Paz, amor, fraternidade e respeito ao próximo?
Gerson era um garoto sarado, cheio de vida, curtia praia, surf, rock, baladas e muita cerveja, algo típico para um garoto de classe média de cidade grande. No auge de seus 19 anos, só pensava em curtir a vida ao máximo, extrapolando seus limites, mas sem deixar de lado a idéia de paz, amor, fraternidade e respeito ao próximo. Isso seus pais tinham lhe ensinado muito bem.
Fazer amizades não era problema para ele, comunicava-se como se fosse um diplomata, convencia a todos de seus pontos de vista, os quais não eram infundados graças à prática de leitura que adquirira com sua sábia avó e conservada por seus pais, dois empresários do ramo alimentício da cidade de São Paulo.
Seu automóvel já era o segundo, o primeiro teve perda total em um acidente, traficantes roubaram-no em uma fuga. Cheio de acessórios, este era mais atraente e, junto com o motorista, não passavam despercebidos pelas minas da noite paulistana. O point era a Vila Olímpia.
Em uma dessas noitadas, Gerson conheceu Amador, através de sua mina, Patrícia. Amador lhe disse já de início que tinha "umas paradas da hora". Gerson, pensando ser festas com altas gatas, disse que "tava dentro". Mas Amador explicou que precisavam ir pra sua casa, seria mais emocionante, lá havia todas os apetrechos necessários.
Gerson entrou no seu carro com alguns camaradas e seguiu o carro de Amador. Andaram por alguns minutos, ouvindo um som do momento. Assim que chegaram, já foram logo "pegando" as minas e dando uns amassos. Amador disse que a "parada" era forte e que todos precisavam "tá dentro". Todos concordaram. Naquela noite, Gerson conheceu, por influência de seus amigos (o álcool prejudicou seus reflexos) o mundo das drogas ilícitas.
No dia seguinte, Gerson parecia ter sido atropelado por um caminhão. Acordou no tapete da casa do seu novo amigo. Quando chegou à piscina, percebeu que era o último a se despertar, se é que isso era possível, todos estavam continuando a festinha da noite anterior. Não deu outra, foram horas e horas viajando em outros mundos desconhecidos.
Gerson não conseguia viver sem aquele pozinho branco, dava mais emoção à sua vida, mesmo que antes de ser apresentado a esse personagem macabro, tivesse uma vida muito agradável. No entanto, não via nenhum problema nisso, já que estava mantendo os ensinamentos que os pais lhe transmitiram. Só existia um quê em toda essa nova história: se quisesse continuar fazendo suas viagens, teria que pagar pelo pó.
Começou a gastar mais do que de costume. Os pais estranharam, diminuíram sua mesada, ele só estudava. Seu carro foi roubado de novo. Parou de pedir dinheiro por alguns dias. Logo a insistência pela grana voltou. Um som super potente que o pai lhe comprara no exterior foi emprestado para um amigo, mas não voltou. Gerson não deu importância ao fato, mas os pais quiseram saber que amigo era esse. Não houve como, o "brother" tinha mudado para outra cidade.
Gerson não sabia mais o que fazer para conseguir grana para se sustentar no vício. Seu aspecto físico era deplorável, nem parecia o mesmo de havia três meses. Como já era conhecido da rapaziada, começou a pegar o pó pra pagar depois. Passou a atrasar nos seus compromissos com os "manos". Sabia que teria de pagar. Foi pressionado. Ficou ausente por uns dias, mas não conseguia viver sem a "pura".
Voltou à boca de fumo. Os traficantes o seguraram e intimaram o endereço de sua casa. Ele se viu obrigado a dizer. Foram três carros com homens fortemente armados e uma "van" para arrecadar os bens como forma de pagamento da dívida. Não deram tempo para que o senhor Bonifrates se levantasse de sua cama, onde descansava pensativo de onde poderia estar seu querido e único filho. Os marginais entraram e começaram a carregar tudo. Dona Amabilis ficou muito apavorada, os "homi" acharam que ela os estivesse denunciando (estava perto do telefone) e dispararam mais de dez tiros na pobre mãe desolada, que caiu morta no chão frio da cozinha que viu o inocente Gerson crecer. O pai, não resitindo tamanha perda, enlouqueceu. Gerson sumiu e ninguém mais o viu pela região onde morava.
Esse texto é para o empresário do Natiruts e para todos aqueles que acham que podem encontrar ou conservar a idéia de paz, amor, fraternidade e respeito ao próximo se enveredando pelo caminho das drogas.
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.