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Quem somos e porque somos

Ninguém é uma ilha, ou melhor ninguém jamais estará sozinho. Por mais sombrio e inóspito que possa ser a solidão, ainda assim teremos nossa conciência, nossos temores e sonhos, certo é: não estaremos só. Mas esse conceito, é bastante amplo e há vastidão de idéias e ideais e por isso está sujeita a refutações, não faciclitando uma conclusão satisfatória. Então vou apenas me ater às relaçoes interpessoais, e ou sociais.

Não nos bastamos a nós mesmos e não cabemos em nós mesmos. Por mais que tentemos nos isolar do mundo e de todos, levar nossa própria vidinha e nos preocupar somente com nossos próprios problemas, mais cedo ou mais tarde acabamos esbarrando com outros como nós. Lutar contra essa nossa tendência a socializar-nos parece que é como lutar contra nossa própria natureza, contra a substância mesma da qual somos feitos.

Nossos dias estão repletos de encontros potenciais, que dependem da nossa própria iniciativa para se concretizar. São um infinito de pessoas com as quais cruzamos todos os dias; pessoas como nós, com sonhos, desejos, sofrimentos e angústias. Irmãos, pai, mãe, vizinhos, amigos, pessoas que convinemos na intimidade e colegas de classe ou de trabalho, professores, funcionários que nos servem, chefes e superiores que servimos, pessoas desconhecidas que sempre encontramos no ônibus, no restaurante ou no caminho a pé para a escola… rotina e improviso, programado e inesperado se misturam e se harmonizam para constituir a nossa vida.

Diante de todas essas situações cotidianas, sempre nos são apresentadas duas opções muito claras e distintas: acolher ou rejeitar; ir ao encontro do outro, tomar a iniciativa ou nos mantermos na posição mais confortável, sem arriscar muito esforço.

Parece que algo dentro de nós, lá bem fundo mesmo, nos impele a tomar a primeira opção, apesar de outras coisas menos profundas, também dentro de nós, nos dizerem para ir pelo caminho mais fácil. E quando finalmente nos decidimos, quando nos arriscamos, algo em nós é transformado: uma nova chama começa a arder.

Ao nos encontrarmos com o outro, com o diferente, nos encontramos com nós mesmos, e nos encontramos com Deus, o Todo-Outro… o Todo-Amor.

Isso a primeira, parece bastante contraditório e paradoxal. Como pode ser possível que, tentando conhecer e descobrir mais sobre outro, sobre alguém completamente diferente de mim, eu venha a ter um conhecimento mais profundo e real sobre mim mesmo, sobre; quem sou? Se pararmos para pensar um pouco, veremos que isso faz sim um certo sentido, que não é de todo absurdo.

Como saberíamos que existe o amarelo, se não existissem o verde, o azul e todas as outras cores? Como saberíamos o que é o sabor doce, se nunca experimentássemos nada salgado? Como eu saberia quem sou, se todas as outras pessoas fossem iguais a mim? Não seriam, no fundo, outras: seriam as mesmas!

Reconhecemos a identidade das coisas e das pessoas baseando-nos nas diferenças. Sabemos o que ou quem são pelo contraste, pela diversidade em relação aos que nos rodeiam. Daí vem a necessidade que sentimos de nos relacionar, o desejo que nos impele a ir ao outro, ao diferente, para termos uma identidade mais bem-definida, para sabermos com mais clareza quem somos e assim ser com mais intensidade.

Esse processo de ir ao encontro do outro, esse risco que corremos ou não, na maioria das vezes é muito difícil, e até mesmo doloroso, porque nunca podemos nos relacionar apenas com uma parte de outra pessoa: esta é um todo, inteira. Também nós não podemos ir ao outro estando dispostos a dar a conhecer somente parte de nós mesmos.

Quando nos relacionamos com outros, nos apresentamos como somos: com qualidades, alegrias, problemas e mudanças de humor constantes. E não só isso: somos chamados a também acolher o outro como é, na sua totalidade, com todos os defeitos e aptidões.

Muitas vezes existe a tendência de tentar fazer o outro ser um de nós, fazê-lo pensar da mesma forma que nós pensamos e ter os mesmos costumes que nós temos. Essa tendência vai diretamente contra a nossa natureza mais profunda, a nossa sede fundamental por identidade e por sentido.

É como querer que todas as pessoas sejam exatamente iguais a nós: mesmo rosto, corpo, idéias, tudo! Até a morte seria melhor que isso! É exatamente a diversidade que torna o nosso mundo tão belo e tão agradável aos olhos. A unidade não é oposta à diversidade, mas ambas complementam uma a outra e formam uma harmonia necessária à vida.

E para que esse diálogo, intercâmbio de idéias e experiências e partilha de vida, aconteça de fato e dê muitos frutos, é necessário o amor.

Como Paulo disse que devemos amar; não com qualquer amor, mas aquele que é paciente, bondoso, que não tem inveja nem é orgulhoso ou arrogante. É necessário o amor que não é escandaloso, que não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor. É preciso o amor que não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

Veja mais em: www.logikkos.blogspot.com

2008-02-28 Interessantes Aroldo Rondineli Aroldo Rondineli
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