Palavras
Palavras... Só palavras!
Nada mais do que palavras...
Que maturadas pelo tempo.
E arrastadas pelo vento.
Embaralham-se em minha mente.
Tentando me enganar.
Meros joguetes de fonemas.
Que agrupados sabiamente.
Tentam me afastar.
Porém... Mantenho-me cético.
Mas confuso como o inseto.
Que flutua com o vento...
Insistente e intermitente.
Às rosas balançar.
Tornando o pouso incerto e inseguro.
Palavras!... Que ecoam nas paredes.
Afugentando o silêncio.
Com suas sílabas a reverberar.
Que são lâminas afiadas e pontiagudas.
Encerradas bem profundo em min’alma.
Que se quer pode sangrar.
Proferidas por lábios tão perfeitos.
Moldadas dissimulando gentilmente.
Querendo me negar.
Manter-me longe é o que quer?
Por quê?
Atreve-se a me olhar!
Por quê?
Mudar o seu curso!
Se és o rio! E eu sou o mar!
Por quê?
Giras o pescoço!
Quando sentes minha presença...
No oposto de onde estais a vigiar.
Por quê?
Tuas palavras me confundem!
Quando teus olhos se entregam sem lutar!
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