NA MADRUGADA
NA MADRUGADA
Por Carlos Higgie
Lá pelas duas horas da manhã, envoltos todos por uma bruma etílica de difícil definição, Norma resolveu cantar. Até que tinha uma voz afinada, mas as muitas cervejas e vodkas não permitiam que ela conseguisse articular, corretamente, as palavras. A língua pesava e se enrolava nas frases mais simples e fáceis.
Marcelo e Sheila, que tinham estabelecido um código silencioso, fundamentado em olhares que variam em duração e intensidade, pareciam alheios a todo aquele festival de canções, gritos, aplausos, gargalhadas e olhares severos do dono do bar.
O grupo, três homens e três mulheres, estava ali desde antes das dez horas da noite. No recinto restavam poucos clientes, além do sexteto barulhento, e o dono do bar já estava impaciente. Porém, como eles estavam consumindo bastante, ele exercitou mais uma vez seu pouco reconhecido dom da paciência.
Norma, bastante embriagada, terminou uma canção alongando a nota final até ficar sem ar. Sheila, aproveitando o intervalo, pois logo viria outra canção, falou que estava cansada e queria voltar para o apartamento. Falou olhando para Marcelo, que captou tudo no mesmo instante. Norma, que estava entusiasmada com seu desempenho artístico, passou a chave para Marcelo e pediu para ela acompanha-la, pois ela não tinha nenhuma intenção de voltar para o apartamento naquele momento.
Marcelo e Sheila saíram do bar e foram recebidos pela noite ainda quente e silenciosa. Caminharam as duas quadras, que separavam o bar do edificio, em silêncio, sentindo que uma tensão diferente crescia entre eles.
Apenas entraram no apartamento, Sheila foi para o banheiro, que ficava no dormitório, e Marcelo fechou a porta com duas voltas, tirou a chave e guardou-a no bolso da calça. Com a respiração ofegante caminhou até o dormitório e ficou esperando.
Sheila abriu a porta e não se surpreendeu ao encontrar o homem esperando por ela. Fechou os olhos por um instante. Foi o suficiente para ele partir para o ataque: empurrou-a contra a parede buscando seus lábios carnudos. Ela levantou os braços, numa atitude de defesa, mas separou as pernas para receber a coxa do homem que buscava um carinho diferente. O beijo durou uma eternidade. As bocas se abriram sedentas, as línguas começaram um diálogo interminável, as salivas se misturaram e os corações dispararam imprimindo um ritmo alucinante na corrente sangüínea.
Marcelo encerrou o beijo com um movimento brusco que fez ela perder o apoio da parede e cair na cama.
___ Não! – sussurrou Sheila, apoiando-se nos cotovelos e separando as pernas, sabendo que seu vestido cobria pouco, ou nada, das suas coxas e oferecendo uma imagem sensual e atrevida.
Marcelo, sem pronunciar palavra, tirou a cinta e, sem prestar atenção ao olhar de surpresa da garota, pegou o braço direito dela, fechando na altura do punho a cinta. Puxou-a, então, para perto da cabeceira e, fazendo um nó rápido, imobilizou o braço dela.
___ Você é louco? – assustou-se Sheila.
Ele não respondeu, abriu o guarda-roupa, achou um lenço de seda e voltou para a garota, que tentava soltar, sem sucesso, o braço preso à cabeceira.
___ Me solta! – pediu, enquanto o homem fazia um nó, com o lenço, no braço direito, puxava e atava na cabeceira.
Pronto. Estava amarrada e assustada. Começou a debater-se, tentando soltar-se, mas teve a sensação de que quanto mais se debatia mais se fechavam os nós.
Marcelo despiu-se, olhando-a com um sorriso enigmático. Quando ficou nu, ela percebeu que ele estava muito excitado: o seu membro, nem grande nem pequeno, parecia latejar, mexendo-se de baixo para cima, como se tivesse vida própria e estivesse examinando o corpo que iria penetrar.
Ele deitou sobre ela, evitando os chutes e acomodando-se entre as pernas torneadas e sensuais. Beijou-a outra vez, afogando os protestos e deleitando-se naquela boca. Confusa, Sheila percebeu que o comportamento dele estava mudando: a agressividade inicial cedia espaço para uma ternura alimentada por uma louca paixão. Fechou os olhos e parou de reclamar.
Marcelo levantou-lhe o vestido até acima dos seios e ela ficou feliz de não estar usando soutien, por que a boca dele era deliciosa e começou a fazer milagres nos seios redondos e nos biquinhos eretos. Desejou, naquele momento, estar com as mãos livres para guiar a boca do homem pelas colinas, pelos vales, pelos sendeiros luminosos do seu corpo. Mas, não precisou, o homem era experiente e sábio em amores. Navegou com sua boca sedenta pelo mar da pele feminina e chegou na gruta dos desejos, ainda coberta pelo pano da calcinha. Os lábios, trabalhando por cima da calcinha, irradiavam um prazer inenarrável, um calor diferente que se espalhava pelo seu corpo.
___ Tira... – suplicou ela.
Ele segurou firme as pernas inquietas da garota e continuou trabalhando por cima da calcinha, aumentando a pressão dos lábios, levando-a ao delírio total.
___ Ah! Tira a calcinha! – gemeu ela – Tira!
Marcelo beijou e mordiscou um pouco mais, sentindo a vibração do corpo feminino. Depois, com uma lentidão premeditada, retirou a calcinha, totalmente molhada pela excitação dela e a saliva dele.
Quando os lábios do homem tocaram seus grandes lábios, ela sentiu que o mundo se dividia e eles naufragavam num mar obscuro, quente, excitante, carregado de luxuria. A língua sem preconceitos avançou gruta adentro, mexendo-se para os lados, para baixo, para cima, entrando e saindo, resvalando para fora e detendo-se, finalmente!, no botão eriçado, duro e avermelhado, que esperava ansioso por aquele carinho único e insubstituível. Os lábios, os dentes e a língua do homem trabalharam até que ela começou a gemer mais alto e a contorcer-se, vibrando com um orgasmo intenso e libertador.
Sem esperar, Marcelo acomodou o membro na entrada lubrificada e meteu devagar, desfrutando intensamente daquela penetração. Sheila simplesmente não acreditava que era possível sentir tanto prazer: gritou e gemeu como nunca.
O homem, dono da situação, cravou, socou, meteu, tirou e voltou a colocar bem lá dentro aquele pedaço rijo de carne que procurava, desesperado, sua satisfação. Gozou, derramou-se naquela garota tantas vezes desejada e tantas vezes negada. Caiu sobre ela, desmaiado de prazer, naufragando num mundo paralelo, confuso e agradável.
Um século depois, saiu de cima dela, soltou-a e abriu os braços para abraça-la, num gesto carregado de carinho. Ela aconchegou-se sobre o peito cabeludo, encaixando suas pernas nas do homem.
___ Você é louco – sussurrou, como se tentasse explicar o que tinha acontecido.
___ Sou tarado por ti – respondeu ele, consciente dos movimentos leves que ela fazia, esfregando seu sexo na coxa dele.
___ O que vamos dizer para a Norma? – quis saber ela, percebendo que o membro do homem começa a crescer novamente.
___ Nada, ela está tão bêbada e entusiasmada com suas canções que não vai perceber minha ausência.
___ Eu me sinto culpada – insistiu Sheila, pegando com uma mão o membro já duro e lambuzado de esperma.
___ Muito culpada? – ironizou Marcelo, mexendo devagar com o corpo dela, enquanto ela limpava com a mão, pequena e macia, os restos de esperma e acomodava o membro na entrada do seu sexo.
___ Muiiiitoo... – gemeu ela, sentando devagar naquele pino latejante, deixando que ele avançasse até o fundo, produzindo nela uma deliciosa e excitante sensação de posse.
___ Vai, mexe – incentivou ele -. Assim, assim, isso, te crava putinha.
___ A Norma... é minha prima – falou Sheila, só por falar, pois sua atenção estava concentrada naquele pino macio e duro que entrava e saía do seu sexo.
___ Também é minha mulher – completou Marcelo, segurando-a pela cintura e forçando a penetração.
___ A tua pica é... gostosa! – exclamou Sheila, apoiando as mãos no peito do homem, cravando devagar as unhas, mexendo mais rápido, aumentando a pressão sobre o membro cativo e sacudindo a cabeça como se quisesse esquecer tudo, principalmente o rosto acusador da sua prima Norma.
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