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PELA JANELA

PELA JANELA

Fátima Venutti

Hoje,

Silencio as sementes corcundas

Aradas na solidão deste meu tempo

Pela janela,

Regresso ao sentir passar a vida

No vôo equivocado de uma borboleta azul.

Miro os caminhos transpassados

Na vida de outras vidas

Solitárias, apressadas

E a escorrer, vidro afora

O sangue da derrota

Contrapartida.

Fecho os olhos

E ainda miro meu exílio,

Rebuscado e afoito

A saltar do 14º andar.

Janela dentro,

Vida afora.

Minha solidão esbarra,

incontida,

No chafariz da morte

E a bailar os saltos desta sina,

Janela adentro

Meu exílio suplica.

Num arroto,

Amordaço o vidro da discórdia

E centro o eixo

Da minha poesia

Num grito arrebatado:

Deixem o vento

Invadir minha morada!

Pela rua,

Vidas suadas passam,

Uma borboleta azul pousa, sangrando,

Na corda pendurada do suicida.

Dia seguinte,

O jornal anuncia

mais duas mortes na BR 101.

2007-08-31 Poemas e poesias Fátima Venutti Fátima Venutti
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