o bode da maçonaria
O sargento após o jantar sentado no alpendre de sua casa, observava a loja maçônica do outro lado da rua e o movimento dos maçons em uma noite de segunda feira data de reunião semanal dos mesmos e resmunga para si mesmo-Os bodes já estão chegando, coisa ridícula esses ternos pretos que eles usam, eles não devem fazer coisa boa lá dentro, nem janelas esse prédio tem, isso é coisa do diabo...
Era sempre assim, até que em uma segunda feira especial para os maçons, o movimento estava fora do normal, com um grande numero de visitantes de fora, e no meio deles o sargento reconheceu o seu comandante de companhia da Força Pública, pois o sargento comandava a força policial da cidade, um cabo e quatro soldados. Quando terminou o movimento e todos os maçons adentraram ao templo, o sargento permaneceu um pouco mais, todo movimento da rua cessara, com mais alguns resmungos contra os maçons, onde já se viu o seu comandante também era da maçonaria, com certeza já vendera a alma pro diabo, por isso chegou a comandante de Companhia.
Entrou na casa perguntando para a esposa.
-Cadê o garoto?
-Brincando com as crianças ai na pracinha.
-Eu já vou deitar daqui a pouco você vá chamá-lo, já está tarde para criança ficar na rua, ainda mais com os bodes em reunião ai na frente.
-Deixa de ser ranzinza homem, os maçons não são bodes, todos os que nós conhecemos são gente boas, até o prefeito é maçom.
Por volta de uma hora da manhã, o sargento sua esposa e o filho de oito anos acordaram com os berros de um bode, os berros vinham da loja maçônica, a família saiu até a rua, o mesmo fazendo os vizinhos do lado, e todos admirados com os berros de bode que vinham de dentro da maçonaria, o prédio estava às escuras, fato que indicava que a reunião dos maçons já havia terminado.
O sargento aproveitou para descer o pau nos maçons, e deixou claro que iria tomar providências, entrou colocou a farda e se dirigiu ao CLUBE SOCIAL 1932 SÃO PAULO AINDA DE PÉ, pois eram lá que os maçons se dirigiam após os trabalhos da loja, em jantar de confraternização.
Enquanto se dirigia para o clube social, percebeu seu filho seguindo-o, sorriu era bom que o filho o visse em ação.
Na portaria do clube pediu para que chamassem o prefeito, pois tinha novidades.
-O que aconteceu sargento, algum fato grave? Perguntou o prefeito.
-Isso é o senhor que vai dizer Senhor prefeito.
- Eu, por quê?
- É que lá na sua loja.
-Que loja sargento, eu lá tenho loja, até onde sei eu sou um latifundiário bem sucedido na produção de grãos.
-Eu estou falando da loja maçônica, tem um bode berrando lá dentro e não deixa ninguém dormir no quarteirão inteiro.
-Ah, o bode está berrando muito?
-Ta e eu tenho que tomar uma providencia, o senhor me dê à chave da loja, e com sua permissão é claro, vou entrar pegar o bode e levá-lo para o destacamento, amanhã o senhor vê o que faz com ele.
Nesta altura já eram diversos os maçons junto ao prefeito atraídos pela conversa, e os sorrisos disfarçados entre eles não foi percebidos pelo sargento, mas o filho percebeu e se mantinha firme ao lado do pai, todo orgulhoso.
O prefeito pediu um minuto para o sargento e se afastou com os outros maçons uns metros e confabularam entre si, em seguida o prefeito voltou acompanhado dos outros e disse.
- Sinto muito sargento não vai dar para o senhor interferir neste caso.
-Porque, por acaso vou ter que agüentar o bode berrando a noite toda?
-Isso mesmo, amanhã logo cedo damos um jeito no bode.
-Isso nunca e como fica a minha autoridade, vou lá e pego esse bode ainda hoje, e levo pro destacamento.
-Se o senhor insistir nessa sandice, eu e os meus irmãos de maçonaria não nos responsabilizam por sua vida.
O sargento espertigou-se na sua autoridade.
-O que tem de especial esse bode, que pode atentar contra minha vida se eu for lá pega-lo?
-Isso não podemos falar é segredo maçônico. Disse o prefeito e dando uma piscadela para o menino.
-Mas.
-Nem mais nem menos sargento, a não ser que o senhor não dê valor a sua vida, neste caso aqui está à chave, e se o senhor for que Deus tenha piedade de sua alma. E estendeu a mão com a chave para o sargento.
O sargento pensou, pensou, olhou para seu filho e depois para o prefeito dizendo.
-Bem se é assim, não vejo razão para me arriscar, porque eu não sei, ou melhor, ninguém sabe o que vocês fazem lá dentro, mas amanhã vou comunicar o fato ao meu comandante de companhia.
-Puxa, se o senhor tivesse chegado dez minutos mais cedo, falaria pessoalmente com ele, pois ele participou da iniciação, mas acabou de sair do clube.
O sargento despediu-se do prefeito e comentou com o filho enquanto se dirigia para casa. –Eu heim, sabe-se lá que tipo de bode é esse, pode ser até o demo, mas que amanhã eles tiram esse bode de lá, lá isso tiram.
Depois desse episódio o sargento passou a conviver com o fato de que jamais saberia o segredo dos maçons, e muitas segundas feiras se passaram através dos anos, ele sentado em seu alpendre observando o entre e sai dos maçons no templo.
O filho cresceu se tornou homem, lançou-se em direção a outras paragens, firmou-se profissionalmente, foi sondado e convidado a ingressar na maçonaria, aceitou e tornou-se um irmão.
Lembrou-se do pai velhinho, não mais um sargento e sim subtenente por força das promoções, qual seria a sua reação de ver o filho como um maçom. E a reação foi aquela que o filho esperava.
-Pai o senhor é um homem honrado, e sinto-me tranqüilo no que lhe vou falar agora, o que tanto o senhor questiona, vou lhe revelar o segredo da maçonaria e o que eu e os meus irmãos fazemos dentro de uma loja maçônica como aquela. Disse o filho apontando para o templo maçônico no outro lado da rua.
-Pai o que nós fazemos lá, o grande segredo maçônico e o episódio do bode...
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