No seu olhar
Algo se traduz em seu olhar,
Algo que se cala... Mas quer falar,
Algo que transcende o próprio mar.
Algo que às vezes me parece claro,
Nítido como a luz.
Outras vezes obscuro,
Como a outra face da Lua,
A que não reflete o luar.
Silencioso! provocante!
Envolto em segredo.
Sombrio! temeroso... chão arenoso!
Dourada fim de tarde no kalahari.
Que entre sombras e luz...
Como seus olhos me conduz,
Para o místico... O indecifrável.
Indefinível... incomensurável.
Algo se traduz em seu olhar.
Algo que retesa,
Com medo de curvar-se.
Algo que se nega,
Por medo de se entregar.
Algo que me chama, me convida,
Mas teme se apaixonar.
Algo que me abraça!
E de mim se aparta,
Sem jamais ter me tocado.
E imaculado...
Cospe-me sem tragar.
Asfixia! rarefação! hipotermia...
O cume do kilimanjaro
Algo se traduz em seu olhar.
Algo que me fascina,
Me alumia,
Me azucrina sem parar.
Algo que me turva a mente,
E em mim... planta uma semente,
Que não permites germinar.
Algo que me desprende da terra...
Eleva-me ao céu...
E dê-la... Lança-me ao mar.
Algo que me puxa pro fundo.
E lá... Quer me sufocar.
Tempestade de neve e vento,
Degredo!
Nos ermos do norte polar.
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