Menina a-cor-dor
Sonhou que durante muito tempo poderia viver apenas de seu próprio sonho. Ela esqueceu tanto as dores do mundo, as cores do mundo. Ela era tão desbotada, tão sem vida, sozinha. A vida a fez dormir, o sonho, sorrir; os pesadelos, fizeram com que ela acordasse, do sonho, de seu próprio sonho. A vida quebrou, rasgou, cicatrizou, suas feridas, mais as marcas, nem o tempo, as apagou! Ela correu, ela chorou, morreu, mais nem mesmo seu próprio sonho, a deixou viver. Ela sofreu de verdade, como uma rosa vermelha sendo pisoteada por um bicho. Não entendeu, entregou-se mais uma vez ao sonho do sonho, entregou-se, mais ele não quis recebe-la, como uma simples menina. Menina-flor, dor, aquela que nunca soube de verdade amar, nunca soube o amor. Jamais sorriu, jamais cantou... Murmurou palavras tão tristes para o mundo vazio, mais tão cheio de sentimentos internos. Quanta coisa queria ver, quanta coisa aprender, nunca soube para onde ir, com quem ir. O tempo, inimigo de sua própria vida, sonho, não passou, ela cresceu, continuou menina, menina-dor. As lágrimas internas, não secaram, as dores externas, não cessaram. Ela resolveu acordar. Tão tarde, acabou. Nunca soube o que fez, nem porque fez, mais se suicidou. Morreu sem conhecer o sorriso, a felicidade, morreu sem saber o que era amor...
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