Saudades de 1979 (II)
Ao acordar, minha mente se põe à lembrar que devo te esquecer. E torna-se, a tarefa mais diária das tarefas, tirar-lhe do peito que bate, lamentando a presença de sua ausência. Os pensamentos, ainda constantes quanto a você, vagam procurando no infinito, a saudade que sinto. Ah, se as palavras pudessem definir este sentimento, como gostaria que ele tivesse um nome; é tão impossível saber, mas tão fácil sentir. Basta eu, lembrar das vezes em que esteve aqui, compartilhando comigo momentos tão eternos quanto os segundos que antecedem um alívio sutil. É como se sua ausência me doesse, mas não dói, lateja apenas como uma gota d’água, como um alfinete caindo ao chão. E são tão corriqueiras as lembranças, mas tão vagas, que nem posso saber se é verdade o que penso, nem posso pensar em saber se é verdade, pois eu sei que deste modo, a sua ausência que me dói, a sua presença vazia, vai-se embora, para onde, os versos das palavras não conseguirão chegar. Eu vou procurar, até não querer mais, o seu eu material, o seu eu presente, que me conforte com abraços, que me aqueça com palavras; eu sei que vou procurar para sempre, pois nunca vou não querer mais; eu quero e não basto, eu quero agora, eu quero para sempre! E desejo mais o querer, infinitamente, desejo várias vezes querer, para não cessar os quereres, pois eu sei que não posso. Quero voar, quero estar onde a ausência não pese tanto quanto a palavra nunca dita, eu quero estar onde a minha saudade cesse, eu quero estar onde eu não deseje estar mais, eu quero estar ao seu lado.
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