NEM PRECISAVAS...
Nem precisavas sair do meu alcance, nem se ausentar do meu planeta, ou até mesmo ficar invisível no rastro da noite que deixou marcas no meu dia, bastava somente fitar meus olhos e falar da dor que atordoava, da ferida que em seu coração insistia em não cicatrizar, da chuva de lágrimas que caía há tanto tempo no roseiral da sua solidão. Mas qual o quê, indiferente às minhas súplicas, teimastes em desaparecer justamente quando o dia dourado mostrava suas primeiras e iluminadas marcas, e nem me destes tempo para procurar pelo lenço branco da paz, ou pelo bordado feito com a linha do equador que graciosamente registrava nosso pacto. Atordoado pelo acontecido, dei de andar em círculo, dei de desmaiar de desejo, de me atar ao passado que era somente um passado, de me açoitar pela falha, de me punir por conta de erros inocentes que jurei não se repetiriam...e entorpecido pelo capítulo que encerrava nosso livro, fui viajar por entre as estrelas queredeiras, por entre os astros distraídos que não me julgam mas sabem do acontecido. E só agora, quando retorno da viagem que empreendi para esconder o inescondível, me dou conta que estou vivo, estou leve e preparado para sonhar novamente.
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