O renascimento de Giovanna
Aos que torceram por Giovanna em "Ciúmes", aí vai o que lhe aconteceu.
Giovanna, assim que ouviu aquelas duras palavras, ficou sentada em um banco frio da estação, o que não sentiu, pois a frieza com que fora tratada era superior. Todos que passavam a viam com pesar.
Horas depois, seu irmão mais velho foi procurá-la e ficou atônito com a feição da irmã: parecia um personagem de um filme de terror quando acaba de ver seu algoz. Os transeuntes se revezavam como espectadores.
Em casa, a pobrezinha se trancou no seu quarto e de lá só saía quando ouvia o telefone tocar, na esperança de ser seu eterno amado. Do emprego que acabara de conseguir, ligou para se demitir por telefone. Não encontrava forças para superar o terremoto que assolou sua vida.
Os anos foram passando e muito pouca coisa mudou nas atitudes da adolescente. Apenas aceitou fazer tratamento com um psicólogo, em uma clínica de um amigo da família. Ia todas às segundas-feiras pela tarde.
Na semana que completava o segundo pior aniversário de sua vida, o do rompimento com Léo, a moça não conseguiu ir à clínica na segunda, por isso foi na quarta-feira.
Quando voltava para casa, parecendo ironia do destino, na mesma estação em que recebeu o fora do seu único amado, até aquele dia, algo aconteceu para mudar a vida da acinzentada garota: os pacotes que carregava, encomendas da mãe, caíram. Um homem de, aproximadamente, 26 anos a ajudou.
— Muito obrigada.
— Foi um prazer. Qual seu nome?
— Giovanna.
— O meu é Eduardo. Mora por aqui?
— Sim, naquele prédio amarelo. — mostrou-lhe com o dedo o edifício que era visto de onde estavam.
— Eu também.
— Que interessante! Nunca o vi por lá.
— Mudei no último final de semana. Posso acompanhá-la?
— Tudo bem.
Foram conversando sobre muitos assuntos, inclusive sobre amores passados. Tinham muito em comum, inclusive eram ascendentes nos horóscopos.
No final de semana seguinte, Eduardo convidou a nova amiga para um passeio pela praça do bairro, já que ele sabia da aversão, temporária, da moça a sair para baladas.
Uma semana depois de terem se conhecido, pareciam amigos de mais de dez anos. Giovanna parou com o tratamento. Saía do quarto sempre que tinha vontade, até freqüentava festinhas no condomínio onde morava, sempre ao lado de Eduardo.
“Estava escrito nas estrelas”, como ela disse a uma amiga com quem reatara comunicações esfriadas há um ano, esperando o pedido de namoro: “Ele é um homem muito especial”, emendara.
Ao completar cinco meses que eles se conheciam, veio o pedido esperado por todos:
— Você quer namorar comigo?
O sim foi dado com um abraço caloroso, seguido de um beijo de novela e comemorado, na noite seguinte, com um jantar inigualável preparado pela avó e pela mãe de Giovanna. Daquele dia, Giovanna passou a ser uma nova mulher, como uma fênix renascida das cinzas. Seu brilho voltou com forças de um amor puro e sem ciúmes.
José Augusto G. de Almeida em http://amoraspalavras.zip.net
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