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QUANDO MARIELA CHEGOU

Quando Mariela Chegou

Era verão e a sombra da figueira nos protegia do sol enfurecido. A rua parecia ferver desde cedo. Um vendedor passou oferecendo picolés e sorvetes. Senti o gostinho do chocolate com creme desmanchando na minha boca. Mas eu e meus amigos, como sempre, estávamos sem um tostão. Foi naquele preciso instante, quando o vendedor ambulante dobrou na outra esquina, que o caminhão estacionou em frente à casa que estava para alugar. Ela, a mulher mais estonteante e maravilhosa que eu tinha visto até então, desceu exibindo, sem pudor, suas pernas longas e torneadas. Estava se mudando para ali. Tinha chegado para alimentar o desejo juvenil, nossa já incontrolável imaginação. Instantaneamente, atravessado por um raio fulgurante, fiquei perdidamente apaixonado. Os outros, também.

Mariela, depois descobrimos o seu nome com as fofoqueiras de plantão, era separada e vivia da pensão do ex-marido ricaço. Só que ele era meio tacanho e o dinheiro só alcançava para morar naquele subúrbio, longe do centro.

Era alta, esguia, esbanjava elegância e simpatia, tinha um s orriso magnético que prendia e hipnotizava.

Em poucos dias, os conquistadores de plantão atacaram. Não conseguiram nada. Gabriel, que era o mais metido e se achava um verdadeiro galã, levou um soco no olho que o envergonhou para sempre, acabando com sua fama de conquistador.

A sorte, o destino, aproximaram-me dela. Numa festa, do outro lado da cidade, na casa de uns parentes, tive a

felicidade de encontrá-la. Conversou comigo e, a partir daquele dia, mantivemos uma relação afetuosa. Eu realizava pequenos trabalhos em sua casa, limpava o pátio, arrumava alguma torneira e não cobrava nada. Bastava sua atenção, sua amizade, a sua proximidade. Nunca me insinuei, apesar de que meus olhos me traiam constantemente.

Tudo estava se encaminhando para um amor platônico, para uma amizade complicada, uma daquelas relações complexas que povoaram minha adolescência e parte da minha juventude.

Até que um sábado, já tarde da noite, quando eu estava sozinho na esquina, sem dinheiro, sem nenhum amigo por

perto, pensando na vida e querendo fugir daquela cidade, fui surpreendido por um táxi que estacionou na frente da

casa de Mariela. Ela desceu, tropeçou numa lajota da calçada, atrapalhou-se ao abrir a porta e entrou.

Achei aquilo muito esquisito. Levantei e, dois minutos depois, estava apertando o botão da campainha. Ela abriu

a porta e sorriu. Entrei. Percebi que ela tinha bebido além da conta, estava embriagada ou, pelo menos, bastante

alegre. Perguntei se tinha vindo de uma festa. Ela começou um relato confuso, enrolado, sem nexo, encostou-se no

sofá e, no meio da história fechou os olhos e adormeceu ou desmaiou. Assustado, aproximei-me dela. Estava

dormindo tranqüilamente, os lábios entreabertos, o corpo relaxado e esticado no móvel. Arrumei melhor seu corpo

e o meu coração disparou enlouquecido. Nem nas minhas mais loucas fantasias encontraria uma situação semelhante.

Meus pensamentos giravam descontrolados, meu sangue pulsava intensamente. Minha consciência começava a dizer “não, não, não”. Mas meus impulsos, meus instintos clamavam e empurravam-me, anuviando minha razão.

Ajoelhei-me e comecei a desabotoar seu vestido. Bastou soltar o primeiro botão para ter a maravilhosa visão

dos seios inflados e comprimidos pelo soutien. Eram balões tentadores que queriam escapar daquela prisão.

Com extremo cuidado, movimentei seu corpo e encontrei o caminho para soltar o soutien. Baixei devagar a peça,

tremendo, controlando meus movimentos, e os bicos escuros e generosos, pularam livres e eretos. Mariela

gemeu e se mexeu, acomodando-se no sofá. Agora estava totalmente deitada, um braço para um lado, o outro caindo

sobre o tapete; as pernas lascivamente separadas, uma delas levemente levantada. Os seios soltos, grandes, livres,

cativantes, pediam meus lábios, meus dentes, minhas carícias. Contive meus impulsos e continuei abrindo o

vestido, vagarosamente, temendo que ela acordasse.

Quando o vestido ficou totalmente aberto, caindo uma metade sobre o piso e a outra cobrindo parte da sua nudez,

fiquei sem respiração. O espetáculo era maravilhoso. Com muito capricho continuei meu sujo e infame trabalho.

Comecei a tirar a calcinha. Ela mexia-se, inquieta, com como se estivesse sonhando. Seus movimentos colaboraram com

minhas intenções e ela ficou livre da peça íntima.

Estava ali, adormecida, perdida em outro mundo, completamente à minha disposição. As dúvidas me atacaram

sem piedade. E se ela acordasse? E se ela abrisse os olhos e começasse a gritar? Se me acusasse de agressão,

estupro ou sei lá o quê? Se...?

Em um instante de total insanidade, aproximei meus lábios a um dos seus seios e beijei o bico com carinho,

com medo, hesitando. Ela gemeu e movimentou-se, fazendo com que o seio entrasse mais na minha boca.

Beijei com mais força, apertando, no final do beijo, com meus lábios, a ponta do bico. Ela murmurou qualquer coisa

que não entendi. Parei. Ela continuava dormindo.

Totalmente perturbado, alheio a qualquer chamado da razão, tirei a roupa e acomodei-me entre suas pernas.

Busquei sua boca. Beijei-a com ternura e com fúria depois, usando minha língua e meus dentes. O sabor amargo de

uma bebida indefinida atacou minhas papilas. Ela mexeu-se, mas sua boca não respondeu ao meu beijo. Desci pelo

pescoço, beijei e mordi. Ela murmurava e gemia. Voltei aos seios, deleitei-me neles, desci até seu umbigo tentador.

Ela estava cada vez mais inquieta. Continuei o caminho até seu sexo e avancei sem temor. Naquele preciso instante

senti suas mãos, seus dedos afundando no meu cabelo e puxando minha cabeça contra ela. Incorporei-me

assustado. Encontrei seu olhar azul fulminando-me: um olhar alerta, pleno de desejo e decisão.

2005-08-19 Adultos Carlos Higgie Carlos Higgie
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