Oficio( Masculino de Mãe)
Era madrugada de uma noite tranqüila, embora caísse uma fina água de chuva que não desse para molhar os finos fios de um cabelo sedoso por completo. O silêncio da noite foi quebrado quando ecoou um grito: - Vai nascer! – o marido levantou num repente para acudi-la, mas sem saber bem ao certo o que fazer. Andava pela casa de um lado ao outro, às vezes prestando socorro aos gemidos da esposa, outrora, saia do seu próprio corpo a indagação quase que gemida do que ia fazer para acudi-la. Sabia que deveria evitar barulho, pois não haveria hora pior para que as sua duas filhas acordassem do que no presente momento.
Num estalo, estava ele à porta da vizinha para que fosse ajudá-lo.
- Nina abra a porta! – Esbravejou o homem no seu desespero. – Carmem esta por parir.
- Quem esta aí?- Disse Nina acendendo as luzes e olhando pela fresta da cortina.
- Sou eu Nina. José.
- Que foi homem de Deus? Que desespero é esse? – Abriu a porta e ele rapidamente pega em seu braço puxando-a para sua casa – Estou de pijama!
- Carmem vai parir!- Informou José o seu desespero.
- Vá até a parteira que eu cuido dela e das crianças.
Ele observou a entrada de Nina em sua casa e partiu.
A chuva caía agora com mais força. O lamaçal que se formou na estrada de terra e a grande escuridão dificultava a sua chegada ate a parteira. Não demorou menos que uma hora ate que ele conseguisse encontrá-la. Às pressas voltaram para a sua casa entrando muito mais voraz do que saíra.
- Olha que linda menina vocês receberem de Deus! – Exclamou Nina ao vê-los chegar. José somente sorriu aliviado.
Rodrigo Corrêa
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