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O domingo

Já são dez e meia, e ainda estou na cama.

O que estou sentindo! Estou morto de cansaço!

Deus! que semana... outra como essa eu não agüento.

Todo dia!... subo, desço, saio, chego, ando de lá pra cá.

Levo, trago, sento e espero!

Quem disse que esperar não cansa!

Se não cansa o corpo... por certo à mente!

Alimenta o estress! retesa os músculos!

Exaure a gente.

Mas!... quem nasce pra viver não é imóvel!

Saio da cama...

Depois de tomar um banho!

Desço para cozinha para tomar o café da manhã.

_ Bom-dia amor... como vai!

_ Eu estou bem... obrigada! E você como está!

_ Já estive melhor...

Mas depois do teu abraço e do teu beijo, sinto-me novo.

_ Fico feliz por saber, que faço milagre!

Porque a minha irmã Marina...

Lembra-se dela? Aquela loura de olhos azuis!

_ Sim... me recordo, o que há?

- Ela está doente?

_Ah!... não é verdade... eu não acredito, é sério!

_ Mais ou menos... não é nada pra se preocupar!

É apenas uma dor de cabeça.

Mas... não pode dirigir.

Tem sentido frequesa e tontura.

Hoje às nove e meia da manhã... telefonou!

A pobrezinha... quer que eu a leve ao médico.

E portanto, não posso fazer a feira...

Faz para mim?

Porque eu estarei fora até ás dezessete horas pelo menos.

E os meninos retornarão do futebol morrendo de fome.

_ Está bem!... eu faço a feira e depois o almoço.

Faço tudo que tiver pra fazer!

Mas!... não va se acostumar... está bem!...

_ Está bem! Tudo bem... os homens são mesmo assim!

Todos iguais...! Nada a tirar ou por.

Meu amor daqui! Minha flor dali!

Desde que não tenham que fazer nada.

Não é?

_ Ti ti ti ti ti... Está bem! Está bem...

Eu estava só brincando amor!

Pego a sacola e vou a feira.

Quatro ou cinco quadras dali... chego.

Que bagunça! Mas tem diversão!

Um quer gritar mais olto que o outro!

- "A minha fruta é melhor! É mais doce!"

- "Veja que bela maçã... que belo melão."

- "Olha que penca de banana!Que doce melancia."

- Não têm outras como estas em toda a feira, e o preço!

Uma pexincha!

Já um outro gritando ainda mais alto...

Usa rimas como em versos pra aumentar o atrativo.

Olha moça!

Veja senhora!

Esperimenta senhorita!

De uma ponta até a outra...

Não há fruta mais gostosa...

Nem tão pouco mais bonita.

Venha ver quanta beleza...

Há na banca da Tereza!

Vem provar quanta doçura...

Quão sabor e gostosura!

Do papaia à melancia

De bacia!... Jabuticaba!

Leve logo antes que acaba!

O abacate é fruto verde!

Porém creia! Minha senhora...

Essa cor... É só por fora!

Pois por dentro é madura...

É uma doce gostosura!

Como queijo e goiabada!

Ou o beijo da namorada.

Há quem compre no vizinho.

No da frente... Ou do lado!

Há quem volte para casa...

Com o senso de culpado!

Pois deixou na minha banca!

O mais saboroso fruto...

Pra levar o estragado!

Tem pra jovem e pra menina...

Pra senhora e pro ancião...

Dentre as tantas outras frutas,

Eu prefiro o melão!

Há quem goste mais da pêra...

A argentina ou a chilena...

Mas falando de mulher!

Eu prefiro a Madalena.

Para a jovem mais bonita!

A maçã e seu pecado...

Pra senhora elegante!

Meus respeitos e obrigado...

Para o jovem rapagão!

A mais breve atenção!

E o limão já estragado!

Sigo andando pela feira...

Em meio ao zunzunzum!

As vozes se misturam...

Mas não se fundem.

Os fonemas se atropelam,

Chocam-se no ar congestionado.

Se reverberam e nos confundem.

Dão uma idéia de vespeiro.

Bolhas de ar... em água em fervura

Quicares de pipoca!

Em tampa da panela abafada.

Tilintar de ferradura,

Na estrada de pterra pisada.

Vez por outra se ouve num estalo

O grito de um freirante,

Que anuncia uma pexincha.

É um real! É um real! É um real!...

Olha o alho! Quem quer alho...

Olha o alho! Quem quer alho...

Leve três e page duas...

Ouço o indignado berro,

De alguém que tem por ferro.

Arranhado o tornozelo,

Pelo eixo de um carrinho.

O cheiro é delicioso...

Longe da barraca de peixe.

Perto da barraca de flores.

Antes das dez horas...

Pois depois!

O ar vai se adenssando...

Mas... pela manhã!

Ele é fresco e a feira é esparsa.

Uma bela jovem ao meu lado...

Pergunta ao vendedor!

_ Posso provar uma maçã?

_ Claro!... Prove!... Qual você quer?

Diz o vendedor assanhadinho.

Aquela grande! Responde...

Lambendo os lábios a esperta menina.

- Diga-me!... Não é boa? Não é doce como o mel?

_ Sim... tem razão! Verdadeiramente saborosa!

_ Pode descascar uma laranja para mim?

_ Claro bela... pronto! Pega!

_ Uhhh!... deliciosa, é verdade!

E uma fatia de melancia! Parece-me suculenta!

_ Como não senhorita, o seu desejo é uma ordem.

Nesse momento! devo admitir...

Eu já estava nervoso.

Escuta senhorita!

vai provar todas as frutas?

Não acredito!... que fome hem!

Deus meu! Aja paciência!

Que frescura!

Digo olhano fixamente para o vendedor!

Prova daqui! Gentileza dali!

Prova daqui! Gentileza dali!

E eu?... Estou esperando!

Tenho dinheiro! Vou comprar em outro lugar!

Até logo!

_ Espere senhor! Vem aqui... faço um desconto...

Desculpe-me... perdõe-me... me destrai...

_ Para o inferno com suas frutas!

No meu dinheiro não vai por as mãos!

2008-08-06 Outros textos Jaime Aparecido Donizeti Privatti Jaime Aparecido Donizeti Privatti
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