Parede de vidro
Em algum momento da minha vida,
Encostei meu corpo numa parede de vidro,
Chorei constantemente,
Até não ter lágrimas para derramar,
E comecei a assistir a vida passar.
Em outros corpos, procuro as mesmas marcas.
Em outras almas, procuro a mesma palavra assinada.
Seu nome.
Depois daquele dia que você remendou minha vida,
São dois caminhos, para uma mesma saída.
Sofrer em vão e negar o perdão.
Se eu pudesse acreditar,
Que algum dia transformei você,
Na cobaia de minhas experiências,
Invés da doença crônica,
Que se escode atrás de minha beleza,
Eu não procuraria saber
O que vive,
O que sonha,
Por trás do reflexo desse espelho,
Que a imagem refletida não é a mesma que tem por dentro.
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