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O milagre

Lá se passou o fato!

Cá! Os efeitos do fato.

Não sei se me faço entender...

Mas sei que me faço escutar.

Como os que gritavam...

Enquanto o prédio ruía.

Se não se sabe o que falavam...

Sabe-se bem o que queriam.

Sabe-se a quem chamavam...

Sabe-se porquê sofriam.

E em cada par de olhos...

Em que o brilho se apagava!

Em outros a dor crescia.

A poeira!

Pelas ruas se espalhava.

O medo!

Como marias-sem-vergonha...

Nas casas ao redor florescia.

O chão chacoalhava!

As paredes tremiam!

Medrosos rezavam!

Corajosos corriam!

O terror se espalhava...

E em meio ao estapafúrdio.

Ouvi alguém que dizia:

-Valei-me Deus!

Rogo em nome da Virgem Maria.

Que de pronto!

Sob a sombra de sua mão.

Nos braços de um bombeiro...

Um só brasileiro!

Que entre tantos em meio aos escombros...

Do monte de concreto e ferro torcidos.

Saía com vida!

Sob os aplausos da multidão...

Que no entorno se aglomerava.

Para os braços da mãe desesperada!

Que de joelhos prostrada!

Chorava e sorria.

2008-08-11 Poemas e poesias Jaime Aparecido Donizeti Privatti Jaime Aparecido Donizeti Privatti
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