Receita de Poesia - Segundo o Mordenismo
Não busque no corpo os versos
que tanto você quer - não os
encontrará aí.
Não tente encontrá-los
onde sempre estão, mas aonde
menos poderiam estar - isso
é originalidade.
Concentre-se em uma única coisa:
você. Apague as luzes, feche os
olhos e se busque, se conheça,
se investique.
Pare de se preocupar com
a vã economia ou com o relatório
duplo da reunião de negócios extraordinária com a equipe de administração chefiada pelo Excelentíssimo Senhor Diretor.
Dê mais tempo a si próprio; você tem gostos,
idéias, náuseas, ódios, amores,
grandeza e nunca soube disso.
(você está precisando de um bom tempo sozinho
consigo mesmo)
Aprenda a ouvir o que você mesmo tanto fala
na sua alma e que nunca costumou ouvir.
Mergulhe no reino da palavras,
no mar tranqüilo e deleitável das expressões;
selecione-as como são e as exteriorize
em um papel.
Não se preocupe com rimas, sejam elas ricas, pobres, opostas ou paralelas; e muito mesmo com versificação alexandrina,
Heróica, sáfica, redondilha ou hemestíquia.
Busque a dança das palavras, livres, onde
elas se concentram: no profundo da alma.
Ao fazer isso, você descobrirá o seu
Drummond, o seu Moraes e a sua Lispector.
Você descobrirá o seu poeta predileto:
a sua Alma.
20.03.2007
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