Noites Vazias
Já são as muitas, das noites dormidas sem a euforia, a alacridade. Nem posso contar mais nos dedos os dias em que esperei os dias e, perdi as esperanças das trevas, pois os ecos que nelas habitavam as minhas palavras, já não consolam mais. Perco agora, não mais o rumo, perco o eu, a essência da minha própria existência, o vazio do nada, me conduz à lugar nenhum. Não temo agora que não vivo, nada choro pelo que não sinto, nada falo mais para o quê já não ouço. E, se corro, é por correr, correr do que não existe para algo que não há o medo. Do amor que preguei, restaram palavras tristes e sem vida como as minhas lágrimas. Para o céu olho, já nem lua vejo, nem estrela reluz sob meus olhos ardentes de solidão, nem qualquer astro pode refletir o quê sinto. Sentimento o meu, não possui nome, só possui o sentir e, se senti-lo, aos poucos guardará dentro de si o espaço das coisas, as frestas das janelas, a insanidade do vazio, o vazio. Embora vazia, a decepção engole meu corpo, entro dentro do que o homem sente e teme, mas ama perpetrar. Nada posso fazer, para deter as forças de minha loucura, elas consumaram minhas alegrias preciosas, agora resta-me somente, um vil sentimento. Sou jovem, mas não vivo com a glória juvenil, nem vivo por esperar o dia seguinte. Vivo para as coisas amargas, vivo e existo somente para as paredes que contornam o meu quarto; existo, não porque quiseram, existo por um erro do acaso. Ah, tão mortos são meus olhos e, secas as palavras libertadas de meus lábios. Convivo com o ódio e vivo por um amor, vivo por não ter sorte, vivo somente, esperando a minha vã e gloriosa morte!
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.