O Teatro dos Sentimentos
Teatro dos sentimentos
Ao crepúsculo de um dia radiante, ouvindo uma canção serena sussurrada pela natureza um espetáculo acontecia.
Não havia platéia, mas no palco estavam dois atores. Um espetáculo sem diretor ou professor, somente dois corações iluminados comandavam a cena. Não existia iluminação, refletores, flashes.
Só os olhos brilhantes dos dois.
A peça não tinha nome, mas muitos sentimentos.
Os principais eram a paixão e o afeto.
Era a primeira vez que os atores contracenavam juntos, mas o vigor era tanto, tão forte, que eles conseguiram transformar tudo em realidade.
Cenas fortes, vibrantes e feitas com muita garra e misturadas com ternura e carinho.
Cada ato era realizado com muita atenção. O toque das mãos, a leve carícia ao rosto, o abraço sincero.
A peça não tinha roteiro, tudo era realizado através das reações e era incrível como um sabia o que o outro queria. As cenas terminavam com muita naturalidade.
Era impossível não reparar a ansiedade dos dois para a cena final. Ninguém sabia o que podia acontecer tudo era uma surpresa.
Um simples olhar servia como “deixa” para que o outro contracenasse. Eles interpretavam com muita pureza.
O tempo convivido era pouco, porém notava-se que eles se conheciam há séculos.
A noite se aproximava e junto dela a última cena do espetáculo. O que poderia acontecer?
Ninguém tinha a resposta. Era impossível ouvir alguma coisa. Somente suspiros...
De repente o ator se move, leva suas mãos delicadamente até a nuca da atriz para que ela não tenha chance de recuar.
E ela não recua. Só se deixa levar pela magia da cena.
Ele se aproxima lentamente até o perfeito rosto da menina, e num suspiro profundo lhe beija.
Naquele momento, ali, no palco a encenação ficou de lado.
O que aconteceu foi a mais pura realidade.
Dois corpos necessitados de carinho entregaram-se completamente a um desejo inexplicável.
E eles estavam sendo realistas. o tempo todo.
O mais incrível foi que ao final do espetáculo não houve nenhum aplauso. Somente a saliência de um sorriso tímido, doces suspiros encenados pelas bocas dos dois que foram contemplados com o mais sincero presente que um poderia entregar para o outro. Uma caixinha repleta de sentimentos que até hoje nenhum ser humano soube explicar com suas palavras.
Ficou a certeza de uma coisa. Não há no mundo ator ou atriz que consiga interpretar um beijo sincero. Sinceridade. Quem sabe, com essa simples palavra, todos possam descobrir os sentimentos mais promíscuos do mundo. É só conseguir abrir a caixa. A caixa do teatro dos sentimentos.
Por Nelson Félix
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