Nós não somos escorpiões
Nó não somos escorpiões
Conta-se que certa ocasião o escorpião estava na margem
do rio a se deslocar num sentido e noutro à procura de uma ponte ou outra alternativa que lhe permitisse atravessar até a outra margem. Após exaustiva busca infrutífera e já pensando em desistir, surge longe, faceiramente, o sapo. O escorpião, ardilosamente, falou que também estava apressado e tinha algo muito importante e urgente a fazer no outro lado, e não havia encontrado como atravessar. Indagou se ele faria a gentileza de conduzí-lo, dado o caráter de urgência de sua necessidade. O sapo respondeu que não, pois conhecia a fama de assassino do escorpião.
Após diálogo prolongado o escorpião conseguiu convercer o sapo a mudar de idéia, argumentado que se o picasse, os dois, sapo e escorpião, morreriam afogados. O escorpião subiu nas costas do sapo e lá se vai ele nadando bravamente em direção à outra margem. No meio do rio o escorpião não resistiu e picou o conhecido benevolente; e este, já se sentindo tonto pela ação do veneno liberado pelo escorpião, interrogou: mas escorpião, você não prometeu que não me picaria?! Agora eu vou morrer, e você também,junto comigo, afogado. Ao que o escorpião respondeu: essa é a minha natureza.
Será que é da natureza humana não mudar, ser sempre a mesma coisa, como o escorpião? Não. Claro que não. A não ser que alguém esteja acometido da síndrome de Gabriela: eu nasci assim, vou viver assim, vou morrer assim.
O comportamento do escorpião é compreensível porque ele é irracional. Age institivamente, sem fazer uso da razão.
Nós outros já fazemos uso da razão. Diferençamos o bom do ruim, o bem do mau. Em decorrência, podemos fazer opção, escolha, e em acertando no que escolhermos, podemos nos educar, mudar, crescer. É aí que reside a diferença entre nós, animais racionais, e os irracionais: a possibilidade de evoluir impulsionados pela vontade própria, de construir um novo amanhã.
Na fase irracional do que é hoje o nosso espírito, nossa essência, ou seja, do princípio que evoluiu até chegar ao espírito, o Pai encarregou a natureza de nos conduzir, como o adulto que conduz a criança pela mão.
Na fase racional nos foi dada, ao espírito, a responsabilidade de direcionar nossos passos e auxiliar-nos uns aos outros na jornada evolutiva. É por isso que o homem é um ser gregário, essencialmente social. Ele sozinho estaciona, não cresce.
Mas o escorpião, enquanto escorpião, vai permanecer conduzido pelo instinto. Até quando? Tudo no Universo está em evolução, e o princípio que habita o escorpião não constitui exceção. Ele, adiante, galgará outros patamares na escalada evolutiva. Por que não? Ele também é criatura divina. E nos planos divinos não há exclusão. Todos haveremos de ascender aos píncaros da evolução. O espírito, antes de chegar à condição de espírito propriamente, também não percorreu estágios inferiores da natureza?!
Leon Denis traduziu maravilhosamente esta realidade com a célebre frase: o espírito dorme no mineral, agita-se no vegetal, sonha no animal e acorda no homem. De nossa parte acrescentamos: e prossegue na sua marcha evolutiva até atingir a angelitude.
Leones Soares
-
Deixe seu comentário
-
Pontue este textoQuantas estrelas este texto merece?
-
Envie este texto por e-mail para seus amigos
-
Mande este texto para a impressora
clique aqui para denunciá-lo. Ele será avaliado e, se necessário, corrigido ou apagado.