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Receita de Poesia - Segundo o Mordenismo

Não busque no corpo os versos

que tanto você quer - não os

encontrará aí.

Não tente encontrá-los

onde sempre estão, mas aonde

menos poderiam estar - isso

é originalidade.

Concentre-se em uma única coisa:

você. Apague as luzes, feche os

olhos e se busque, se conheça,

se investique.

Pare de se preocupar com

a vã economia ou com o relatório

duplo da reunião de negócios extraordinária com a equipe de administração chefiada pelo Excelentíssimo Senhor Diretor.

Dê mais tempo a si próprio; você tem gostos,

idéias, náuseas, ódios, amores,

grandeza e nunca soube disso.

(você está precisando de um bom tempo sozinho

consigo mesmo)

Aprenda a ouvir o que você mesmo tanto fala

na sua alma e que nunca costumou ouvir.

Mergulhe no reino da palavras,

no mar tranqüilo e deleitável das expressões;

selecione-as como são e as exteriorize

em um papel.

Não se preocupe com rimas, sejam elas ricas, pobres, opostas ou paralelas; e muito mesmo com versificação alexandrina,

Heróica, sáfica, redondilha ou hemestíquia.

Busque a dança das palavras, livres, onde

elas se concentram: no profundo da alma.

Ao fazer isso, você descobrirá o seu

Drummond, o seu Moraes e a sua Lispector.

Você descobrirá o seu poeta predileto:

a sua Alma.

20.03.2007

2008-08-08 Poemas e poesias Leandro Reis Leandro Reis
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