Não posso mais
Das trevas que jazem minha abantesma, continuam a viver, apenas as criaturas mais funérias e nefárias, que alucinam diariamente, meus pensamentos, meus devaneios. Rogo ajuda aos Deuses, para que estes me libertem de tantas lástimas que foram impostas a minha existência. Encontro-me em prantos, todos os dias, mas, compreendo, que toda esta angústia, jamais terá um fim. Meus lamentos são sempre ouvidos, mas nunca decifrados. Meus colapsos incontroláveis, me arrastam gradativamente aos precipícios mais assombrosos da vida humana. As expressões de meu semblante, lívido, são versos ditos em silêncio. Os gestos, a inquietação, são as únicas formas que tenho para te dizer algo. Minha vida, ah, ela já não é mais a mesma, doce e meiga, alegre, bela. Os sentimentos têm brincado comigo e a vida, como quem goza de um jogral, rí a cada queda que antecedem os momentos de meu falecimento. Eu invento bordas para as minhas aspirações, para que elas limitem-se apenas onde eu almejo. Ouço vozes que me conduzem ao estado eterno da tristeza. O céu negro, fulgura apenas uma estrela, que faz luzir apenas o meu olhar, já morto. Meus passos, longos, percorrem caminhos curtos, os quais, nunca consegui chegar ao final. Tristes cantos, prantos, isto somente, é o que ouço, vejo, quando os corvos decepcionam-me...
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