os magos de santa ana
O Disco Solar
Em um lugar onde o tempo parou.
Ele se levanta, e vai para o lago a beira da gruta se lavar. Sentia a presença da luz da manhã. Sai e caminha para varandão. O jardim, cheio de flores e árvores . Uma acácia colorida misturava-se com o verde da grama. As rosas, vermelhas e brancas, serviam de parada para os beija-flores sugarem o seu néctar. Ele gostava de ver o nascer do novo dia ali daquele paraíso. Senta-se confortavelmente. O céu estava de um lindo azul claro. Na parte superior da linha do horizonte podia-se ver nuvens acinzentadas formando uma aparente cortina para se abrir na hora certa trazendo de volta o grande astro, a estrela que ilumina nossos dias. Ele espera olhando... Integrando-se em comunhão com os movimentos da natureza. Gostava de ouvir o cantar dos pássaros. Os bem-te-vis aos bandos voando e pousando nas mangueiras, nas amendoeiras floridas ao lado do varandão. O galo batendo forte a sua asa no peito para que outros, ao longe, com o eco respondesse o seu anúncio da chegada da luz. A cortina acinzentada, cobria parte da linha do horizonte. Modifica-se se tornando vermelho alaranjado com fios dourados. Depois vai ficando de um amarelo claro, vivo iluminando o céu de um azul clarinho. A cortina se abre lentamente e começa a surgir metade da esfera do grande astro. Era o despertar. As nuvens que estavam perto da linha do horizonte invadem em vários tons colorindo o céu.
Rafael chega silencioso. Senta-se ao lado dele.
— Bom-dia, mestre. Que lindo amanhecer...
— Hoje é um bom dia para se realizar o melhor escutando o que ele tem a nos dizer.
— No lago da beira da gruta um cisne branco com seus filhotes deslizava suavemente. O disco solar continuava a se levantar. Podia-se ver a metade de seu círculo espalhando sua luz. Os dois se levantam como a saudar a estrela da manhã. A luz torna-se intensa, difusa. Os dois fecham os olhos. Os seus corpos são iluminados. O sol nasce. p
— Façamos silêncio, Rafael. Quando as palavras falam menos que o silêncio é melhor guardar silêncio. Desta maneira, podemos penetrar no que estamos escutando. É preciso escutar não só o que diz o nosso irmão. Mas tudo. Para isso é importante o silêncio. Escutai, Rafael, os barulhos do mundo..
Escutai os clamores do coração humano batendo, falando das alegrias e tristezas.
Escutai a desordem.
Escutai os corações, prisioneiros, clamando pela luz.
Escutai as nossas aflições...
Escutai as vossas agonias.
Todos as têm, assim Rafael poderá dar o abraço que compreende..
Que cura que liberta e que salva...
O silêncio invade a natureza. O cantar alegre do bem-te-vi solitário voa e pousa nas mãos do Mago. Outros respondem:
— Bem–te-vi, bem-te-vi. Os dois se olham. O pássaro levanta vôo misturando-se com o bando.
Os dois sentem a brisa acariciar suavemente as sua faces. Ele fala para Rafael:
— Vá até o meu quarto e traga o quadro que guardei quando estive da ultima vez no solar..
— Vou buscá-lo. (Ele retorna cabisbaixo.)
— Mestre, não tenho boas novas para dar.
— O que aconteceu Rafael?
— O anjo ferido partiu da gruta da beira do lago e levou com ele a espada.
Olha para o Mago. Duas lágrimas escorrem de seus olhos.
— Mestre ele partiu sozinho....
— Não, Rafael, ao partir levou um pedaço do meu coração. Esta no caminho de volta procurando o segredo da NAVE DE ARIADNE.
— Rafael coloca o quadro, envolvido pelo manto negro, em cima da mesa.
— Pronto mestre!
— Ele desdobra o manto.
— Mestre, é o quadro da´´ mulher da estrela do renascimento e do anjo azul´´. O senhor pintou quatro vezes e ele se desmanchou... Os desenhos estão aqui um pouco amarelados.
O mago disse:
— Não se pode pintar um belo quadro numa tela podre, nem plantar uma boa semente numa terra infértil.
—Isso significa que chegou a hora de pintá-lo? .
— Sim. Só que desta vez vou pintá-lo numa tela nova e plantar na boa terra.
— Veja mestre, as pétalas da rosa. Suas pétalas se soltaram. Estão desbotadas pelo tempo.
— Isso mostra que existe um tempo para tudo.
O Mago pega sobre o manto as pétalas da rosa, levanta os braços. Faz um movimento como se estivesse semeando. Eles as lançam. Elas vão caindo lentamente até beijar a terra. Outras são levadas pelo vento.
— Pois agora (Disse ele.).
“A semente que lanço na terra”.
Que na terra se transforme em vida
A vida ressurge dentro da própria vida
Para que no centro da luz o botão
Se transforme “em flor”.
Uma rosa branca aparece em sua mão. Ele a beija e coloca, em cima do manto negro com as suas doze pedras. Uma borboleta pousa em cima da rosa.
— O círculo está se formando. Esta luz nos convida a vencer a escuridão no nosso interior, a desenvolver nossa essência ensolarada, para libertar a mulher da estrela do renascimento. Falemos os doze nomes da luz que é o nosso sol com os mantras para iluminá-la e protegê-la. O Mago diz:
A lua e o sol vão se reencontrar
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