tempo. O relógio estava parado em 02h45min min. Pegou a jarra em cima do criado mudo e na cozinha colocou água. Foi até a sala. A Bíblia estava aberta no chão. Ficou parada ali, pensativa. Olhou novamente e viu uma rosa ao lado de uma pena de um pássaro, talvez.. Roselem ajoelhou. Fico em silêncio Depois, colocou delicadamente no jarro a rosa branca, pegou a pena do pássaro e deixou entre as páginas abertas da Bíblia.

00h09min horas

Na folhinha do seu quarto estava. Estava escrito:

Quando acreditamos, às vezes temos a oportunidade de mudar e reescrever a nossa história, por isso o coração não se vangloria pelo que começa e, sim, pelo que consegue terminar.

-Está escrito no livro de mim: Rosalem o nosso tempo é agora!

A GRUTA DA BEIRA DO LAGO

-Resistência francesa-1935

A missão estava sendo bem sucedida. Era hora de bater em retirada. Os ataques aos inimigos tinham que ser rápidos e causar estragos e baixas já que a resistência contava com poucos camaradas. Jeam se embrenha pela floresta. Corre para o caminho da gruta da Beira do Lago que tinha visto em uma das suas caminhadas de reconhecimento. O lugar ideal para se esconder dos adversários. Derrepente vários clarões e tiros de metralhadoras. As balas dos adversários o cercavam. As granadas caiam ao seu redor, porém nada tinha o poder de atingi-lo. Jeam sentiu que algo o protegia. Tentou gritar por socorro.. A palavra ficou presa à garganta A Gruta da Beira do Lago estava a poucos metros. Era a sua salvação. Novos clarões dos tiros das metralhadoras varreram com suas balas ao seu redor causando estragos nas folhagens. Era necessário um coração de aço para continuar. Uma força tomou conta dele. Lembrou do salmo que lia para o filho na hora de dormir;

O senhor é a minha salvação;

De quem terei medo?

Ainda que um exército

Se acampe contra mim não se atemorizará

O meu coração;

Ouve Senhor, a minha voz!

Não me escondas a tua face;

O grito? Sim o grito! Ainda estava preso a garganta. Até que a palavra se manifestou. .

--Meu Deus, salve-me!

Diante de Jean surge por de traz de uma arvore um vulto negro.

--Senhor, salve-me!

O soldado nazista respondeu com vários disparos. Jem cai atingido pelo adversário. Na sua mente ouve as palavras;

Tu és o meu auxílio,

Não me recuses

Nem me desampare

Ó Deus da minha salvação.

Acordou dentro de uma cova aberta. No entanto vivo!À noite chorou e adormeceu de dor. Veio o novo dia. Jean estava sem forças. Seus ferimentos precisavam ser tratados para não morrer naquele buraco na terra. Anoiteceu. Ouviu pisada firmes e compassadas com o seu coração. Emitia algo de suave, como se nem a morte que estava à ronda alteravam a determinação daqueles passos. Em sua cabeça nem de longe poderia suspeitar quem realmente se aproximava dele. Percebeu na estranha claridade a imagem de um homem com vestes simples de camponês. Abaixou até Jean olhando dentro dos seus olhos dizendo sorrindo:

-Depois de tanto tempo rapaz, finalmente me encontrou? Fique tranqüilo está oculto dos olhos dos adversários.

-De onde vem senhor?

-- Na verdade estou indo.

-- Podes ver todo o ataque?

- Sim! Foi terrível!Estava junto a ti no momento em que correu para A GRUTA DA BEIRA DO lago que uso também como moradia.

- Podes ver tudo mesmo?

- Sim tudo!

-E quando fui surpreendido pelo soldado que surgiu atraz da arvore e fez vários disparos sobre mim que por milagre atingiram somente a minhas pernas? Embora eu não acredite em milagres e sim que o maldito tinha mesmo uma péssima pontaria.

- Naquele instante estava um pouquinho a sua frente. Quanto à pontaria eu acho que sei por que ele não te acertou .Mas isso não importa agora. Venha comigo. Vou levá-lo a GRUTA DA BEIRA DO LAGO para tratar suas feridas. Lá darei o que você precisa.

Ele inclinou-se, retirou-o da cova e colocou-o nos braços e o levou como criança para o lago. Sua visão escureceu e desmaiou. Quando recobrou a consciência estava na gruta. O camponês lavava os ferimentos. Perguntou para Jean.

-- Acordou meu filho?

-- Que sono profundo. É bom estar desperto!

-Sente muitas dores em suas feridas?

-- Senhor sentia nos ferimentos dores insuportáveis, mais devo confessar com alegria e espanto, que não sinto dor alguma. Nem das que senti a vida inteira. Não posso explicá-lo, contudo a felicidade desse momento.

Cada vez que lavava os ferimentos parecia retirar não só a terra misturada com sangue mais libertava outras dores de sua vida. Por fim adormeceu. Quando acordou se levantou e saiu da gruta a procura do camponês para agradecê-lo. Olhou e o viu na beira do lago em silencio. Para seu espanto o camponês estava ferido. Das Suas mãos postas em oração escorriam gotas de sangue.

---Meu Deus, você também está ferido? E não é só um mais têm vários ferimentos pelo corpo.

--Sabe filho são feridas tão antigas que já não me maltratam. Na vida quem não as tem? .

- Os seus antepassados eram judeus fugitivos da inquisição espanhola. Depois foi também perseguida em Portugal e condenados a fogueira. Estou errado? Como ele poderia saber da história da sua família? Vou falar a língua deles em sua homenagem.

- Antes gostaria de saber quem é você?

O camponês então respondeu:

- Em aquel em que cualquiere ose vangloriarse, em locura, áfirmo que soy oriundo de abraan y tambien, refiiendome em locura estuve em muchos prisiones y muchos azotes y sufri em carne própria incensantes peligros de muerte; cinco vezes recibi de mi pueblo, de mi próprios hermanos 40 azotes menos uno, três vezes fui azotado y uma vez apedrejado. hermanos quien sucunbe que no lo sufra com yo que cargue su propria cruz, quien no sufra conésto que no me abrace! Dios y padre de Cristo y bendito el momento para jurar por mi madre maria, por , por el santo grall, por la espada, símbolo de la cruz e la rosa, ser un caminante mensajero de la paz, del amor.qQuien soy? Aquel que une los corazones en un solo.

Jean continuou assustado ao ver nos pés do camponês ferimento feitos por certo com crueldade.

Foi quando ele se levantou dizendo;

-Durma na GRUTA DA BEIA DO LAGO para recuperar as suas forças..

__Senhor, agradeço por salvar-me e curar minhas feridas.

--Bem, vou partir. Não vá se sentir abandonado. Olhe vou deixar contigo uma peça preciosa. Um dia voltarei para buscá-la.. Ela está enrolada em uma bata de linho branco lá na gruta.. Use-a no momento preciso e com sabedoria.

Estendeu as mãos feridas para se despedir. Ao pega-las Jean percebeu que o conhecia. Adormeceu. No outro dia ao acordar estava deitado debaixo de uma arvore. Levantou-se e foi à procura da GRUTA DA BEIRA DO LAGO e não encontrou nada somente o buraco vazio na terra onde ele caira quase morto..

-Marissa! Marissa! Corra até aqui!

Sara corre para abraçá-lo. O poeta incrédulo está salvo!

.

Para ser publicado TU ÉS A CRUZ QUE EU CARREGO

Portugal - final de 1585

O cão do demônio estava morto.

- Atrevido! Inconseqüente! Comer logo a minha galinha...

Pensou Nino falando sozinho. Entra calmamente em casa. Olha a sala como se estivesse procurando algo de importante.. Joga no chão o couro preto do animal. Pega uma garrafa de vinho. Enche o copo até a boca. Bebe tudo. Tira o lenço com a mão ensangüentada e enxuga a saliva. Corta com o punhal um pedaço de pão para comer e beber com vinho. Senta na cadeira de balanço pensando. Depois canta uma canção. Levanta rápido e decidido. Vai até o quarto de casal. Abre a porta. Vê Auxiliadora nua, branquinha, ajoelhada fazendo suas orações. Parecia até uma santa. Em cima do oratório a bíblia dizia:

Não servirás a dois senhores. Nino entra e senta na poltrona. Fica olhando Auxiliadora ajoelhada nua diante do seu santinho preferido. Era devota incondicional de são Bento. Ele levanta e vai até o espelho. Enxuga a saliva que estava escorrendo como nunca. Quando tira o lenço e olha para o espelho vê refletida a imagem de Ariadne nua. Mas era uma visão já perdida.. Ele olha novamente para o espelho e vê a cabeça de Auxiliadora cheia de cobras. Toma um susto! Aquilo não era o delírio do vinho. Era a sua realidade. Reclama consigo:

Oh! Este corpo que carrego é tão maldito quanto os meus olhos enganadores que só mostrou a minha alma decaída o que a paixão enganadora quis ver! Maldito olhos da paixão por que cegas à sabedoria?

Olha para Auxiliadora. Ela abaixa o rosto e beija os pés do são Bento. As cobras da sua cabeça sibilam enrolando no seu santo protetor.. Nino a olha desfigurada no espelho e diz:

-- As mascaras covardes dissimulam... Apenas dissimulam.... Porque um dia revelam a natureza verdadeira dos seus donos. Reza mulher! Reza mesmo...

Auxiliadora acende as duas velas do candelabro. Nino sorri sarcasticamente a olhando pelo espelho.

--Reza comigo mulher, a oração que o teu anjo ensinou.

Ó mãe

Cheia de graça

O espectro está agora convosco

Maldita sois vós

Entre todas as mulheres

Maldito é o fruto

Que pariste como meu.

Que não viu a luz

Bendito somos nós

Contra essa pecadora.

Que condenamos

Hoje e sempre na hora da morte...

Na hora da nossa morte... Nino exclama:

-Mas por que eu não pude dizer amem? Bem necessidade tinha de benção! Mas o amem ficou-me colado na garganta!

O oratório começa a fazer um barulho estranho. As duas pequenas portas se abrem violentamente. Auxiliadora fica de cócoras. Molha o pão no vinho do padre. Come. Limpa a boca e fala:

- Qual é a dúvida meu preto? Você não é o pai?

O frasco vibra provocando rachaduras o olhar diabólico do feto;

--- Como posso negar o que nunca abandonei?Mas isto não torna a mentira uma verdade. Sabe Auxiliadora em todo esse tempo não encontrastes seu verdadeiro lugar. Criaste uma pocilga para viver e morrer. Tiveste varias chances e não aproveitastes. Isto é mal.. Muito mal... E o mal está contigo. Vejamos se tua fé te salvará. Isto também pouco importa. Em qualquer dos casos haverá sempre um punhal. Joga o punhal ensangüentado com a carta em cima da cama para Auxiliadora ver.. Ela responde:

--Nobre senhor, vos ofende a vossa altiva coragem, pensando nas coisas com doentia imaginação. Ide, procurai água, apagai esse repugnante testemunho da vossa mão.

Nino olha as mãos sujas de sangue. Auxiliadora fala com raiva para ele;

--Por que tirastes os punhais do lugar de onde estavam? Levai-os e manchai de sangue os camaristas adormecidos. Este crime tem de parecer cometido por eles. Ariadne já esta condenada pelos romanistas?

. Nino reponde sério;

- Como as chagas do próximo são motivos de risos e ironia até na hora da morte quando pagam pelos pecados alheios.

Ela olha e fala ironicamente:

-- Ó homem simplório! A filosofia não cai bem a um general... Na verdade você sempre foi um coronel de merda! Estais perdendo a gerra.

Da um sorriso sarcástico, As cobras da sua cabeça sibilam alto..

-O teu jogo tirano acabou! Fizestes uma aliança comigo. Lembra?

--Pobre Auxiliadora, nunca me ajoelhei contigo diante do altar de Deus! -- A história mulher, é a mestra da morte. Há séculos que lhe manuseio as páginas. Cada dia que passa maiores são as supresas que ressaltam a minha alma. Você ficou jogando o tempo todo entre o templo e a prisão. Reza! Quem sabe você vai para o céu.

Auxiliadora continua ajoelhada de costas. Vira o rosto para ele com raiva e nojo. As cobras abrem as bocas sibilando mostrando seus dentes cheios de veneno. --. Sim, nojo! Quanto tempo agüentou o porco velho fedorento! Quanto tempo teve que se submeter às caricias repulsivas por uma migalha de pão. Sim, não tinha dado a ele um filho. Não cruzou o seu sangue com o dele. O seu filho era o seu aborto: Apophis Reltih!

-É Auxiliadora, você não me da escolha. Existem leis desde a queda dos anjos que devemos cumprir. Há milênios tentamos encontrar a origem da linhagem sanguínea sagrada. Está é a única razão pela qual sobrevivemos neste fardo temporário das nossas existências. Você quebrou uma de nossas leis. Não deixaste para este mundo o meu herdeiro. Não espere de mim nenhuma tolerância.

-Fracassastes!Terás que voltar só Deus sabe quando. Só se for à outra encarnação! Tomou o resto do vinho do padre. Passou o braço na boca limpando e disse:

.--Saia da minha casa!

--Como é que é?

Ela foi direta:

-Esta casa é uma pocilga!Um inferno com você! Devias morrer na fogueira! Saia da minha casa, diabo fedorento!

--Reza mulher!

Ela disse entre lágrimas:

--Tu és a cruz que eu carrego! Que cruz pesada! O frascovibra. As rachaduras se rompem. O liquido viscoso branco amarelado escorre. Auxiliadora da um grito de espanto e de dor! O vidro se quebra e o homúnculo cai no ventre de Auxiliadora. Se meche com vida. Vira a face procurando os olhos de Nino.

--Apophis Reltih eu te dou a minha vida! Veja Auxiliadora o fruto do nosso amor! ..

--- Prove! Prove!Disse Auxilhiadora com o feto no colo procurando seus seios.

Nino reponde com uma voz estranha e face mefistotélica.

--Você não entendeu nada?Você é a prova da minha mentira. Eu sou o pai da mentira que você carrega mulher infeliz. Au-xi-lhi-a-doressss você é judia!!

O candelabro com as duas velas cai. As cortinas começam a queimar. Auxiliadora grita;

--Vamos morrer queimados na fogueira!Coloca o feto na cama desesperada.

--Diabos não morrem no fogo do inferno! Reza... Quem sabe você vai para o céu. Deus é ateu e o diabo é cristão.

--Nino tira a sua espada e da um golpe rápido degolando-a. Sua cabeça cai nos pés de são Bento. Nino finaliza:

--Infeliz!Diabos não carregam nenhuma cruz!

E cai tomado pelo fogo do seu inferno.

RUA SANTA DAS BONECAS

Filhos de nobres italianos que vieram fugidos para Portugal onde se estabeleram após muito trabalho no ramo de hospedaria e da alimentação italiana. O casal teve dois filhos. Uma menina chamada carinhosamente pelo apelido de Pó-Pó e um menino falante com voz de uma dualidade inexplicável.. Ora falava grosso. Ora fino. A mãe o educara dentro dos padrões de uma nobreza falsa. Fredinho tinha aulas de balê clássico mostrando já pequenino uma queda para a arte da dança. Era capaz de saltos gazelisticos deslumbrantes!Por potro lado seu pai rigoroso misógino contratou um francês bem dotado de beleza e talento para ser seu professor de esgrima.Foi dentro desta dualidade que fredinho cresceu. Vale lembrar Sem nunca esquecer é claro a sua origem onde brincara e crescera: A Rua Santa das Bonecas.

Nelton, seu inseparável amigo era um rapazinho franzino, de pele enrugada, esquálido; encurvado. Falava manso. Sua voz era melosa e parecia estar com algo dentro da boca.Mais Nelton era um intelectual, pois teve o privilégio de estudar em Paris.Mais para a supresa do pai largou as leis para se dedicar a arte da alta costura. Seus vestidos verdadeiras obras de arte eram repletos de bordados cujo tema retratava a flora e a fauna do país. Tinha um atelier – “O Rei dos Bordados”. Sua mãe velha e viúva era quase incapaz. Dependia do filho que judiara quando criança. Vejamos a historinha de Neltinho; A mãe o pegou aos beijos abraços como uma fêmea faminta fazendo boquete no tio. A dona Margarida enlouqueceu. Aos gritos saiu pela pracinha a gritar rasgando o vestido e deixando os seios amostra dizendo para todos na rua:

-Ele mamou o leite dos meus seios! Seios de mulher. Agora mama a porra do caralho de um macho!Meu filho é um boqueteiro. (Corria pelas ruas a gritar com louca; foi um escândalo na aldeia de Sant Ana). Desse dia em diante ficou conhecida como dona Margarida “a cega”.

Com o tempo passou a ser enganada pelas dissimulações do seu filhinho. Falava para a velha num tom grave. Voz de macho! Quando saía a noite dizia:

-Mamã, vou para o bordel das meretrizes: “Eu, como homem... Gosto de mulher”.

(Cheirava a droga... do rapé e com o nariz escorrendo encontrava seu inseparável amigo Fredo ou Carlota a louca). Este, ao contrario de Nelton, falava alto, não escondia bem sua máscula feminilidade. Era comilão. Gostava de macarronadas o que acabou lhe dando uma aparência um tanto gorda. Vaidoso dava um jeitinho com ajuda de Newton para disfarçar a banhada da barriga e da mamas caídas amarando tudo em um corpete feito pelas mãos poderosas de Neltom.

Gostava de beber vinho com os rapazes da corte de férias na aldeia de Sant Ana. Fredo tinha uma boa conversa. No bordel se trajava com os melhores vestidos confeccionadas por Nelton. Uma noite os dois estavam na casa da dona Margarida “a cega” se preparando para sair quando Nelton segredou para Fredo´´

-Eu o-de-i-oooo mamã! Quanto esta mulher já me surrou! Cega maldita! Eu te o-de-i-ooo!

Fredo, desde o dia que ela me pegou com o meu primeiro bofe venho tendo pesadelos. Acredita amiga, que eu me vejo de quatro em um banco sendo penetrada com uma pêra anal de aço quente!Ai que coisa mais horrorosa!Diante de mim uma mulher de negro dançando com uma cabeça na mão e bebendo sangue em uma taça transbordante de imundície, com olhos tão vermelhos como o sangue. Ai parece à nojenta da minha mãe mascarada de carrasco.. Acordo toda mijada! Por que uma bicha tem esses pesadelos? Você tem essas coisas perturbadoras também?

Carlota bate com seu leque na mesa vira de lado e peida bate o leque novamente e se abana para disfarçar o cheiro e fala nervosa:

—Amiga, Tenho pesadelos com cobras pretas e brancas.. Um dia desses sonhei que estava sendo picada por uma cobra de duas cabeças. Coisa pa-vooo-ro-sa! Tinha duas presas enormes. Com um rabo fino parecendo uma espada. E não é que uma das cabeças das cobras era a minha!.Da pra acreditar amiga?

Nelton levantou-se agoniado e gritou:

— Eu o-deiiioooo mamaaaa! Estou ficando ner-vooo-as! Preciso cheirar a droga... Do rapé..

— Calma amiga. A velha está prestes a partir desta vida. Vamos fazer hora com a cara dessa nojenta. Cheiravam a droga... Do rapé e foram fungando para a sala. A velha cega ficava na cadeira de balanço a tricotar. Era o seu passatempo. Nelton fala com a mãe em tom grave de macho:

— Mama, arranjei uma namoradinha. Ela quer conhecera senhora. Venha Carlotinha não fique com vergonha. Mama essa é a minha namora Carlota..

-Prazer minha filha. Chegue mais perto para que eu possa tocá-la. Oh, que vestido lindo! Foi meu Neltinho que fez?Que orgulho? Chegue mais perto. Oh, que face mais sedosa... Mãos grandes... Uma donzela!

-Obrigada, dona Margarida.Devo confessar um desejo que eu tenho: Quero a senhora como minha sogra!A vovozinha querida! Nelton inclusive até falou com papa e mamã que o ano que vem vamos ficar noivos e depois casar... Neltinho me disse que a senhora adora criançinhas...

— Oh, Nelton, como isso mais feliz! Você é como homem!... Gosta de mulher!

—Sim, mamã...

—Mamã “Eu, como homem...Gosto de mulher...”

Falava grosso, com vontade: “Eu como homem...”, mas foi interrompido por Carlota.

-Bem, vamos dançar um pouquinho o viro viro no bordel.. .

(E saiam os dois, ou melhor, as duas senhoritas para o bordel de Nino, O Gordo).

UMA ORAÇÃO PARA SÃO BENTO

Auxiliadora era uma mulher, com todas as suas angústias, e humilhações. Seu marido, Nino, dava–lhe tudo: jóias, vestidos, carruagens; mas existia um vazio, uma pobreza dentro de suas relações que de certa forma criava um clima de isolamento. A sua ligação amorosa com Auxiliadora era diferente das relações comuns homem-mulher evidentemente não desprovida de certo erotismo. Afinal ele era dono de bordel e sabia os mistérios e seus segredos Enquanto Auxiliadora vindo de uma origem simples desejava da vida coisas simples. Jovem e moderadamente sedutora, preocupava-se com a paixão avassaladora.. Nino um tirano domestico beirava a imbecilidade da violência. Tinha uma necessidade intrínseca de regulamentar tudo. Se conversasse com algum homem deveria se dirigir de cabeça baixa, nunca fita-lo nos olhos se por acaso percebesse essa audácia traiçoeira ele a repreendia com violência. Ela às vezes se perguntava a chorar no quarto. Porque a minha vida é vazia. Se eu pudesse voltar atraz e não te-lo encontradominha vida seria com certeza diferente. Morria de inveja ao ver os casais se beijando, se lambendo de tesão e amor na pracinha da igreja de Sant Ana.

---Ah! Se o diabo vir me procurar a minha vida por certo será diferente. Foi ai que decidiu ter um filho o primeiro filho foi um aborto. Por um tempo Auxiliadora ficou mentalmente perturbada. Pediu à parteira que colocasse o seu aborto em um frasco com álcool. Deu até um nome para o homúnculo; Ela mesmo o batizou: Apófis Reltih. Depois o guardou dentro de um pequeno santuário em seu quarto. Ali em seus momentos mais tristes se despia. Ajoelhava e rezava, no oratório diante do seu aborto, Apófis. Naquele momento Auxiliadora voltava à infância. Lembrava do seu pai. Um pequeno e esquelético homem. Era um rude camponês e dono de uma pocilga. Adorava os porcos. Tanto é que fazia da pequena Auxiliadora a sua ajudante. Ela fazia o que o pai mandava como uma grande serviçal; dava direitinho farelo e lavagem para os porcos. Depois dos bichinhos gordos ainda tinha que ajudar a matá-los, para vendê-los nas quintas. Quando recebia as moedas de ouro pelos porcos a levava para os bordeis. Lá o esquelético se embebedava ao lado das meretrizes. Tudo sobre os olhos de uma criança chamada Auxiliadora. Quando fez quinze anos pediu ao pai um vestido novo e um par de sapatos. O miserável esquelético lhe deu um punhal e boas chicoteadas e a mandou matar o porco mais gordo.. A sua mãe gritava;

--este homem nunca deu um litro de leite para esta infeliz. Sem dúvida este era o grito cruel que não saia de sua cabeça quando estava enfiando o punhal no coração dos porcos. Este homem nunca deu um litro de leite para essa criança. Mas a mal não dura para sempre. Um dia o pobre diabo esquelético, pois nunca engordara morreu na pocilga no meio dos porcos.

Ao invés de chorar ela cuspia e pisava junto com os porcos o corpo macabro do pai. Então jurava; O demônio há de me tirar dessa pocilga. Eram essas algumas das lembranças da sua infância. Ah! Pensava ela se o diabo me vir procurar... Anos depois se tornou esposa concubina ou cria-amante de luxo de Nino. Um dia ficou com medo de não mais engravidar. Resolveu conversar:

--Meu marido bem que poderíamos ter um filhote?

Nino foi radical e violento.

--- Puta meada, mulher! Já vem você falando como uma cadela no cio! Já na basta o filho que você não me deu? Não toque mais neste assunto comigo.

Auxilhiadora resolveu procurar o seu confessor padre Bento para lhe dar uma novena poderosa para ter um filho. Fez a promessa que seria pelo resto de sua vida devota e leal ao São Bento se algum dia viesse engravidar. Por fim ela deu a luz a menino que chamou de Nininho.. Em homenagem a Nino.

---. Mesmo com o filho Auxiliadora se sentia extremamente só já que este andava com Nino nos bordeis. Para não continuar assim resolveu se cercar de animais como patos, porcos e algumas franguinhas. Um dia passeando pela feira da igreja de Sant Ana viu e gostou de um cãozinho preto que logo se chegou para Nininho carinhosamente. Ah! Pensou Auxiliadora não vou continuar mais solitária. Levarei o cãozinho para casa. Será maravilhoso! Auxiliadora contou para o marido o quanto o cão tinha gostado do filho. Mas Nino olhou com desprezo o animal. Por muito tempo impôs uma espécie de jogo entre o animal e a sua galinha Cocotinha. Afinal de contas todo o cuidado é pouco com um cadelão perto de uma galinha.

O Disco Solar

Em um lugar onde o tempo parou.

Ele se levanta, e vai para o lago a beira da gruta se lavar. Sentia a presença da luz da manhã. Sai e caminha para varandão. O jardim, cheio de flores e árvores . Uma acácia colorida misturava-se com o verde da grama. As rosas, vermelhas e brancas, serviam de parada para os beija-flores sugarem o seu néctar. Ele gostava de ver o nascer do novo dia ali daquele paraíso. Senta-se confortavelmente. O céu estava de um lindo azul claro. Na parte superior da linha do horizonte podia-se ver nuvens acinzentadas formando uma aparente cortina para se abrir na hora certa trazendo de volta o grande astro, a estrela que ilumina nossos dias. Ele espera olhando... Integrando-se em comunhão com os movimentos da natureza. Gostava de ouvir o cantar dos pássaros. Os bem-te-vis aos bandos voando e pousando nas mangueiras, nas amendoeiras floridas ao lado do varandão. O galo batendo forte a sua asa no peito para que outros, ao longe, com o eco respondesse o seu anúncio da chegada da luz. A cortina acinzentada, cobria parte da linha do horizonte. Modifica-se se tornando vermelho alaranjado com fios dourados. Depois vai ficando de um amarelo claro, vivo iluminando o céu de um azul clarinho. A cortina se abre lentamente e começa a surgir metade da esfera do grande astro. Era o despertar. As nuvens que estavam perto da linha do horizonte invadem em vários tons colorindo o céu.

Rafael chega silencioso. Senta-se ao lado dele.

— Bom-dia, mestre. Que lindo amanhecer...

— Hoje é um bom dia para se realizar o melhor escutando o que ele tem a nos dizer.

— No lago da beira da gruta um cisne branco com seus filhotes deslizava suavemente. O disco solar continuava a se levantar. Podia-se ver a metade de seu círculo espalhando sua luz. Os dois se levantam como a saudar a estrela da manhã. A luz torna-se intensa, difusa. Os dois fecham os olhos. Os seus corpos são iluminados. O sol nasce. p

— Façamos silêncio, Rafael. Quando as palavras falam menos que o silêncio é melhor guardar silêncio. Desta maneira, podemos penetrar no que estamos escutando. É preciso escutar não só o que diz o nosso irmão. Mas tudo. Para isso é importante o silêncio. Escutai, Rafael, os barulhos do mundo..

Escutai os clamores do coração humano batendo, falando das alegrias e tristezas.

Escutai a desordem.

Escutai os corações, prisioneiros, clamando pela luz.

Escutai as nossas aflições...

Escutai as vossas agonias.

Todos as têm, assim Rafael poderá dar o abraço que compreende..

Que cura que liberta e que salva...

O silêncio invade a natureza. O cantar alegre do bem-te-vi solitário voa e pousa nas mãos do Mago. Outros respondem:

— Bem–te-vi, bem-te-vi. Os dois se olham. O pássaro levanta vôo misturando-se com o bando.

Os dois sentem a brisa acariciar suavemente as sua faces. Ele fala para Rafael:

— Vá até o meu quarto e traga o quadro que guardei quando estive da ultima vez no solar..

— Vou buscá-lo. (Ele retorna cabisbaixo.)

— Mestre, não tenho boas novas para dar.

— O que aconteceu Rafael?

— O anjo ferido partiu da gruta da beira do lago e levou com ele a espada.

Olha para o Mago. Duas lágrimas escorrem de seus olhos.

— Mestre ele partiu sozinho....

— Não, Rafael, ao partir levou um pedaço do meu coração. Esta no caminho de volta procurando o segredo da NAVE DE ARIADNE.

— Rafael coloca o quadro, envolvido pelo manto negro, em cima da mesa.

— Pronto mestre!

— Ele desdobra o manto.

— Mestre, é o quadro da´´ mulher da estrela do renascimento e do anjo azul´´. O senhor pintou quatro vezes e ele se desmanchou... Os desenhos estão aqui um pouco amarelados.

O mago disse:

— Não se pode pintar um belo quadro numa tela podre, nem plantar uma boa semente numa terra infértil.

—Isso significa que chegou a hora de pintá-lo? .

— Sim. Só que desta vez vou pintá-lo numa tela nova e plantar na boa terra.

— Veja mestre, as pétalas da rosa. Suas pétalas se soltaram. Estão desbotadas pelo tempo.

— Isso mostra que existe um tempo para tudo.

O Mago pega sobre o manto as pétalas da rosa, levanta os braços. Faz um movimento como se estivesse semeando. Eles as lançam. Elas vão caindo lentamente até beijar a terra. Outras são levadas pelo vento.

— Pois agora (Disse ele.).

“A semente que lanço na terra”.

Que na terra se transforme em vida

A vida ressurge dentro da própria vida

Para que no centro da luz o botão

Se transforme “em flor”.

Uma rosa branca aparece em sua mão. Ele a beija e coloca, em cima do manto negro com as suas doze pedras. Uma borboleta pousa em cima da rosa.

— O círculo está se formando. Esta luz nos convida a vencer a escuridão no nosso interior, a desenvolver nossa essência ensolarada, para libertar a mulher da estrela do renascimento. Falemos os doze nomes da luz que é o nosso sol com os mantras para iluminá-la e protegê-la. O Mago diz:

A lua e o sol vão se reencontrarem

OS Magos de Sant Ana

Histórico

Surgiu no Egito depois da morte de Cristo e da fuga de José de Arimatéia com Maria Madalena. Espalhou-se na Alexandria e no sul da França nos séculos X, XI, XII em diante. Seus membros eram chamados de calderones. Todos os calderones eram tratados de forma igualitária. Não eram admitidos preconceitos de natureza religiosa, ideológica, nem racial.

Muitos de seus membros ficaram famosos como filósofos, astrônomos, matemáticos, músicos e pintores dentre eles o jovem Felipe que pintou alguns quadros da viúva de um dos mestres da Irmandade de Sant Ana por volta de 1483, em Florença..

Essa irmandade fazia questão de não se manter longe dos focos das agitações políticas. Deu amplo apoio aos judeus perseguidos pelos inquisidores. A igreja e o poder absoluto a consideravam o braço direito dos bruxos. Neste caso a igreja e os seus cegos seguidores a definiam como um movimento herege e diabólico contra Deus e os reis católicos. Historicamente, muitos foram os seus mártires. Com a instalação da inquisição, a irmandade passou a ser conhecida no século XII como a Irmandade dos Magos de Sant Ana. Tendo como símbolos: A rosa dos ventos, o pentagrama, o X e a espada com as duas rosas e os mistérios da linhagem sagrada de cristo.

O ACUSADOR

O tempo fez deste coronel dos bordeis do mundo um rábula dos tribunais da inquisição. Sob as ovações de um público louco por prazer dos espetáculos o abraçava e no final explodia como ondas de orgasmos que se manifestavam por gritos e silêncios quando os corpos dos condenados desapareciam nas chamas dos queimadoros. Ele aprendeu a exercitar a sua oratória estudando atentamente cada passo da sexualidade dos machos e das fêmeas. O grito da fêmea insatisfeita e da fêmea explodindo em toda a sua apoteose. Era a música e a dança da conquista do mundo humano animal. Ele pensava consigo;

-. O povo é a minha fêmea. E como tal deve ser compreendida, despertada, excitada para ser conduzida e saboreada numa copula das mais indecentes. Assim como nos bordeis deve ser na oratória para a fêmea instintiva; no inicio um olhar, o silêncio, o calor, o suor, a respiração ofegante, os gritos, por fim o orgasmo, a liberação cheia de tremores e sobressaltos. Foi com a mistura desse erotismo camuflado e da sua racionalidade calculista e histórica que Nino O Gordo, proferia suas acusações com sua voz forte, rouca, mas embriagada de uma sonoridade capaz de controlar as emoções de quem o ouvia. Ele se tornou o melhor orador dos bordeis. Mais nos tribunais da inquisição exercitava melhor o seu dom. Seu talento de domínio da alma humana era inegável. Sabia tenta-la, pois compreendia suas fraquezas, suas dualidades, seus enganos... Para os miseráveis judeus e os hereges ele mais do que os inquisidores sabia reivindicar a alma de todos os que não eram obediente à santa madre igreja.Os judeus ? Estes sim deveriam ser estirpados da humanidade! Antes que houvesse a contaminação da raça mais pura da terra.. Este cafetão das putas tinha inegavelmente um profundo conhecimento de todos os domínios da vida política e da história dos séculos. A capacidade de daí tirar ensinamentos, o que lhe conferia inegavelmente o poder de pronunciar discursos comoventes, eletrizantes com aclamações das multidões. Para salvar a alma pecadora ele não temia os exageros em dizer; se a desgraça o exigir, não temerá derramar sangue. As grandes questões humanas vêm sempre acompanhadas de sangue e de armas... Eu não sou essa arrivista chamada Ariadne. Eu sou o fio condutor para a saída dos labirintos...

A verdadeira morte sem redenção da raça judia pecadora

. A humanidade, um dia há de se ajoelhar nas minhas botas diante do seu caos. É só esperar para ver.

REIS MORTOS NÃO PODEM VOLTAR

Na masmorra da inquisição

Ariadne estava fraca. Sentia chegar pela pequena janela gradeada de sua prisão os primeiros raios de sol que vinham da parte central da abóbada. Tentou levantar, mas as correntes estavam presas aos anéis de ferro em seu calcanhar e aos punhos. Eles sangravam. Tentou se acalmar. Ficou em silêncio. Procurou lembrar imagens do passado. Lembrou das florestas da sua terra natal. Das oliveiras, das flores das amendoeiras. Foi se acalmando.. Na sua mente surgiram palavras em forma de oração.... Todos os que me vêem zombam de mim. Afrouxam os lábios e meneiam a cabeça. Confiou no seu senhor?

A luz entrou mais forte pela pequena janela iluminando, o seu corpo. A oração falava internamente.

´´Contudo, tu és que me preservaste, estando eu ainda no seio da minha mãe.

A ti me entreguei desde o meu nascimento. Desde o ventre da minha mãe.

Tu és o meu Deus. Não te distancies de mim, porque a tribulação esta próxima, e não há quem me acuda.

As lagrimas escorreram dos seus olhos

...Como cães me cercam. Uma súcia de malfeitores me rodeia.

Traspassaram as minhas mãos e os pés.

Repartem entre si as minhas vestes e sobre o meu manto negro deitam sortes.

Senhor não te afaste de mim!

Força minha, apressa - te a me socorrer.

Oh!Meu único amor.

Vem, mostra a tua presença, a tua face.

O silêncio é quebrado com o barulho da chave abrindo a pesada porta. Entra o inquisidor para começar o trabalho investigatório de Ariadne Rose de Mary. O inquisidor a olha com arrogância. Diz para que os seus funcionários:

-Afastem-se! Quero falar com essa mulher.!

Majestade esqueceu a tua bela coroa no reino de teu pai? Ou deixou no colo do teu amor nos pés da cruz?.

Falou sarcasticamente o inquisidor.

-- Esse é o termo adequado para uma virgem ou a mulher perdida de um Rei?Será que devo chamá-la de bruxa, adúltera, ou cadela prostituta de Cristo?Quem neste mundo acreditaria que ele teve mulher?Ó PAI perdoa a gentalha não entende nada! Mas façamos de conta que sou teu anjo protetor e vim para lembrá-la que:

´´quando os reis adormecem podem se acorrentados pelos inimigos.Nos degraus do trono, acordam tragicamente traídos e fatalmente crucificados, degolados ou queimados.Que audácia a tua de voltar para nós em um momento tão impropicio para nós os romanistas! Por acaso, queres por abaixo as pedras dos alicerces que levaram séculos para serem construídos as catedrais da fé?Agora essa gerra novamente, pondo em risco o nosso poder e riqueza. Nós os filhos de Deus somos caçadores de gente como você. Feras indomáveis!

Vossa. Majestade e a mais magnânima de todas as monarcas!Por que persistir em erros de origens tão fundamentais? Pelo sim pelo não, que se mantenha a dúvida para essa gentalha infeliz. Na ausência do rei condena-se a rainha. Não e assim? O seu acusador e implacável. Prometeu até uma boa parte das sua riqueza para condená-la em nome da fé. Uma boa parte de suas riquezas para o engrandecimento da nossa fé. Entenda a minha situação. Reis mortos não podem voltar para a vida nem para o trono. Ariadne levantou os olhos e disse:

-´´as vossas riquezas e valores estão podres e corruptas, o vosso ouro que acumulastes há de ser por testemunho contra vos mesmo e há de devorar, com o próprio fogo, as vossas carnes. Tendem todos engordado vossos corações, apenas na falsidade e na matança de inocentes. Tendes condenado o justo, sem que vos faca resistência e o dia do justo chegara para vocês. Nesta masmorra tenho pensado na vida e na morte. A vida é uma coisa certa e natural quando fundamentada a seguir o caminho que lhe é própria. Os senhores que se intitulam soberanos da verdade absoluta fazem da morte não uma coisa abstrata. Ela tem forma, tem corpo, tem seus representantes,tem nomes. Os senhores são os carrascos da vida!

-Pobre majestade maltrapilha pela pobreza de discernimento e de escolha. Não sei se terás tempo para o arrependimento quando o teu fim chegar. Majestade onde esta a roupa da mulher vestida como sol e com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça? Vamos beba desta taca!.

-Desta taca eu já bebi. O que me custa toma-la novamente-Prepara-te! O teu sonho de voltar será teu ultimo pesadelo imbecil!

Carrascos vou começar os exames. Solte-a de suas correntes e tragam-na para a mesa. Tirem à roupa da acusada. Ariadne resiste, mas logo toma uma porrada debaixo do queixo e cai sobre o livro do inquisidor – malleus maleficarum. Estava escrito:

Elas trazem sempre a marca da sua aliança e esta e na maioria das vezes é indolor. E ainda: As bruxas nunca admitem a verdade, dizem que são inocentes e que todo tipo de acusação sobre elas é mentira.

-Levante essa mulher.

Disse o inquisidor, para o carrasco. Ariadne foi suspensa e arrastada até a mesa de mármore para ser examinada. Seus pés e mãos sangravam.

--Ajudante escrivão, comece a fazer as anotações iniciais do processo de Ariadne Rose di Mary. Vejam em seu ombro a marca em forma de um pentágono. A estrela de cinco pontas no ombro esquerdo.

O inquisidor passou o estilete na marca e perguntou:

.-Sente alguma dor nestes pontos?

Ariadne balbuciou estava fraca e tonta.

-- não, não sinto nada..

-- Marca de um x abaixo do umbigo. Duas marcas nos joelhos e também duas marcas nos peitos dos pés. E continuou examinando. Acrescente escrivão:

--Duas marcas laterais direito e esquerdo nos quadris. Duas abaixo dos mamilos e uma abaixo do lábio inferior. Passou o estilete em todos esses pontos e perguntou:

-Sente alguma dor?O teu silencio não te livrará da verdade.

.

O inquisidor perguntou:

--- o que significam essas marcas? No seu braço esquerdo no punho tem os números cruzados em x, oito e quatro, cinco e dois.

--. Esses números simbolizam o envolvimento, as alianças eternas dos magos. No processo serão provas irrefutáveis contra acusada. Esta mulher foi selada! Levem-na para o tanque de imersão. Estava se sentindo fraca. Seu corpo suava. Implorou por um pouco de água. O carrasco foi à mesa onde estavam os seus instrumentais de tortura e trouxe um copo. Ariadne bebeu de um gole. Sentiu o gosto amargo de vinagre e sal. Seu estomago revirou. Vomitou. O inquisidor perguntou:

.—Você quer água mulher?Vou saciar tua sede. Fez um sinal para o carrasco que a levantou por uma corda na roldana e abaixou bruscamente seu corpo de cabeça para baixo no tanque de imersão. Ficou sem respirar. Engoliu água. Foi suspensa novamente.

-Quem são seus cúmplices?

Estava completamente tonta Já não enxergava direito. Vomitou. O inquisidor;

—Onde está o mago e o livro? Ela ficou em silêncio.

-Senhor posso continuar um pouquinho mais com a tortura? Perguntou o carrasco.

-- Cale-se, carrasco!Traga-me um cálice do meu vinho Arbitriun. Estou morrendo de sede.

Mulher colabore para eu possa provar com misericórdia e justiça que você não é a verdade do que falam de você.

A CASTIDADE DAS PAIXÕES

Portugal—período da inquisição

Ele se levanta ao ver entra seu objeto de cobiça e luxuria. . Estava impecavelmente vestida de vermelho. Com um véu branco a tapar os longos cabelos louros, rédeas de uma potranca! E os seios? Meu Deus!Ele levanta os olhos para o céu e murmura:

:- Que seios! Sentado em sua cadeira majestosa tomou um gole do seu vinho Arbitriun e acabou sentindo um fogo estranho a subir pelas pernas..Era uma emoção incontrolável o que sentia pela jovem Consuelo. O vinho subiu rapidamente a cabeça. Imaginou Consuelo com aqueles olhos verdes a chamá-lo como uma deusa. Sim como uma deusa. Por que não?Os deuses também amam! Sentiu um formigamento nos pés o convidando para fugir do tribunal e se atirar com ela em seu leito sagrado de celibatário... Mil vezes pela madrugada afora diria baixinho no ouvido dela:

—Minha deusa Consuelo... Gos-tooo-sonaaaa!... Que bunda tens!

.Em resposta ouviria seus gemidos. Gritinhos de orgasmo abafados no travesseiro. Porra!Dizia o santo inquisidor:

-Que Deus me perdoe. A carne é fraca, mas essa mulher é gostosa demais!Nem a mais bela madona de da Vinci possui tetas como as dela.. Continuava a viagem. A via dançando para ele como uma serpente nadis executando manobras elevando a kundalini para despertar a sua serpente nadis.. Via o balançar frenético de suas tetas a poucos centímetros da sua face.. Tentação! Os seios bicos saltavam duros para serem beijados... Primeiro delicadamente. Depois no auge do tesão mordidos carinhosamente para se mamar o leite dos deuses. Ela como uma felina morderia seu pescoço marcando-o como seu animal de prazer. Daria tudo para ela. Bastava pedir. Não! Teria que ter sensibilidade para realizar os seus desejos um por um provando a sua paixão o seu tesão. Lá estava o santo inquisidor viajando em seus sonhos completamente desligado, corrompendo a castidade. Quem poderia imaginar que por dentro daquela batina poderia existir o que eles condenam como pecado capital. Mas a sua face era implacável! Mascara do mais puro cristianismo. Por traz escondia os segredos da paixão. Ela era o furacão a varrer todos os seus princípios romanisticos. Retornou a si.Ajeitou-se com postura na cadeira. Consuelo retira o véu branco. Ao chegar a porta da saída, para e se vira, e olha nos olhos do santo inquisidor como se tivessem juntos vivido em segredo os mesmo desejos, os mesmos sonhos... Sim os dois pareciam compartilhar do mesmo pecado da castidade das paixões..

2008-07-30 Outros textos RUY CRESPO FILHO RUY CRESPO FILHO
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