Tentações
Tentações
O galo havia cantado pela terceira vez. Ele se sentiu como aquele histórico negador bíblico. Certamente, por carregar um fardo muito pesado: a educação que sua mãe lhe dera. Essa traição era maior que qualquer outra. Em poucos segundos, viu-se xingando o galo, o qual não sabia de onde viera, nem lhe passava pela cabeça o que um animal típico de fazenda ou sítio fazia em uma metrópole.
Continuou sua corrida sem saber para onde ia. Mas o canto do galo ainda estava em seus ouvidos, mas o animal há mais de dois quilômetros. A fuga, no entanto, não era dos outros que, certamente, o estariam perseguindo, mas do som que o angustiava cada vez mais que relembrava as falas de sua mãe. Agora, juntava-se ao canto do galo, a voz e a imagem dela, transmitindo os ensinamentos tão primorosos.
Que diriam seus amigos ao ver seu nome ligado a algo tão horripilante. Seria evidente que toda a mídia sensacionalista iria estampar sua foto nas primeiras páginas de todos os jornais. Seus parentes nega-lo-iam como negou o aprendido por Dona Cibele, a mãe. Muita gente faz pior e fica por isso mesmo, não seriam grilos de sua cabeça?
Por fim, encontrou um terreno abandonado, que seria o ideal para ver-se livre do flagrante (mesmo não conseguindo desvincular-se do sentimento de culpa que carregaria por toda a sua vida), já que nem teve a frieza de usar luvas, e iriam identificar quem abrira a porta da loja para furtar aquele tentador bolo floresta negra.
José Augusto G. de Almeida em: htt://amoraspalavras.zip.net
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