O cristianismo de Jesus e o das religiões
O cristianismo de Jesus e o das religiões
Vamos fazer juntos uma reflexão isenta, honesta e sincera?
Ao ideal de Jesus deu-se o nome de CRISTIANISMO. Como decorrência, ser cristão é vivenciar os ensinos e exemplos do Mestre: amar a Deus, amar o próximo, ser puro de coração, ter sempre propósitos edificantes, ser justo, exteriorizar o amor ao próximo através de ações, promover o desenvolvimento integral do outro tornando-o capaz de caminhar com seus próprios pés, entre outros. Tudo isto de forma desinteressada. Só que ao longo dos séculos o homem vem mudando o cristianismo de Jesus para atender às suas conveniências egoístas e imediatistas, ao tempo em que as religiões dominantes buscam a perpetuação do poder terreno, ainda que para isto subvertam os princípios básicos da doutrina cristã. Este foi o caminho que tomou o cristianismo dito oficial, distanciando-se sobremodo do cristianismo do Cristo.
Como conseguência vejamos o que acontece no Brasil. Nosso país é tido como um dos mais religiosos do mundo. As estatísticas mostram que quase a totalidade de nossa população é considerada cristã. Por outro lado é um país rico, pródigo em recuros naturais. Temos muitas terras fertéis e agricultáveis, condições climáticas favoráveis, água em abundância, minerais dos mais variados em grande quantidade,etc., etc. Não temos problemas decorrentes de catástrofes naturais como vulcões, terremotos, maremotos, tsunames, furacões e outros.
No entanto é um país extremamente injusto socialmente, com uma das distribuições de renda das mais perversas do mundo, com contrastantes desigualdades sociais e regionais, alto índice de analfabetismo(leia-se ignorância), grande parte da população vivendo abaixo da linha de pobreza(entenda-se miséria total), criminalidade e marginalidade reinando absolutas, hipocrisia e corrupção desenfreadas partindo das maiores autoridades constituidas, as quais deveriam dar exemplo de dignidade, população pobre sem os serviços básicos indispensáveis à dignidade humana, além de muitos outros indicadores de desenvolvimento humano perversos, e muito mais.
Perguntamos: que papel tem desempenhado as religiões ao longo desses 500 anos de Brasil?
Serão atribuições das religiões combater a miséria, construir escolas e hospitais, dar habitação a quem não tem, fazer cumprir a ordem pública, combater a criminalidade e a corrupção, gerar empregos, etc.? É claro que diretamente não. São ataribuições diretas sim, da sociedade organizada e do governo, o qual foi constituido para isto e é mantido à custa de impostos arrancados à força do cidadão, sobretudo dos mais pobres.
Mas a sociedade e o governo, que é o reflexo da sociedade, não são formados por homens que são cristãos, que engordam as estatísticas da religiosidade brasileira?
Logo, conclui-se que não foram as relegiões capazes de, com sua mensagem, levá-los a trasformarem-se em cristãos verdadeiros. Isto porque elas não estão preocupadas em esclarecer, conscientizar e conduzir o homem à reflexão e a evangelização. A preocupação reinante tem sido com os dados estatísticos, com a manutenção do poder, com os níveis de audiência, com a quantidade de pessoas que vão aos shows, com a vendagem de CD's, DVD's, amuletos e congêneres, sem falar em ameaças de exclusão aos que não partilham integralmente de seus dogmas. Onde a preocupação com o esclarecimento, a iluminação, o ideal cristão? A fé difundida por elas tem sido puramente dogmática, sem embazamento na razão. E a fé dissociada do estudo, da lucidez e da razão, leva ao fanatísmo e à alienação. Infelizmente é esta a realidade que estamos vivendo.
Enquanto a nossa religiosidade se restringir aos rituais, ao culto dogmático, ao louvor ao Senhor nos templos esquecendo-nos de vivenciá-los dentro de nós onde quer que nos encontremos, não poderemos ser um país sério, justo socialmente, digno de ser tido como um país verdadeiramente cristão. Quanto tempo ainda permaneceremos anestesiados?
É hora de refletirmos sobre o sentido que estamos dando à religiosidade e sua prática.
Urge voltarmos ao cristianismo de Jesus. O das religiões dos homens não dá certo.
Leones Soares
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