Rostos no caminho
Tantos são os rostos que se cruzam nos caminhos.
Que quase chegam a se tocar.
E neste ir e vir...
Tantos são os olhos que se atrevem a se fitar.
Tal como o meu e o seu olhar...
E mágico me parece.
Pois a luz que resplandece.
Excita algo a me inflamar.
Algo frágil!...
Que parece se mover em meu estomago.
Meigo!... Indelével...
Tênue como a tez de uma maça.
Sucinto!...
Como o desfalecer de uma frágil ave envelhecida.
Mas!...
A cada passo teu em minha direção.
Avoluma-se!... Arranja-se!...
De um lado a outro a ziguezaguear.
Algo se enfurece e me domina.
A cada esquiva e novo flerte do seu olhar.
E quanto mais próximo do teu corpo.
Do teu cheiro primaveril.
Mais me desespero...
Pois me falta o próprio ar.
E me sinto entorpecido.
Pelo aroma de rosas...
E me calo!...
Embora tanto tenha para lhe dizer.
Sinto-me assim como um veleiro.
Que à mercê de um mar revolto.
E com as velas frouxas.
Entrega-se ao sabor das ondas a ti levar.
E o tempo é impiedoso!
Incessante! Determinado!
Cruel! Obstinado!
E por mim você passa...
De repente! Vejo tantos outros rostos.
Rosas sem perfume e esquálidas.
E me volto...! Numa última olhada.
Antes de emoldurá-la na memória.
Só então!...
O arrebatamento se consome.
E eu posso sentir o chão!
E volto a respirar.
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