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Teatro das almas

Tocar o céu, esse é o meu sonho. Passar a mão entre as nuvens. Sentir a fina brisa tocando o seu rosto. O nosso corpo flutua aqui em cima sabia? Daqui posso ver todo mundo. Eu posso escolher onde vou descer.

Estou tão no alto, que não consigo abraçar ninguém. E quem disse que eu quero fazer isso? Aqui esta tudo tão embaçado. E é incrível como eu consigo ver melhor o defeito de cada um daqui.

É, o mundo não é tão bonito quanto se parece. Há muito mais monstros do que se imagina, e quando estamos ai não podemos ver. Os ladrões não estão só levando objetos de valor material, mas estão levando para fora do planeta, toda a forma e espécie de amor, carinho e afeto. Os assassinos já não estão “só” roubando vidas, mas têm feito com que as pessoas assassinem seus sonhos, desejos, amores, planos. E isso tem nos matado todos os dias um pouco.

Os políticos não têm entrado em nossas vidas só em época de eleição, mas agora tem os nossos endereços e o número de nossas contas bancarias para nos visitar de vez em quando.

Sofrer? Que coisa mais fora de moda! Pra que isso, alias não fale essa palavra muito alto, ela trás azar. Sofrer é sinônimo de fraqueza e não de humanidade. Tristeza significa que você errou sozinho, então conserte você mesmo; sozinho. O bom hoje em dia é viver sozinho, isso sim é ser forte, maduro, independente. As industrias de congelados e comidas para microondas estão amando essa sociedade egoísta.

Cansei de tentar entrar na moda. Cansei de fazer regimes malucos só porque meu manequim não é 36, (é 42)! Cansei de folhear revistas de cultura inútil com suas mulheres esculpidas por agulhas e bisturis. Cansei de ser o que não sou, de esperar o melhor do próximo, sendo que eu mesma posso fazer o melhor! Mas até ai já estou sendo egoísta.

Até quando vamos continuar pensando no eu? Até quando vamos jantar sozinhos em nossos apartamentos apertados? Até descobrimos que o conjugar o verbo no NÓS é muito mais legal?! Vivemos em uma sociedade que nos oprime, que nos corrigem de erros que não são nossos. E que não tem deixado sonhar os sonhos que queremos. Somos robôs dos próprios robôs que criamos. Somos escravos desse mundo em que pensamos que dominamos. Somos um teatro, vivemos num circo; e onde se paga com a própria vida para assistir mais uma palhaçada sem graça.

“Sou uma gota d’água, sou um grão de areia”.

Laís Luci

(09/11/2005)

2005-11-11 Outros textos Lais Luci Lais Luci
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