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O cego e o ateu

O ateu muito rico esbravejava tanto,

atacava muito o pobre cego,

não aceitava a mansidão daquele santo,

com fúria maligna, despejava palavras ferinas:

escarneço desta tua figura horrível

débil, de vários dias de vida deprimente!

Esta sua paz pra mim é tão passível,

porque teimas em viver mansamente?

Ainda insiste em me dizer deste teu Deus

cheio de magnitude, de luz tão intensa,

Mas porque não iluminou os olhos teus?

Ele fez tudo! Porque não lhe deu fortuna imensa?

Se pudesses contemplaria minha grande riqueza,

é tudo e toda felicidade deste grande mundo,

o que amo desta minha vida são só as belezas!

Insisto dizer-te: o dinheiro, os prazeres, são tudo!...

O cego em sua mais plena humildade,

não só por pertencer à classe da pobreza

respondia em tom até mesmo autodidata:

este teu magno ego te escraviza e te mata,

não vejo, mas sei que possuo a grande riqueza,

sinto meu Deus, seu amparo e todo o seu calor,

consigo mentalizar sentindo toda a beleza,

inebrio a todo instante, sentindo seu grandioso amor!

Seu poder é humanamente indescritível,

permite que através de minha cegueira plena

conseguisse absorver toda a beleza da criação.

Então tu possuis realmente belezas, riquezas e alegrias inebriantes,

mas não esqueças, são totalmente terrenas, ruirá um dia por terra,

então toda sua felicidade aparente desaparecerá.

Talvez não terás tempo de conhecer o meu Deus,

Aquele que é realmente dono de toda a riqueza!...

2007-05-30 Religiosos José Lourenço Florentino José Lourenço Florentino
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