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O defunto

Era uma noite muito escura, eu me lembro, quando nuvens tenebrosas encobriam a lua. Mas, por já não haver mais nada por dentro, as nossas almas estavam nuas.

Era um típico velório, com velas, flores, rosários e incensos. Todos choravam, todos velavam.

Até que, de repente, o pio de uma coruja, vindo lá de fora, e tão estridulante quanto apavorante, hipnotizou-nos por algumas horas.

Ao despertar, um arrepio: o caixão estava vazio!

Espanto, medo, consternação. Seria milagre? Alguém cogitou:

- O finado era Santo!

Oh, grande comoção! Todos se ajoelharam, e, em volta do caixão vazio, faziam súplicas mil:

- Santo, por favor, dê-me dinheiro, e eu não serei mais avarento.

- Santo, por favor, dê-me beleza, e eu não serei mais vaidoso.

- Santo, por favor, dê-me poder, e eu não serei mais orgulhoso.

Porém, novamente, o pio de uma coruja, estridulante e apavorante, e vindo lá de fora, hipnotizou-nos por algumas horas.

E quando despertamos, e olhamos para o caixão... ó céus, lá estava tão inoportuno:

Aquele ogro: o defunto!

(André Augusto Passari)

Autor de: "Fragmentos do tempo"

Editora: Arte Paubrasil

Gênero: Poesia/Literatura brasileira

Páginas: 112

Preço: R$ 20,00 (R$ 14,60 no site da Editora)

Para encomendar:

- Livraria Saraiva

- Livraria Cultura

- Livraria artepaubrasil (www.artepaubrasil.com.br)

- e outras

2010-05-19 Poemas e poesias André Augusto Passari André Augusto Passari
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