O vento
Queria ser como o vento,
Que se reparte doce e ingenuamente,
No esguio e aerodinâmico,
Corpo do falcão peregrino.
Que em mim...
Faria a sua via! A sua estrada!
A sua ida... E chegada!
Invadindo o continente pela costa.
Carregado!Úmido! Com cheiro de sal.
Embaraçando os louros cabelos da menina.
Que brinca inadvertida na areia molhada.
Depois de carregar consigo milhões de litros d’água,
Que em forma de ondas imponentes,
Invadem abruptamente a praia,
E se desmancham espumantes como um tapete,
Desenrolando-se sobre os pés do casal apaixonado,
Que passeia na orla.
Roubando o chapéu do menino.
Distraído com o ziguizague da pipa no ar.
Agitando as cangas!
Erguendo as esteiras!
Lançando-as pro alto!
Desmontando barracas!
Curvando obstáculos!
Curvando-me!
Como as folhas do coqueiro...
Que intermitente!
Insisto a chacoalhar!
E quando penso que estou indo!
Já estou a retornar!
Entontecendo-me!
No giro louco do cata-vento.
Que envelhecido... Range! A me irritar.
Relaxo!...
Cantando nas pedras do rústico muro.
Que separa a natureza!
Da assimetria urbana da cidade.
Lambendo os poliedros que enfeitam as praças.
Polindo as tuas faces com areia e sal.
Comprimindo-me!
Por entre as lógicas paredes dos arranha-céus.
Enveredando por caminhos!
Que não me levam a lugar algum.
Metamórfico!
Me disperso por entre as arvores dos manguezais.
Humilde! Manso!
Suave a acariciar a pele de suburbanos meninos.
Que jogam bola descalços.
Ao pé da Serra do Mar.
Aqui! De volta aos elementos a que pertenço.
Repouso despreocupado e sozinho.
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