QUERIA, QUERIA...
Queria escancarar a porta de sua noite e, feito astro luminoso, riscar sua existência com a luz mais brilhante e embalar seu sono sagrado com a música celestial que alguém compôs para adormecer anjos;
Queria escorregar do arco-íris que surge depois da tempestade das boas ações que seu coração realiza e, despencando de tamanha lonjura despetalar a flor mais perfumada que brotou em seu jardim chamado desejos;
Queria sumir num pé de vento feito as pétalas leves que se deixam levar ao mais leve sopro de felicidade, indo em busca do paraíso perdido que habita logo acolá, logo depois da montanha de sonhos que embalam seu viver;
Queria poder tocar seu dia, alisar os cabelos que só o vento de maio tem permissão, esquadrinhar seus passos e perseguí-los até qualquer encruzilhada, desde que não me extraviasse de você;
Queria, feito as flores de setembro, enfeitar seus desejos e torná-los perfumado e colorido como a esperança que mora na palma da mão da criança que acabou de vir ao mundo, pois quem sabe assim, depois de tanto “queria”, tivesse por sina colar em sua pele para todo o sempre e inventando caminhos a levasse por onde meu coração guiasse, por onde a estrela vespertina sinalizasse, por onde o destino inventasse um novo existir para palpitar dois corações.
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