O POETA...
Quando a lua chegou na noite do poeta, e seu corpo cansado de caminhar pela estrada da ilusão queria o refúgio que a um sonhador é permitido,e sua mente o que mais desejava era estacionar no porto da compreensão, e seu coração só pedia um pedacinho de paz, e suas mãos carregavam a flor do existir, e seu espírito rejubilava-se em comunhão com as maravilhas da natureza, e seus olhos cerravam e voltavam para dentro da noite enluarada da gratidão, e nada tinha mais importância que as boas lembranças da estrada... foi aí que toda a sua existência pareceu fazer sentido. Já não importavam os tropeços, as quedas eram fatos de um passado longínquo, os percalços eram parte do caminhar que o trouxera até ali, e então todo seu ser foi contemplado com tamanha luminosidade, toda sua aura brilhava e sinalizava que ali um novo ser acabara de vir ao mundo.
E o poeta navegou pela nebulosa mais distante do universo, e de lá apreciou um mundo em transformação, pessoas em transformação, idéias e posturas transformadoras que por certo estavam iniciando a edificação de um novo tempo. E o poeta chorou, a e suas lágrimas alimentaram de esperança todos os que seguiram suas palavras e se fartaram de ensinamentos que agora eram tijolos na construção do novo dia. E o poeta elevou as mãos, orou, agradeceu e foi adiante esparramando os frutos que o amor gerou.
MAURO XAVIER BIAZI (OU A GENTE MUDA, OU NADA MUDA) 300608
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