O escritor e sua imaginação.
O escritor e sua imaginação
Estava lá pomposo da vida espichando-se em sua rede montada dentro do próprio quarto, este que vivera sempre em perfeita bagunça, em meio a papéis amassados pelo chão, roupas fora do cesto, cama mal estendida pelo lençol e a desordem que um adolescente desleixado tem a capacidade de liderar. Seu pensamento viajava muito distante da realidade e encontrava histórias para redigir, pois era sua vontade naquele momento, apenas escrever para passar seu tempo, o papel em branco indicava a desnutrição da inspiração, quando de repente ao se levantar da rede olhou pela janela do quarto e avistou algo diferente acontecendo. O medo tomou conta por completo do seu sossego, começou a suar frio ao avistar o Diabo atravessar seu portão em direção ao seu quarto olhando fixamente para ele, a vítima da vez. O garoto imaginou que com seus poderes diabólicos o sujeito iria atravessar a parede e refazer-se em sua frente, mas enganou-se, o Diabo subiu as escadas atravessou o corredor, deu de cara com a porta entreaberta e nem perguntou se podia entrar; frente a frente com o adolescente que tremia não de frio, mas de medo, o Diabo afirmou:
__ Vim te buscar!
Naquele momento o garoto tomou coragem, e com escárnio encarou nos olhos o invasor de quarto e desferiu o golpe fatal:
__ Você não vai me levar nunca! Sabe porque? Encorajado falou.
__ Eu posso parar de escrever.
E parou.
(Márcio Bueno) Autor.
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