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O Noivo

- Eu te amo, Valmir.

- Mais alto, Carminha .

- T-te...- Carminha voltou a chorar, ela não entendia porque o noivo a tratava com tanta violência, muito menos a necessidade de ele estar apontando uma arma para sua cabeça.

- Eu vi você saindo da escola com aquele tal de Furmiga, amigo do Sandrinho lá da outra rua, qualé, tá querendo me sacanear? Quié que meus truta vão pensa?

- N-não é nada disso, ele é só um colega da classe...

- Colega o cacete, eu vou é ensiná aquele filho da puta a não sair com muié de bandido.

O Noivo de Carminha colocou a arma na cintura, fechou a camisa e saiu, trôpego, xingando e batendo a porta do barraco.

A garota chorava, tremia, não conseguia pensar direito, sentia medo, um pouco de vergonha... Levantou-se com muito esforço, olhou-se no espelho e viu a face avermelhada, os cabelos desgrenhados, o molhado das lágrima. Juntou o pouco de dignidade que lhe restava e tentou se recompor, lavou o rosto, arrumou os cabelos...

Seis meses se passaram desde que ela conheceu o noivo, logo no segundo mês descobriu-se grávida, o que foi perfeito para ela que queria sair da casa dos pais. Mudou-se então para o barraco dele, no mesmo bairro.

Dois meses depois, perdeu a criança. Disse para a mãe que havia caído da escadinha que leva ao banheiro, um acidente bobo. Não queria, na verdade preocupar a mãe com o fato do noivo ter sido naquela noite um pouco violento, afinal, foi só daquela vez que ele realmente a agrediu fisicamente, foi um acidente mesmo, além do mais ele prometeu que não mais faria algo que pudesse machuca-la.

Tudo estava bem até esta noite, agora ela se sentia culpada, "Porque fui andar com outro cara?", se perguntava, triste, mesmo porque o noivo já havia avisado que não queria ver a mulher dele por aí de conversa com malandro nenhum.

Pegou a blusa vermelha com estampa das "meninas superpoderosas" que ganhou do noivo logo depois do "acidente" que a levou a perder a criança e saiu, trancando a porta do barraco para procura-lo.

Sabia muito bem que ele não iria matar ninguém, então foi direto para o bar do "Zé Agazaia", o encontrou sentado, sozinho, com um copo de pinga na mão e um cigarro pendurado na boca.

Sentou-se à mesa em frente ao noivo e começou a falar.

- Me perdoa, não queria fazer você ficar nervoso...

Ele olhou, carrancudo no inicio, mas não pôde resistir aos olhos suplicantes da garota e sorriu, dizendo:

- Tá bom, princesinha, cê sabe que eu te adoro. Só não fica andando com vagabundo por aí que eu perco a cabeça!

- Vambora pra casa...

E foram abraçados para o barraco. Um pouco antes de entrar, Carminha parou, virou-se para encontrar o olhar do noivo, beijou seus lábios de forma apaixonada, o abraçou e disse bem baixinho em seu ouvido:

- Eu te amo, Valmir.

Fim.

2007-03-11 Outros textos Diogo C. Diogo C.
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Comentários

Gostei,,faz meu gênero! Márcio bueno
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